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Ronnie Lessa demorou seis meses para falar sobre Rogério Andrade em delação

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ex-PM Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco (PSOL), demorou seis meses para falar sobre sua relação com o bicheiro Rogério Andrade em seu acordo de delação premiada.

Lessa minimizou a ligação com o contraventor. Ainda assim, o depoimento dele é visto como inédito por investigadores da Polícia Federal. O ex-PM seria uma das primeiras pessoas a confirmar ter pedido autorização a Rogério para a abertura de um bingo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

A defesa de Rogério Andrade diz não ter tido acesso ao depoimento e por isso não quis se pronunciar.

Segundo a Folha de S.Paulo apurou, Lessa resistiu a falar sobre o bicheiro, com quem responde a uma ação penal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os dois foram denunciados sob acusação de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro na montagem de um bingo na Barra, em 2018.

As datas dos depoimentos deixam clara a resistência. Lessa prestou o primeiro depoimento de sua delação no dia 9 de agosto de 2023, quando falou sobre os preparativos, a execução e a ocultação de provas do homicídio de Marielle.

No dia seguinte, prestou cinco depoimentos. Além de abordar de novo a ocultação de provas do assassinato da vereadora, Lessa falou sobre outras quatro ações penais a que responde. Em 10 de agosto, o delator já havia abordado, portanto, seis anexos de sua colaboração.

Novo depoimento foi prestado no dia 11 de agosto, ainda sobre atos posteriores à morte de Marielle.

O delator voltou a receber os investigadores no dia 6 de outubro de 2023. Nesse dia, esclareceu pontos considerados frágeis em dois anexos: sobre a preparação do crime contra Marielle e sobre o homicídio do ex-PM André Henrique da Silva Souza, o André Zóio.

O anexo 7, sobre Rogério Andrade, só teve seu primeiro e único depoimento em 16 de fevereiro de 2024. Nesse dia, Lessa também esclareceu pontos sobre o que ocorreu no homicídio de Marielle.

Lessa assinou nesse mesmo dia o acordo de colaboração premiada com PF, PGR (Procuradoria-Geral da República) e Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo a reportagem apurou, falar sobre a Operação Calígula —que mirou bingos clandestinos— foi uma exigência dos investigadores para a concretização do contrato.

Ao falar sobre Andrade, Lessa confirmou ter pedido autorização para o funcionamento do bingo que montou na Barra da Tijuca. O ex-PM afirma que havia se associado ao filho do bicheiro, Gustavo de Andrade, mas queria ter certeza da anuência do pai para a sua atuação.

A PF afirma ter corroborado o relato de Lessa a partir de um detalhe do depoimento. Ele disse aos investigadores que teve de interromper a reunião com Andrade em razão da chegada de agentes da PF ao prédio onde fica o escritório do contraventor.

De acordo com a polícia, de fato houve uma entrega de intimação a Andrade no dia 12 de setembro de 2018.

Mensagem de Lessa a um interlocutor no dia 18 de setembro de 2018, interceptada na Operação Calígula, mostra o ex-PM falando sobre a reunião com o bicheiro. O texto, no entanto, dá a entender que o encontro teria ocorrido naquele dia, seis após a ida da PF ao escritório.

“Estou vindo de um encontro com o R”, escreveu o ex-PM, segundo a PF, em referência a Rogério Andrade.

Visto como valioso pelos investigadores, o depoimento, porém, contraria informações de inteligência que circulam há anos no Rio de Janeiro. Elas indicavam que Lessa atuava como segurança de Rogério Andrade.

A suspeita de que Lessa integrava a tropa de policiais mantida pelo bicheiro se deve ao fato de o ex-PM ter sofrido um atentado a bomba com “modus operandis” semelhante ao sofrido por Rogério Andrade. O delator perdeu a perna numa explosão em outubro de 2009. Em abril de 2010, ataque semelhante vitimou o filho do bicheiro que o acompanhava no carro.

Lessa afirma que conheceu Rogério Andrade apenas depois do atentado em 2010. Ele diz que os dois se encontraram por duas vezes para tentar, juntos, identificar o autor das explosões.

“Então, em 2010, eu busquei essa aproximação. De perguntar para ele: ‘Por que tentaram te matar? A bomba’. Porque eu também tinha essa pergunta, e ele também tinha essa dúvida: ‘Quem é esse cara que sofreu um atentado igual ao meu?’ Como eu disse, uma coisa bem atípica. A gente não está no Oriente Médio. A gente tá no Brasil. Então, a princípio, tirando a bomba do Riocentro, era a primeira explosão a bomba, um atentado, uma coisa assim exagerada”, disse aos investigadores.

Para Lessa, o uso do mesmo método para atingir os dois criou o que ele chamou de “mística” sobre a ligação entre ambos.

“Muita gente criou a mística de que eu estava até no carro dele […] Que eu era segurança dele […] Ou seja, uma confusão danada. Um mix de especulações. E hoje muita gente pensa que eu era segurança do Rogério Andrade. Não, eu nunca trabalhei para ele. É a grande realidade.”

Lessa afirma que depois não teve contato com o bicheiro até o terceiro encontro para falar sobre o bingo na Barra.

ITALO NOGUEIRA E BRUNA FANTTI / Folhapress

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