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Triângulo do sexo no Arouche tem revezamento de clientes após blocos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O hotel é, na verdade, uma sauna. Aquele bar não tem como carro-chefe seus drinks, mas um tal de “mamódromo”. No cinema, o ator é quem frequenta, e o principal aperitivo não é pipoca.

Esse é o Arouche, no centro de São Paulo, onde estão o Hotel Chilli, o Dédalos Bar e o Cine Arouche. Juntos, eles formam o triângulo de entretenimento adulto mais famoso do centro de São Paulo —ao menos entre o público LGBTQIA+— e têm sido um disputado after nesta época de Carnaval.

Após os blocos, o fluxo entre os locais é intenso. Quem sai de um, entra noutro.

Ao anoitecer do último domingo (2), quando cortejos deixavam ruas da capital, uma horda de foliões saía da praça da República e formava uma glitterizada fila na rua Bento Freitas. Rapidamente, a coisa ficou tão grande que dobrou a esquina do largo do Arouche, obstruindo a entrada de outros estabelecimentos.

O alinhamento desembocava no Dédalos. Sua fachada minimalista, toda em preto, esconde um interior luxurioso. Nele, há um labirinto no qual a finalidade é a perdição, e um “mamódromo”, projetado para apreciadores de sexo oral. A casa ainda tem um painel interativo mostrando seu próprio censo: a quantidade de versáteis, ativos e passivos presentes. Os últimos costumam ser maioria.

Neste período de carnavalesco, o bar estima um aumento de 35% no faturamento. A fila registrada na noite de domingo também havia ocorrido na quarta, na quinta-feira, na sexta e no sábado, conforme o estabelecimento, onde cabem 220 homens. Eles podem permanecer por até 24 horas no espaço –e realmente há quem tente—, mas os funcionários costumam procurar os inimigos do fim e aconselhá-los a sair.

“Haja paciência, mas vim de longe pra conhecer os bofes daí”, disse Pedro Josias, 35, enquanto aguardava para entrar no espaço. Eram 18h, e o produtor cultural estava ali havia meia hora. Morador de Porto Alegre, ele chegou a São Paulo no sábado (1º), curtiu dois blocos e, acompanhado de amigos paulistanos, partiu para o Arouche, tendo como primeira parada a Dédalos.

A jornada do gaúcho, porém, não pararia por ali. No boca a boca, ouviu sobre outros lugares que deveria visitar. Outro membro da fila contou que acabara de sair do Hotel Chilli, um prédio de três andares à beira da Santa Cecília. Apesar do nome, o endereço oferece muitos prazeres, menos uma boa noite de sono.

Há cabines privativas, suítes, duchas, além do carro-chefe, as saunas –seca e a vapor. Todos os espaços são bem escuros, sendo mais fácil se guiar pelos gemidos. O cardápio também é variado, com homens de todos os tamanhos e formas.

Dono do Chilli, Douglas Drummond é um dos mais empolgados pelo patamar alcançado pelo Arouche na folia. O complexo de entretenimento LGBT formado no largo do Arouche faz movimentar um turismo que São Paulo precisa, o turismo do entretenimento e lazer, diz ele.

Segundo o empresário, o Carnaval proporciona ao hotel mais de duas semanas de lotação. “Saindo do bloquinho ou entre um bloquinho e outro, tomar uma chuveirada aqui já virou tradição. ”

A equipe do hotel tem se desdobrado em turnos para conseguir manter excelência na prestação de serviços com tanta gente. Os 82 colaboradores diretos estão fazendo horas extras e mais computadores foram instalados para fazer o check-in e check-out.

Como no Dédalos, também foi imposto um limite para ficar hospedado: 48 horas. Nem isso diminui a espera. O site do Chilli mostra quantos homens estão lá no momento. Nenhum dia desde o pré-Carnaval registrou menos de uma centena de indivíduos. O estabelecimento possui 122 cabines e 16 suítes.

Uma saída àqueles buscando uma folia menos disputada tem sido o mais tradicional dos estabelecimentos sexuais na região, o Cine Arouche, popularmente chamado de cinemão.

Luxuosas salas desativadas no século passado deram lugar a cenários para sexo com desconhecidos. O estabelecimento tem a entrada mais barata e menos tecnologia e limpeza em comparação com a concorrência. Porém, não há um limite de permanência, o cliente fica o quanto aguentar.

Bem, mas nem todos estão felizes com a invasão promovida no Arouche. Clientes mais antigos reclamam que o local ficou caro e dizem rezar pelo fim do Carnaval e a volta da normalidade.

BRUNO LUCCA / Folhapress

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