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Time de vôlei dos EUA sofre boicote e atrai polêmica sobre participação de pessoas transgênero em esportes

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Uma polêmica em torno de uma jogadora transgênero do time de vôlei da Universidade Estadual de San José, o Spartans, colocou o campeonato no centro de um dos debates mais acalorados dos Estados Unidos.

A equipe californiana, que perdeu no último sábado (30) para o Colorado State e encerrou sua participação na temporada da Mountain West Conference (liga universitária regional), está no noticiário desde abril, quando um site conservador publicou que o Spartans tinha uma atleta transgênero.

A jogadora em questão já havia participado de três temporadas do campeonato universitário sem que o tema viesse à tona. Nem a universidade nem o time comentaram o texto —a atleta tem direito, por lei, a ter sua vida pessoal resguardada.

Mas a notícia repercutiu na liga, e, em abril uma das capitãs do Spartans e outras nove atletas de equipes diversas entraram com uma ação na Justiça para impedir a colega trans de participar do campeonato.

O caso ecoa uma das bandeiras de campanha do presidente eleito, Donald Trump, que promete revogar uma ordem executiva do presidente Joe Biden contra a discriminação de pessoas homossexuais e transgênero nas escolas.

O republicano também afirmou repetidas vezes que baniria atletas trans de times femininos, e chegou a levar nadadoras que atuam contra a participação de pessoas transgênero em competições esportivas a um de seus comícios. O tema deve ganhar tração com o início de seu próximo mandato, em janeiro.

Segundo o New York Times, há processos do tipo instaurados em todos os 50 estados americanos. Levantamento do Movement Advancement Projectes, que defende os direitos da população LGBTQIA+, aponta que 25 unidades da federação proibiram atletas transgênero de competir em times do gênero com os quais se identificam, embora algumas leis estejam suspensas enquanto são debatidas na Justiça.

A ação que envolve a equipe californiana cita o técnico do time, Todd Kress, a universidade e a Mountain West Conference. Na semana passada, dois juízes negaram o pedido e liberaram a participação da atleta justificando que ela está protegida pela diretriz nacional sobre o tema.

O aval da Justiça, contudo, não evitou o boicote alheio. Ao menos seis partidas da liga não ocorreram por desistência dos adversários do Spartans, o que gerou manifestações nos ginásios contra e a favor da participação da atleta.

Após a dderrota no sábado, Kress afirmou em entrevista à Fox New que não “douraria a pílula”. “Nossa equipe se preparou e estava pronta para jogar cada partida de acordo com as regras estabelecidas pela Mountain West e pela NCAA [National Collegiate Athletic Association, a entidade que organiza o esporte universitário norte-americano]. Não tiramos as oportunidades de participação de ninguém”, disse.

Coautora da ação contra a colega, Brooke Slusser, uma das capitãs do time, disse que não teve o direito de opinar sobre a participação da colega e se referiu a ela como “homem”, em uma declaração de teor transfóbico.

Para outra coautora, Melissa Batie Smooths, assistente técnica do Spartans, “os esportes femininos serão para sempre alterados” com a participação de atletas trans.

Segundo o New York Times, as decisões da Justiça, por ora, têm sido majoritariamente favoráveis às atletas que têm sua participação questionada.

JULIA CHAIB / Folhapress

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