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Sem bebedouro, usuário de albergue diz tomar água de chuveiro para matar a sede em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As condições de acolhimento e higiene de um albergue na rua Prates, no Bom Retiro, centro de São Paulo, são motivos de queixas de frequentadores do local.

A reportagem teve acesso a fotos que mostram um bebedouro interditado, animais na área do refeitório e problemas na estrutura, como falta de portas.

Em nota na noite desta terça-feira (18) a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social declarou que equipes da Supervisão de Assistência Social Sé realizam vistorias regulares nos equipamentos da pasta que compõem o Complexo Prates. “Os centros de acolhimento contam com manutenção, zeladoria e higienização diariamente, além de serviços periódicos de controle de pragas, tendo sido o mais recente realizado em maio deste ano”, afirmou a pasta da gestão Ricardo Nunes (MDB).

Em julho de 2023 o local chegou a ser cogitado como um espaço para receber dependentes químicos da cracolândia. No entanto, após manifestações de moradores e comerciantes do Bom Retiro a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) desistiu de conduzir usuários de drogas para a área.

Um frequentador do Centro de Acolhida Prates, que pediu para não ser identificado por temer represálias, disse ser insalubre viver no local. Ele listou uma série de problemas e classificou o abrigo administrado por uma organização social como um “misto de purgatório e regime semiaberto”, em alusão a detenção de presos que voltam para a cadeia para passar a noite.

Segundo ele, após um bebedouro ser inutilizado há cerca de uma semana, os conviventes sofrem para tomar um simples copo de água e matam a sede com o pouco que sai de chuveiros ou de pias instaladas nos banheiros.

Ele acrescenta que a falta de água potável prejudica principalmente pessoas que necessitam tomar medicamentos no período da noite ou madrugada. Durante o dia, alguns buscam água com moradores de uma ocupação no entorno do albergue ou em uma unidade de saúde nas proximidades.

Também falta água para tomar banho e lavar as roupas, o frequentador relata.

Conforme a gestão Nunes, o abastecimento de água no abrigo está normal. “Em casos pontuais de desabastecimento, os serviços usam como alternativa caminhões-pipa, o que garante o abastecimento e o funcionamento normal dos espaços de convivência, alimentação, lavagem de roupa, banheiros e limpeza.”

Após a resposta, a reportagem questionou novamente a gestão sobre a interdição do bebedouro e o desabastecimento relatado pelo usuário do abrigo. Em nova nota, a secretaria de assistência social afirmou “que as imagens enviadas pelo jornalista não correspondem a uma interdição devido a problemas nos bebedouros”.

Segundo a pasta, “o espaço sempre é fechado para a limpeza do local, procedimento de segurança para execução desse tipo de serviço”. Ainda de acordo com a gestão Nunes, os bebedouros dos serviços de acolhimento no Complexo Prates funcionam normalmente e foram trocados há sete meses.

Uma segunda queixa se refere à presença de animais durante as refeições. Imagens mostram gatos e pombos no refeitório, o que segundo o morador traz riscos à saúde de quem se alimenta no ambiente.

O homem ainda relatou que os moradores do abrigo convivem com mortes de usuários no local.

Sobre a presença de bichos, a Prefeitura de São Paulo afirmou inicialmente que o Complexo Prates conta com nove baias para animais, separadas da área de alimentação, que proporcionam a segurança, cuidado e bem-estar dos pets dos acolhidos.

Questionada especificamente sobre a questão de gatos e pombos fotografados no local, a gestão declarou que os Centros Temporários de Acolhimento têm como prioridade a limpeza e organização dos espaços de convivência. “Em caso de presença de animais nas áreas internas do complexo, eles são prontamente retirados do local.”

Em relação a possíveis mortes, o município confirmou o óbito de um homem no dia 29 de maio. De acordo com a prefeitura, a vítima tinha histórico de doenças crônicas e severas.

“Apesar de não ser acolhido nos serviços do espaço, fazia uso do Núcleo de vagas pernoite da Operação Baixas Temperaturas. Os laudos necroscópicos, que atestam a causa da morte, são feitos e de responsabilidade do Instituto Médico Legal ou do Serviço de Verificação de Óbitos.”

PAULO EDUARDO DIAS / Folhapress

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