Terremoto é registrado no Líbano após Israel dizer que explodiu túnel do Hezbollah

A rede estendia-se por mais de 2 km e continha dezenas de foguetes, mísseis e drones, além de mísseis antitanque, minas e dispositivos explosivos.

Imagem: Kawnat Haju/AFP

Um terremoto de magnitude 4,1 foi registrado no sul do Líbano, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, após Israel afirmar ter destruído infraestrutura subterrânea do Hezbollah na região.

Jornalistas da agência de notícias AFP relataram uma enorme explosão que provocou tremores, enquanto o Ministério da Defesa de Israel divulgou imagens mostrando bolas de fogo após explosões em solo.

O serviço geológico americano captou o tremor de magnitude 4,1 por volta das 21h no horário local (15h em Brasília), a uma profundidade de 10 km. Segundo os relatórios do órgão, terremotos com essas características podem ser sentidos pela população nas proximidades do epicentro, mas em geral não provocam danos significativos a quaisquer estruturas.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o ministro da Defesa do país, Israel Katz, confirmaram que as Forças Armadas israelenses realizaram uma operação na colina de Ali al-Taher para destruir construções subterrâneas do grupo extremista e acrescentaram que, com isso, as tropas consolidaram uma “zona de segurança” na região.

As forças israelenses permanecerão no local para impedir que o Hezbollah, alinhado ao Irã, restabeleça sua presença e reconstrua suas capacidades, afirmaram as duas autoridades em um comunicado conjunto.

A operação acontece após ataques israelenses terem matado pelo menos nove pessoas no início desta semana, segundo o Ministério da Saúde libanês. Essas foram as mais recentes vítimas da intensificação dos bombardeios nos últimos dias, após a tomada da estratégica colina que o país buscava controlar havia meses.

A região de Ali al-Taher, situada a cerca de 15 km da fronteira com Israel, tornou-se uma das áreas mais disputadas na guerra entre Tel Aviv e o Hezbollah. Acredita-se que a facção tenha construído um centro de comando subterrâneo e depósitos de armas no local, segundo fontes de segurança libanesas que falaram à agência Reuters em julho.

A agência de notícias estatal do Líbano, NNA, informou que os militares israelenses realizaram uma explosão de grande potência na crista; tremores e o som da detonação foram sentidos em Nabatieh e nas áreas vizinhas.

Os militares israelenses afirmaram que suas forças estabeleceram “controle operacional” sobre a crista, tanto na superfície quanto no subsolo, antes de desmontar a infraestrutura. A rede estendia-se por mais de 2 km e continha dezenas de foguetes, mísseis e drones, além de mísseis antitanque, minas e dispositivos explosivos, segundo o comunicado.

O Exército afirmou que um complexo de comando central pertencente à unidade Badr do Hezbollah estava localizado dentro da infraestrutura subterrânea. O complexo abrigava centros de comando, depósitos de armas e alojamentos que permitiam aos combatentes permanecer no subsolo por longos períodos, segundo a corporação.

O grupo extremista não se pronunciou até a publicação deste texto.

Israel avançou pelo sul do Líbano e tomou várias posições estratégicas desde que o conflito eclodiu, em 2 de março. A crista tem sido um dos principais focos operacionais de Israel e situa-se dentro de uma zona de amortecimento expandida e declarada por Israel no sul do Líbano.

Um acordo mediado pelos EUA, firmado após um cessar-fogo em junho, previa a retirada gradual das forças israelenses do sul do Líbano enquanto as tropas libanesas desarmariam o Hezbollah. No entanto, o processo estagnou, com a facção recusando-se a entregar suas armas e Tel Aviv afirmando que não se retirará até que o grupo seja desarmado.

Redação / Folhapress

 

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