Sem provas, Rússia diz que armas ucranianas atingiram hospital infantil de Kiev

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Nesta terça-feira (9), a Rússia negou ter atacado um hospital infantil em Kiev e disse, sem apresentar provas, que o fogo antiaéreo ucraniano teria sido o responsável pelo bombardeio de segunda (8). A ofensiva aérea lançada sobre a capital e outras cidades da Ucrânia deixou ao menos 41 mortos, e foi a mais letal feita por Moscou em meses.

Questionado em entrevista coletiva, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, repetiu o discurso de que a Rússia não ataca civis. “Estamos falando de um sistema antiaéreo em queda. Continuamos a insistir que não atacamos alvos civis. Os ataques são realizados contra instalações de infraestrutura crítica, contra alvos militares que estão de alguma forma relacionados ao potencial militar do regime.”

As autoridades ucranianas afirmam, no entanto, que o principal hospital infantil de Kiev foi atingido com um míssil de cruzeiro russo Kh-101, artefato que pode carregar uma ogiva explosiva de 450 kg. Segundo o serviço de segurança da Ucrânia, fragmentos da parte traseira do míssil foram recuperados no local, bem como parte do sistema de orientação.

“As conclusões dos especialistas são inequívocas —foi um ataque direto”, disse o serviço de segurança estatal da Ucrânia em comunicado no Telegram. Imagens do bombardeio mostram um míssil voando em uma trajetória íngreme, em alta velocidade, em direção ao terreno do hospital.

“A análise das imagens de vídeo e uma avaliação feita no local do incidente indicam uma alta probabilidade de que o hospital infantil tenha sofrido um impacto direto em vez de receber danos devido a um sistema de armas interceptado”, afirmou Danielle Bell, chefe da missão de monitoramento de direitos humanos da ONU na Ucrânia, em uma entrevista coletiva em Genebra nesta terça.

O papa Francisco reagiu, também nesta terça, aos ataques em Kiev e na Faixa de Gaza —onde uma ofensiva israelense contra uma escola que servia de abrigo deixou 16 mortos no sábado (6).

“O Santo Padre soube com grande tristeza das notícias sobre os ataques contra dois centros médicos em Kiev, incluindo o maior hospital infantil da Ucrânia, bem como contra uma escola em Gaza. O papa expressa sua profunda angústia pelo aumento da violência”, disse o Vaticano em um comunicado.

Após o ataque, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que o país responderá aos bombardeios russos, cobrou posicionamento de aliados e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). O órgão atendeu ao requerimento após Reino Unido, França, Equador, Eslovênia e Estados Unidos o reforçarem, e se reunirá também nesta terça.

Ainda na segunda, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques russos por meio de seu porta-voz, e afirmou que o bombardeio a hospitais é “particularmente chocante”. “Direcionar ataques contra civis é proibido pelo direito internacional humanitário. Tais ataques são inaceitáveis e devem cessar imediatamente”, disse.

O ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, manifestou apoio à Ucrânia em publicação no X. “Fico chocado com as imagens dos bombardeios em Kiev, que também atingiram um hospital infantil. Crimes de guerra devem ser condenados por toda a comunidade internacional”, escreveu.

Os bombardeios foram classificados pela França como “atos bárbaros”; pelo Reino Unido, como um “ataque atroz”; e pelo primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, como um ato odioso.

Ao todo, 27 pessoas foram mortas, incluindo três crianças, e 82 ficaram feridas em Kiev, somando a ofensiva principal e o bombardeio realizado duas horas depois, cujos destroços atingiram um segundo hospital da capital, de acordo com os serviços de emergência.

Em Krivii Rih, cidade localizada no centro do território onde nasceu o presidente Volodimir Zelenski, a ofensiva deixou 11 mortos e 68 feridos. No leste do país, os mísseis atingiram uma área industrial na cidade de Pokrovsk e mataram três pessoas, segundo o governador da região de Donetsk.

Com Reuters

Redação / Folhapress

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