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Surtos de escarlatina aumentam cerca de nove vezes em SP; doença acomete crianças

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Entre janeiro e outubro de 2023, os surtos de escarlatina aumentaram cerca de nove vezes no estado de São Paulo em comparação com o mesmo período do ano passado. Não há mortes.

Foram 28 surtos no estado -um em fevereiro, um em junho, um em julho, nove em agosto, seis em setembro e dez em outubro. No mesmo intervalo, em 2022, houve três.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o único surto de escarlatina de 2021 ocorreu em maio. Em 2020, nenhum foi notificado e 2019 teve 11 surtos da doença, com prevalência em setembro e outubro.

No Brasil, apenas os surtos são de notificação compulsória, o que significa que não é possível dimensionar o número de casos. Trata-se de uma doença infectocontagiosa que acomete, em sua maioria, crianças e adolescentes, em especial na primavera.

A transmissão ocorre pela bactéria estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes), a mesma causadora da amigdalite, faringite e infecções na pele, por exemplo. A infecção ocorre através das mãos que tocaram áreas contaminadas e foram levadas ao nariz e à boca; por meio de gotículas expelidas na tosse ou espirro, ou por secreção nasal, e pelo compartilhamento de objetos.

A bactéria é suspeita de ter causado a morte de três crianças em São João del-Rei (MG) entre setembro e outubro desde ano. Febre e dor de garganta foram alguns dos sintomas.

A escarlatina costuma evoluir de forma benigna, mas pode ser grave. A bactéria compromete o estado geral da criança e a deixa abatida. Outros sintomas incluem vermelhidão no corpo, mal-estar, falta de apetite e descamação na pele. Na língua surgem caroços avermelhados e o entorno da boca pode ficar esbranquiçado.

“Quanto maior o comprometimento do estado geral, mais importante é o processo infeccioso. Em pessoas com comorbidades ou imunodeficiências a tendência é um quadro muito mais grave e disseminado. A escarlatina por si só, como tem o potencial para gravidade, sempre que acontece precisa ser avaliada pelo médico para que o tratamento seja instituído o mais precocemente possível”, orienta o infectologista pediátrico Marcelo Otsuka, vice-presidente do departamento científico da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenador do comitê de infectologia pediátrica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Não existe vacina contra a doença e o tratamento é a base de antibióticos.

De janeiro a outubro deste ano, a cidade de São Paulo confirmou 14 surtos com 80 casos no total -em julho, um surto e dois casos; em agosto, três surtos e 23 casos; em setembro, seis surtos e 34 casos; em outubro, quatro surtos e 21 casos.

No mesmo período de 2022, foram registrados três surtos com oito casos. Em 2020 e 2021 não houve ocorrências da doença.

Em Belo Horizonte (MG), os atendimentos a pacientes com escarlatina de janeiro a 16 de novembro de 2023 (872) superaram os realizados no ano inteiro de 2022 (325), segundo a prefeitura.

“O que tenho observado é algo muito diferente do que já vi na vida. Eu e meus colegas pediatras e infectologistas. Não é exclusivo do Brasil. É mundial. Na Inglaterra, em dezembro de 2022, o número de casos foi muito maior do que era esperado, segundo uma nota técnica. Não só de escarlatina, mas de doenças invasivas pelo Streptococcus pyogenes”, diz Marcio Nehab, pediatra e infectologista pediátrico do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), e membro da SBI.

De acordo com Nehab, o motivo é desconhecido, mas há hipóteses. Em uma delas, o aumento da doença seria causado por uma resposta à queda da imunidade após o período de isolamento social e uso de máscaras em razão da Covid.

Marcelo Otsuka afirma que, em curto prazo, o cenário voltará ao que era observado em 2019. O especialista chama atenção para a importância de mudança no comportamento social.

“Os vírus continuarão convivendo com a gente. Somos os principais disseminadores das doenças. Então, além da pandemia, precisamos entender que, a partir do momento que eu tenho um filho doente, com quadro respiratório, é lógico que ele não deve ir para a escola. Uma infecção sem importância para uma criança pode ser muito grave para outra”, pontua Otuka. “É preciso ter cuidado com o próximo e pensar nele de maneira mais significativa.”

PATRÍCIA PASQUINI / Folhapress

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