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Saída de Schwab do Fórum Econômico Mundial envolveu denúncias e ameaças, diz jornal

PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) – Denúncias de uso indevido de recursos, má gestão e ambiente hostil de trabalho estão por trás da saída de Klaus Schwab, 87, do Fórum Econômico Mundial, segundo o jornal The Wall Street Journal em reportagem publicada ne terça-feira (13).

O Fórum Econômico Mundial -instituição suíça sem fins lucrativos- foi fundado por Schwab em 1971 e, desde então, era comandado por ele. A organização é responsável pelo luxuoso encontro anual que reúne líderes de Estado, grandes empresas, ativistas e celebridades em Davos.

Após analisar documentos internos e entrevistar membros do alto escalão da organização e atuais e ex-funcionários, o jornal afirma que, após décadas liderando a instituição “como realeza” e com “punho de ferro”, Schwab agora está em guerra com o Fórum.

Em 2024, ele buscava uma saída elegante. Em maio de 2024, ele deixou o cargo de CEO e assumiu o posto de presidente do conselho -estabelecendo um afastamento gradual de suas funções.

No entanto, quase um ano depois, em abril, ele renunciou com efeito imediato. Segundo o WSJ, a renúncia ocorreu na sequência de uma investigação sobre uma carta anônima de funcionários que acusava Schwab e sua esposa, Hilde, de uso indevido de recursos do Fórum. A carta também denunciava outros tipos de problemas de governança na organização.

Segundo o jornal, desde janeiro de 2024, um número crescente de conselheiros já discutia internamente como persuadir o fundador a começar o processo de sucessão. O conselho tem cerca de 30 membros e conta com personalidades como o CEO da BlackRock, Larry Fink, o célebre violoncelista Yo-Yo Ma e o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.

Pessoas ouvidas pelo WSJ disseram que conflitos entre Schwab e seu principal colaborador, Børge Brende, ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega, estavam cada vez mais frequentes e intensos. Schwab estaria microgerenciando até decisões rotineiras do dia a dia sobre contratações e estratégias para atrair participantes mais jovens.

Os conselheiros teriam, então, pedido ajuda de Peter Brabeck-Letmathe, ex-CEO da Nestlé e confidente de Schwab, para convencer o fundador a sair -apesar da proximidade dos dois, a tarefa não foi fácil. Brabeck-Letmathe tornou-se hoje o CEO interino do Fórum.

Schwab teria insistido que a aposentadoria era uma decisão que cabia a ele. Os estatutos do Fórum afirmam: “O próprio fundador designa seu sucessor no conselho e assim por diante para a sucessão deste último”, e Schwab ou “pelo menos um membro de sua família imediata” deve estar no conselho de curadores.

Os planos do fundador de sair lentamente e ajudar a escolher seu sucessor teriam sido interrompidos por uma reportagem de 2024, também do WSJ, sobre Schwab e a atmosfera hostel de trabalho para mulheres e pessoas negras, incluindo casos de assédio sexual e discriminação racial, no Fórum. À época, a organização emitiu um comunicado negando as acusações.

O conselho, então, teria designado um comitê para supervisionar a resposta às acusações, liderado pelo CEO da AXA, Thomas Buberl. O escritório de advocacia americano Covington & Burling e o escritório suíço Homburger foram contratados para investigar a situação.

O jornal diz que as tensões eram grandes nos bastidores dessas investigações. Em um email de agosto de 2024 aos conselheiros, Schwab defendeu seu legado. “Eu poderia ter criado o Fórum como uma empresa comercial, já que assumi todo o risco empresarial e financeiro ao criar o Fórum. Eu seria agora provavelmente celebrado como um bilionário self-made”, escreveu.

Em uma mensagem de texto de novembro de 2024, Schwab disse: “Em relação ao racismo, particularmente contra pessoas africanas”, ele escreveu, “só quero mencionar que fui condecorado pela Rainha Elisabeth principalmente pelos meus esforços para superar o apartheid”.

