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Secretário de Tarcísio deixa PP após cobrança por neutralidade nas eleições

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Secretário-chefe da Casa Civil de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Arthur Lima anunciou sua desfiliação do PP na segunda-feira (5) após insatisfação de correligionários com a postura do governador nas eleições municipais deste ano.

As queixas envolvem disputas municipais nas quais partidos da base apoiam candidatos diferentes. Integrantes do PP defendem que Tarcísio mantenha a neutralidade nesses casos, evitando dividir a direita.

Aliados de Lima e integrantes do PP afirmam, porém, que não houve desentendimentos ou rompimentos —pelo contrário, a relação do partido e do secretário continua boa.

“Estamos do mesmo lado, só não mais no mesmo partido”, afirma o deputado federal Maurício Neves, presidente do PP no estado de São Paulo, acrescentando que Lima contribuiu muito com a sigla. “O Arthur veio [para a legenda] até por ser um amigo e por acreditar nas mesmas bandeiras. [A desfiliação] Foi uma decisão pessoal dele que eu respeito. E as portas estarão sempre abertas.”

De acordo com relatos de políticos, a eleição municipal em Barretos (SP) foi o gatilho para a desfiliação do secretário. Tarcísio gravou um vídeo de apoio a Odair Silva, pré-candidato do Republicanos, que terá como adversário nas urnas Raphael Oliveira, do PP.

O gesto motivou uma reclamação do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que tem base eleitoral na região. Ele enviou uma mensagem a Lima defendendo que Tarcísio adotasse uma postura neutra nos municípios em que há mais de um pré-candidato de direita. Segundo este argumento, o governador deveria declarar seu apoio apenas nas cidades onde a esquerda é o principal adversário.

Lima teria ficado desconfortável com a situação, por enxergar o PP e o governador em lados opostos. O secretário é descrito como uma pessoa fiel a Tarcísio, o 02 do governo. Por isso, segundo aliados, quer evitar qualquer situação de confronto com o chefe.

O entorno de Lima afirma, porém, que a desfiliação foi uma decisão dele, e não um pedido do governador.

Pessoas próximas ao secretário dizem ainda que a atuação partidária demandava tempo e dedicação de que ele não dispunha na chefia da Casa Civil. Além disso, o posto no governo exigiria certa neutralidade, já que a secretaria arbitra uma série de interesses conflitantes entre os partidos que compõem a gestão.

Aliados de Lima afirmam que não faria sentido que ele entrasse de cabeça em articulações políticas, pois precisa ter, na Casa Civil, uma atuação técnica e apartidária. Ele queria evitar que decisões do governo pudessem ser interpretadas como benefício a algum partido.

Nos bastidores, políticos do PP afirmam que não foram privilegiados em nada desde que o secretário passou a integrar a legenda, o que gerou frustrações.

Responsável por liberar convênios e decidir sobre os cargos pleiteados por outras pastas, Lima se filiou ao PP em agosto do ano passado —movimento interpretado pelo meio político como uma tentativa de limitar o poder do secretário Gilberto Kassab e de seu partido, o PSD.

Lideres de outros partidos acusam Kassab, secretário de Governo e responsável pela liberação das emendas parlamentares, de ter aproveitado a influência na gestão para atrair centenas de prefeitos para o PSD.

ANA LUIZA ALBUQUERQUE E CAROLINA LINHARES / Folhapress

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