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Shaper de Medina conta segredos da prancha da Olimpíada

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Nos Jogos Olímpicos, a prancha azul de Gabriel Medina chamará a atenção dos torcedores brasileiros, que depositam no surfista uma grande esperança do bicampeonato olímpico para o país. Se Italo Ferreira foi medalha de ouro em Tóquio, agora é o atleta de Maresias que pinta como um dos favoritos.

Mas por trás desse sucesso, ou melhor, abaixo dos pés, está o grande segredo do tricampeão mundial. As pranchas são assinadas por Johnny Cabianca, o shaper que desenha os “foguetes” que Medina usa desde 2009. Cada peça leva entre 4 a 6 dias para ficar pronta, contando todo processo de produção.

“Shapear é modelar. Então, a gente pega um bloco de poliuretano feito para a prancha de surfe e vai modelando com ferramentas que nesta quinta-feira (4) em dia estão na fase de computador, tentando chegar mais próximo do que funciona para aquele atleta”, diz o profissional, que é “invisível” para o público em geral, mas fundamental para o sucesso do surfista.

Cabianca conversou com o UOL e contou como é essa parceria com o atleta, que levará 14 modelos diferentes para o Taiti. Resumidamente, ele vai gastando essa peça até chegar na concepção final. Parte é feita por máquinas, mas o ajuste fino é totalmente artesanal. Por isso que um bom shaper ganha jogo, ou melhor, ajuda a vencer baterias.

“A gente trabalha em salas de luz, com luzes laterais que mostram os contrastes para ver o desenho da prancha. Tem a fase de acabamento manual dentro da sala de shape. A gente tem uma máquina computadorizada que ajuda bastante, mas o processo ainda é 70% artesanal”, conta.

Ele tem a própria fábrica de pranchas e faz questão de participar de todas as etapas do processo, desde a concepção, a criação do desenho, a laminação até o último acabamento. A máquina de controle numérico usada é simples, com três eixos de corte (X, Y e Z). Na fabricação poderia até ser usado braços de robô, mas eles são muito caros para a indústria das pranchas e não compensaria o investimento.

“A prancha sai daqui de dentro, desde a criação do conceito do shape até o último acabamento, para a mão do atleta. Eu falo assim porque alguns shapers não têm essa proximidade com a fábrica de laminação. Eu aqui tenho o meu sistema completo”, conta Cabianca, que mora em Zarautz, na Espanha.

AZUL É A COR DO OURO

A competição de surfe nos Jogos Olímpicos será no Taiti, na Polinésia Francesa. Medina é um especialista naquela onda, já venceu algumas vezes e espera corresponder às expectativas. O brasileiro usará uma prancha azul, cor que já foi utilizada durante a etapa da WSL nas ondas de Teahupoo neste ano.

Cerca de três anos atrás ele fez uma propaganda de perfume e eu fiz umas pranchas azuis. Ele acabou gostando e eu falava que essa cor se encaixava no contexto da onda lá do Taiti. Ela fica bonita dentro do tubo, que tem um brilho diferente e tal”, afirma.

“E esse azul é uma tintura acrílica que tem na França, à base d’água. Ela é diferente e fica muito bonita na prancha. Então, casou bem. Sei que a pintura não faz o atleta surfar mais ou menos, mas é o diferencial na foto”, continua.

Assim como técnico, fisioterapeuta ou preparador físico, o shaper tem uma centralidade grande no surfe. Cabianca usa o exemplo do golfe, no qual o competidor leva até 14 tacos diferentes, lembrando que no surfe o atleta vai com 10 ou 15 pranchas para cada evento, que depende das condições do mar para suas escolhas.

“Este é um ano que ele está impressionante fisicamente e com a cabeça muito boa. As Olimpíadas terão um período de uma semana de espera de onda, e pode ter de tudo. Então já está definido o que vai ser usado. Não pode ter nenhum patrocínio, só o meu logotipo, e vai levar a bandeira do Brasil. E vão ser azuis. Vai ficar bonito”, conclui.

PAULO FAVERO / Folhapress

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