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St. Marche tenta achar comprador enquanto prepara recuperação extrajudicial

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O grupo varejista St. Marche, dono de 31 supermercados voltados a clientes de alta renda em São Paulo, região metropolitana da capital, Santos e Campinas, está se preparando para mudar de mãos, segundo apurou a Folha com pessoas que acompanham as negociações. A empresa não comenta o assunto.

Dono também de duas lojas do Empório Santa Maria em São Paulo, e uma operação de comércio eletrônico, o grupo vem há anos enfrentando problemas financeiros, com prejuízos consecutivos. Mas uma expansão mal calculada durante a pandemia, além do investimento em um empreendimento gastronômico de luxo, teriam minado os recursos dos sócios.

Em fevereiro, o grupo obteve decisão judicial para impedir liminarmente, por 60 dias, a execução de dívidas que somam R$ 639 milhões. Um fundo administrado pelo BTG Pactual é o maior credor, com R$ 275 milhões a receber.

Em abril, a expectativa é que o St. Marche apresente um pedido de recuperação extrajudicial, negociando suas dívidas apenas com bancos, segundo pessoas a par do assunto. Esta seria uma das condições para dar andamento às negociações de venda do controle da rede. A procura de um comprador está sendo assessorada pela Vinci Partners.

“Na recuperação extrajudicial, a empresa escolhe o grupo de credores com quem vai negociar. Na recuperação judicial, isso não é possível”, diz o advogado Filipe Denki, especialista no tema.

Como potenciais interessados na compra do ativo, estariam o fundo de investimentos Pátria e o grupo gaúcho Zaffari, apurou a Folha. Questionados, o Pátria não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição, e o Zaffari disse, por meio da sua assessoria, que “a informação não procede.”

O Pátria é dono da Plurix, focada no segmento de varejo alimentar. O grupo supermercadista reúne redes regionais, que somam cerca de 180 lojas e faturamento anual da ordem de R$ 10 bilhões. No ano passado, a Plurix comprou o Grupo Amigão, dono de lojas em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em 2023, adquiriu o controle do Atakadão Atakarejo, da Bahia. Em 2022, comprou o Supermercados Avenida, do interior paulista. No seu portfólio, também estão bandeiras como Superpão, Boa Supermercados, Compre Mais, Empório Dom Olívio e Paraná Supermercados.

O St. Marche foi fundado em 2002 pelos empresários Bernardo Ouro Preto e Victor Leal. Em 2016, o fundo americano L Catterton adquiriu o controle e hoje é dono de 70% do capital da rede. Em 2021, houve uma tentativa de abrir o capital da varejista, que não foi bem-sucedida. Em 2023, o grupo de 2.300 funcionários registrou receita líquida de R$ 1,1 bilhão.

A expansão acelerada durante a pandemia pesou para o endividamento do grupo. Entre 2021 e 2023, 12 novas lojas foram inauguradas, com investimentos de R$ 120 milhões, período em que a taxa básica de juros saltou de 2% para 11,75%. Hoje a Selic está em 14,25%, o que contribui para aumentar a dívida líquida das empresas.

Em 2021, Ouro Preto e Leal deixaram a sociedade na filial brasileira do Eataly, complexo gastronômico de alto padrão, que passou a ser administrado pela South Rock Capital (antiga dona do Starbucks), e mais tarde passou às mãos do fundo Wings. O investimento no empreendimento, inaugurado em 2015, foi da ordem de R$ 40 milhões. Hoje o Eataly está em recuperação judicial, com dívidas de R$ 50 milhões.

“O Eataly também pode ter ajudado a contaminar o St Marché”, diz o consultor Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. Ele não acredita que a compra do St Marché seja a mais indicada para o Zaffari, que opera lojas maiores e tem uma maior diversidade do mix não alimentar.

“Faz mais sentido redes médias como o Festval, do Paraná, que é mais premium, ou mesmo o Mambo, de São Paulo, que vem crescendo depois de vender o atacarejo Giga para o Cencosud”, diz. Em dezembro, o Festval comprou quatro lojas do antigo Nacional em Curitiba, que eram do Carrefour.

DANIELE MADUREIRA / Folhapress

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