A mensagem e outras ações semelhantes, segundo pessoas ouvidas pelo WSJ, foram vistas pelo alto escalão como um sinal de desespero, e mostravam a tendência de Schwab de superestimar seu papel nos eventos que levaram ao fim do regime na África do Sul.

Um outro problema, segundo a reportagem do WSJ, seria Olivier Schwab, filho do fundador do Fórum. Em uma ligação para os conselheiros, já em março de 2025, o investigador das denúncias recomendou a demissão de Olivier. Segundo ele, o filho do fundador havia ignorado um grave assédio sexual perpetrado por um subordinado direto, e depois mentiu aos investigadores sobre seu conhecimento das queixas.

Klaus Schwab teria ficado furioso e ameaçado retaliar caso seu filho fosse demitido, segundo pessoas ouvidas pela reportagem. Segundo o jornal, após discussões acaloradas, os conselheiros permitiram que Olivier renunciasse em vez de ser demitido.

Brende teria convidado Schwab várias vezes para discutir o plano de reorganização do Fórum, mas o fundador não compareceu. A proposta, então, recebeu aprovação do conselho e, em 27 de março, Brende enviou um memorando detalhando as mudanças na estrutura de gestão -que incluíam a saída de Olivier e de dois aliados de Schwab.

Schwab teria explodido. Ele disse, segundo o jornal, que algumas das pessoas promovidas não estavam prontas e reclamou com Brabeck-Letmathe, então vice-presidente do conselho, que essas decisões haviam sido tomadas sem consultá-lo. Brabeck-Letmathe respondeu que era hora do fundador renunciar.

Em 2 de abril, Schwab informou à equipe e aos conselheiros que renunciaria à presidência, e o Fórum disse que iniciaria uma busca por um substituto, com o objetivo de concluir o processo até janeiro de 2027.

Um porta-voz da família Schwab disse que o patriarca não se envolveu nas discussões sobre a saída de Olivier, mas havia ameaçado renunciar se seu filho e dois funcionários próximos fossem mencionados na investigação da Covington.

A reportagem aponta que cerca de duas semanas depois do acordo sobre o processo de sucessão, uma nova onda de denúncias chegou aos curadores por meio de um email anônimo assinado “em nome de funcionários atuais e antigos”.

O email apresentava desde acusações de uso indevido de recursos do Fórum para fins pessoais, incluindo a busca de um Nobel da Paz, a comportamento inadequado com funcionárias mulheres. Schwab e a esposa negam as acusações, e apresentaram uma queixa criminal na Suíça contra o autor do email.

Pouco depois, em 18 de abril, o comitê de auditoria presidido por Buberl, o CEO da AXA, teria notificado o conselho de sua intenção de abrir uma nova investigação sobre as denúncias contidas no email. Schwab disse aos membros do conselho que tudo era falso e que a investigação da Covington não havia comprovado acusações anteriores contra ele.

A reportagem afirma que Buberl respondeu que, se Schwab não tivesse nada com que se preocupar, deveria aceitar a investigação. Logo depois, o fundador enviou um email ameaçando os administradores com uma investigação sobre o desempenho deles. A mensagem foi encaminhada pelo comitê ao conselho.

Um dia depois, Schwab comunicou em um novo email sua renúncia. Na mensagem, ele disse que seu legado está “bem estabelecido e não precisa de mais validação”.

A implosão de Schwab levou a uma reunião de emergência do conselho do Fórum, que durou cerca de duas horas. Alguns conselheiros manifestaram apoio ao fundador, mas, no final, todos concordaram com a investigação. No dia 21 de abril, o Fórum divulgou um comunicado dizendo que Schwab havia decidido renunciar ao cargo de presidente, com efeito imediato.

O Fórum afirmou que seu conselho decidiu unanimemente iniciar uma investigação independente sobre as acusações, uma decisão endossada por seu regulador suíço. “O processo será realizado de forma completa, diligente e oportuna”, disse em um comunicado.

Schwab e sua esposa negam todas as acusações. “Minha esposa Hilde e eu dedicamos os últimos 55 anos ao serviço público, sempre vivendo de acordo com os mais altos padrões profissionais, financeiros e éticos”, disse ele em um comunicado.

Redação / Folhapress

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