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Tarifas de Trump sobre automóveis podem ter impacto no setor de peças no Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar em 25% automóveis e determinados componentes praticamente não deve ter impacto sobre as exportações de carros montados pelo Brasil, mas ameaça afetar o setor de peças.

De acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o Brasil vendeu apenas US$ 6 milhões em automóveis de passageiros para os EUA em 2024. Trata-se de um valor insignificante diante dos US$ 40,3 bilhões exportados pelo país aos EUA no ano passado.

O setor de autopeças, por outro lado, é mais robusto. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,3 bilhão em autopeças e componentes para os Estados Unidos, de acordo com dados das entidades que representam o setor.

O impacto total sobre esse segmento ainda não é possível de ser calculado, uma vez que não foram publicados todos os componentes que os americanos pretendem sobretaxar. A expectativa é que isso ocorra em 3 de abril, dia em que a medida deve entrar em vigor.

A Casa Branca adiantou que, entre as autopeças que serão sobretaxadas, estarão motores, transmissões, peças do trem de força e componentes elétricos.

De acordo com um integrante do governo, há fábricas instaladas no Brasil que produzem motores e injeções eletrônicas para o mercado americano -dois produtos que devem estar no tarifaço.

“Existem mais de 250 códigos de produtos [código NCM] relativos a peças automotivas e não se sabe, neste momento, quais estariam cobertos pela medida. Vários desses produtos possuem uso dual, isto é, são usados no setor automotivo e em outros setores. Por essas razões, ainda não é possível estimar com precisão o valor das exportações que poderá ser afetado pela tarifa”, disse o Mdic em nota.

Ainda segundo o ministério, tampouco está claro pelas informações divulgadas por Washington se as tarifas de Trump abarcarão caminhões leves com capacidade de carga de até cinco toneladas -o Brasil exportou apenas US$ 1,5 milhão aos EUA desse tipo de veículo.

“O Mdic acompanha de perto os desdobramentos da decisão e aguarda informações detalhadas sobre sua implementação. O governo brasileiro segue monitorando os fluxos de comércio e avaliando eventuais impactos para a produção, exportações e importações do país, bem como possíveis medidas para mitigar efeitos adversos sobre o setor”, afirmou a pasta.

A Abipeças e o Sindipeças, entidades que representam o setor, disseram na quinta (27) ver com preocupação a tarifa adicional anunciada por Trump.

“Algumas peças automotivas também serão sobretaxadas, semanas depois, com possibilidade de aumento de itens na lista inicial. As entidades aguardam a publicação do completo teor da legislação para analisar mais detalhadamente possíveis impactos”.

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) não se manifestou.

Mesmo que a primeira lista de componentes publicada traga poucos produtos vendidos pelo Brasil aos EUA, a ordem executiva de Trump permite que ela seja ampliada se o governo americano assim achar necessário, outro dispositivo que aumenta a vulnerabilidade de sócios exportadores.

RICARDO DELLA COLETTA / Folhapress

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