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Trump sofreu revés no judiciário com tarifaço, Musk diz que abandonará governo e o que importa no mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Duas novelas que acompanhamos desde o início do ano ganham capítulos bombásticos: Trump sofreu revés no judiciário com tarifaço e Musk disse que abandonará o timão do Doge.

Também aqui: Azul faz a Gol comer poeira e coloca recuperação judicial na frente de fusão, Nvidia ganha a corrida da IA (de novo) e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (29).

**BYE BYE, MUSK!**

Durou 129 dias o reinado do guru da tecnologia Elon Musk na Casa Branca. Mais do que alguns esperavam, e menos do que outros. O homem mais rico do mundo deixa a liderança do Doge com algumas marcas e poucos louros.

Na visão do mercado, o afastamento de Musk de seus negócios deu ruim, e pior ainda foi o que tentou fazer no governo. A pressão de investidores de suas marcas, somada à decepção com novas medidas de Trump, esgotaram o pavio.

TEMPO É DINHEIRO

O mercado financeiro, em geral, está de mal com o bilionário. Desde janeiro, quando Trump assumiu a presidência, o dono da Tesla passou mais tempo na Casa Branca do que nos corredores das companhias que gere.

O problema: quem tenta fazer tudo, acaba não fazendo nada. Nos dois âmbitos da sua vida pública, Musk parecia estar na corda bamba.

As vendas e os preços das ações da montadora de carros elétricos modernos recuaram substancialmente, sobretudo na Europa, onde as vendas no varejo caíram 40% em relação ao ano anterior.

Ela foi ultrapassada por concorrentes como a BYD, por exemplo.

O departamento governamental não chegou perto da meta de economia que havia estabelecido e infla os resultados, segundo análise do New York Times.

TENSÃO ENTRE AMIGOS

“Decepcionado” é como Musk descreveu seus sentimentos em relação ao projeto de lei fiscal que seu chefe e aliado, Trump, está defendendo.

Detalhamos o PL que pode aumentar a dívida nacional americana em mais de US$ 3,3 trilhões (R$ 18,6 trilhões) na próxima década na edição do dia 22 de maio da newsletter.

Segundo o empresário, a “grande e bela lei” (humilde apelido dado por Trump) prejudica o trabalho que ele faz no Doge.

O LEGADO QUE FICA

O programa radical de cortes que ele empreendeu enterrou várias iniciativas de diversidade dentro do governo. O maior destaque foi a redução significativa no orçamento do Usaid, a agência de ajuda externa do país.

Ao desmantelar a entidade, que chamou de “uma organização maligna”, encerrou programas que prestavam auxílio a populações vulneráveis em todo o mundo, como pessoas que vivem com HIV no continente africano, e feriu de morte uma das ferramentas de soft power mais tradicionais dos EUA.

Não dá para saber o que vai acontecer com a agência a partir da saída dele, mas visto o alinhamento entre o empresário e o governo, é provável que as coisas permaneçam como ele deixou.

**A PAZ MUNDIAL (?)**

E se tudo o que vivemos no mercado financeiro nos últimos meses sumisse em um estalar de dedos? Ou, melhor dizendo, um bater do martelo do juiz. O mundo pode respirar aliviado com uma bandeira branca no tarifaço?

Um tribunal federal dos Estados Unidos proibiu nesta quarta-feira (28) a entrada em vigor das tarifas do “Dia do Libertação” –inventado por Donald Trump em 2 de abril.

ACABOU A BRINCADEIRA

O Tribunal de Comércio Internacional, sediado em Manhattan, decidiu que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor tarifas generalizadas sobre importações. Este foi o primeiro grande desafio legal contra as taxas.

A ação judicial foi movida pelo grupo Liberty Justice Center, uma organização sem fins lucrativos que afirma “proteger os direitos fundamentais da América”. O que quer que seja isso.

COMO ASSIM?

O caso foi baseado no fato de Trump ter usado uma lei econômica emergencial de 1977 para justificar as tarifas iniciais sobre Canadá, México e China, e as taxas “recíprocas” no restante do mundo.

A lei não especifica o uso de alíquotas como uma ferramenta disponível para que o líder as use como forma de proteger a economia americana –mas ele invocou seus poderes mesmo assim.

Quando aplicou as primeiras sanções a Canadá, México e China, disse que estava o fazendo para proteger o país do tráfico de drogas como o fentanil e da entrada ilegal de imigrantes, lembra?

1/7

O processo é um dos sete recursos judiciais de contestação às políticas tarifárias de Trump, além de contestações de 13 estados dos EUA e outros grupos de pequenas empresas.

E AGORA?

Esta briga está apenas começando. É amplamente esperado que o presidente tente recorrer da ação, e a discussão deve parar na Suprema Corte, maior instância do judiciário do país. Ou seja, não, ainda não é hora de declarar o tarifaço morto e enterrado.

“Não são juízes que não foram eleitos que vão decidir como endereçar corretamente uma emergência nacional (…) [Trump] vai usar todas as ferramentas do poder executivo para resolver esta crise”, disse Kush Desai, porta-voz da Casa Branca.

Ou seja, vem chumbo grosso por aí.

