Temporal causa alagamentos e quedas de árvores em Porto Alegre

SÃO PAULO, SP, PORTO ALEGRE, RS E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O temporal que atingiu Porto Alegre na tarde desta segunda-feira (31) causou alagamentos, quedas de árvores e destelhamentos na cidade.

A ventania atingiu 110 km/h na região do aeroporto Salgado Filho. Um caminhão tombou na pista de uma das pontes sobre o lago Guaíba devido à força dos ventos. De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o motorista teve ferimentos leves e foi encaminhado para atendimento.

No início da noite desta segunda, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul informava que o volume de chuva tinha sido de 60,4 milímetros na capital gaúcha.

A recepção do Hospital de Pronto Socorro, no bairro Bom Fim, foi alagada. Também houve infiltração no segundo andar, na ala da pediatria do hospital.

As estações de tratamento de água Moinhos de Vento, Menino Deus, Ilhas, São João e Belém Novo ficaram sem energia elétrica. A prefeitura informou a possibilidade de falta de água ou baixa pressão em todas as regiões da cidade.

Segundo a concessionária CEEE Equatorial, 58 mil clientes ainda estão sem luz no estado no final da tarde desta terça (1º) -o serviço foi restabelecido para outros 202 mil imóveis. Em nota encaminhada à reportagem, a CEEE Equatorial afirma que as equipes estão trabalhando de forma constante.

Segundo a empresa, as cidades mais afetadas pelo desabastecimento do serviço são Porto Alegre e Eldorado do Sul. No início da noite desta terça, 49 mil clientes seguiam sem luz na capital.

Além disso, ao menos outros 28 mil clientes chegaram a ficar sem energia na área administrada pela concessionária RGE. No final da tarde desta terça, a RGE informou à reportagem que “as equipes da empresa seguem mobilizadas para restabelecer o fornecimento em pontos isolados da área de concessão, sem volume de clientes desligados”.

Os estragos causados pelas árvores caídas podiam ser vistos em vários bairros de Porto Alegre. Na praça Cônego Marcelino, próximo ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, galhos de caíram sobre um carro estacionado, que ficou amassado.

“Estava saindo do estágio, dei de cara com o meu carro aqui e fiquei até conseguir tirar”, disse a dona do veículo, a estudante Natália Vargas, 20.

Ela e outros moradores removeram os galhos com as mãos para que ela retirasse o veículo do local. “Não quis deixar meu carro [no local], até porque estavam roubando fios elétricos ontem”, conta.

Natália afirma que a queda de galhos e árvores é recorrente na região e vizinhos cobram uma solução da prefeitura para o problema. “Já pediram bastante para podar, eles vêm e podam um pouco, mas não é o suficiente”, disse. “Está cada vez mais difícil de ter ajuda, parece que são poucas equipes para auxiliar.”

A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos a respeito da conservação e poda das árvores na tarde desta terça, mas a pasta não havia se manifestado até publicação deste texto.

A EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) registrou um bloqueio total e dois parciais do trânsito devido à queda de árvores e galhos. Quatorze cruzamentos ficaram com semáforos fora de operação durante a tarde desta segunda.

Na cidade de Canoas, na região metropolitana, houve notificação de 256 residências com telhados danificados e 62 árvores derrubadas pelo vento. Ao menos cinco postos de saúde e 35 escolas reportaram danos.

Em Eldorado do Sul, na região metropolitana, as aulas nesta terça foram suspensas. Segundo a administração municipal, ao menos 260 casas foram destelhadas pelo temporal.

Também houve registro de destelhamentos e quedas de árvores em Bom Retiro do Sul, Butiá, Cachoeirinha, Inhacorá, Minas do Leão, Nova Santa Rita e Triunfo.

O Governo do Rio Grande do Sul determinou que a Defesa Civil, a Brigada Militar, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil reforçassem as equipes nas ruas para apoiar as ações de desobstrução e assistência à população.

“Os ventos intensos e as chuvas, conforme alertado pela Defesa Civil, causaram diversos transtornos, e nossa prioridade é garantir a segurança da população e a rápida resposta às demandas mais urgentes”, disse o governador Eduardo Leite (PSDB).

De acordo com o Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, os temporais entre segunda e esta terça têm relação com a passagem de uma frente fria, provocando chuvas “com volumes pontualmente elevados sobre algumas regiões”.

Ao longo desta terça, a previsão é de chuva nas áreas das Missões, Centro, na Costa Doce, Campanha, região metropolitana de Porto Alegre e litoral norte gaúcho. Mas as chuvas devem cair com menos intensidade e volume na comparação com segunda.

CRISTINA CAMARGO, CARLOS VILLELA E CATARINA SCORTECCI / Folhapress

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