**TIRANDO DOCE DE CRIANÇA**

A Gol nem terminou de comemorar a proximidade da saída do Chapter 11, processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, e já recebeu uma baita punhalada nas costas.

A fusão entre a companhia laranja e a Azul é parte importante do ajuste de contas da primeira, mas a segunda colocou a operação na geladeira para salvar a própria pele.

Agora, é a Azul que está pedindo RJ (recuperação judicial) nos EUA, pelo mesmo mecanismo.

NEM AÍ

Ao ser perguntado sobre o futuro da união, o CEO da Azul, John Rodgerson, não quis comentar. Disse que, no momento, só mira uma solução para o problema de sua própria empresa.

“Eu quero focar no nosso futuro com essa operação agora”, é tudo o que tinha a falar sobre o assunto.

A Justiça dos EUA aprovou o plano de reestruturação financeira da Gol há nove dias.

CULPA DE QUEM?

Na conversa, ele atribui a responsabilidade do endividamento alto da Azul a fatores externos, como a pandemia, as enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado e a desvalorização do real frente ao dólar.

“Descontando a dívida, que não é culpa da Azul, a companhia é uma das mais rentáveis do mundo”.

DEVE E NÃO TEME

A companhia deve cerca de US$ 30 bilhões (R$ 2 trilhões) a uma variedade de credores.

O pré-acordo já prevê o compromisso de US$ 1,6 bilhões (R$ 9 bilhões) e a eliminação de US$ 2 bilhões em dívida (R$ 11,8 bilhões).

Todos os credores –instituições financeiras e lessores– assinaram um documento em que se comprometem a renegociar os créditos em troca de participação acionária.

“Lessor” é aquele que arrenda ou empresta algo. Neste caso, são as empresas que emprestam os aviões que a Azul usa nos voos.

PARCEIROS DE PESO

A companhia ainda anunciou que a United e a American Airlines, empresas americanas do mesmo ramo, entrarão no negócio. Segundo Rodgerson, a entrada delas só acontece depois de resolvida a recuperação financeira.

MÁ NOTÍCIA?

As ações da empresa recuaram no pregão desta quarta-feira, terminando o dia em queda de 3,74%. O movimento pode ser relacionado à exclusão do papel dos índices da B3, como o Ibovespa.

**É CAMPEÃ (DE NOVO)**

A Nvidia é o momento, não dá para negar. O quanto ele vai durar, não sabemos. Por enquanto, ela continua tranquila com a coroa de quem domina o mercado da informática para inteligência artificial.

Mais um balanço da empresa saiu nesta quarta-feira e, como tem sido nos últimos trimestres, o faturamento superou as expectativas.

Em números, o trimestre encerrado em abril:

– US$ 44,1 bilhões (R$ 250 bilhões) foi a receita;

– 69% é o aumento em relação ao ano anterior e acima das expectativas de Wall Street (US$ 43,3 bilhões);

– US$ 18,8 bilhões (R$ 106,9 bilhões) foi o lucro líquido;

– 26% foi o aumento na comparação anual.

As ações da empresa subiram 5% nas negociações pós-mercado da Nasdaq.

PROVA DE FOGO

Os números deste trimestre são observados pelo mundo todo. Eles vêm depois do embate tarifário e do embargo da venda de chips para a China, um dos maiores mercados da Nvidia –momento perfeito para testar a resiliência da big tech no cenário global.

Há muitas empresas chinesas querendo desenvolver tecnologia de ponta na IA –não se esqueça da Deepseek, caso que surpreendeu o mercado americano há alguns meses. A companhia, atenta a esta demanda, desenvolveu produtos específicos para o mercado do país asiático.

A estratégia foi para o saco quando Donald Trump implementou sanções à exportação de chips de alta tecnologia desenvolvidos nos EUA para a China.

DINHEIRO PELO RALO

A Nvidia teve uma perda de US$ 4,5 bilhões (R$ 25,6 bilhões) no trimestre como resultado dessas restrições e afirmou ter perdido US$ 2,5 bilhões (R$ 14,2 bilhões) a mais em vendas.

Sua projeção para o período atual refletiu uma perda de receita esperada de US$ 8 bilhões (R$ 45,52 bilhões) na China.

Sem concorrência? Pode até parecer que sim, mas não é o caso. Há competidoras querendo morder fatias desse mercado, que até o momento parece um pouco deserto.

As restrições de exportação ao país rival na guerra comercial podem sair pela culatra e servir de estímulo para que empresas locais desenvolvam tecnologias pares. A Huawei, por exemplo, já está firme na missão.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Novela do IOF, capítulo 50. Nesta quarta-feira, Haddad se reuniu com líderes de bancos para discutir a medida. Mais tarde, defendeu-a, dizendo que “a máquina pública ficaria em situação delicada” sem ela.

Sob nova direção. Para aguentar o tranco das tarifas e de um ambiente global desafiador, a Stellantis mudou de CEO –o novo é Antonio Filosa, que liderou a empresa na América do Sul.

É do Brasil? BYD anuncia início da produção nacional em junho, em meio a denúncias de trabalho análogo à escravidão nas obras da fábrica.

O colapso da Geração X…nos EUA complica a vida profissional com sentimento de exclusão das áreas de trabalho.

LUANA FRANZÃO / Folhapress

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