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Último dia da mostra de Brasília tem bons filmes indígenas e quilombolas

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Poético e sucinto. Cinco minutos de curta abrem o bloco final do festival. “A Fumaça e o Diamante” de Bruno Villela, Fábio Bardella e Juliana Almeida é quase um poema. Um plano sequencia de uma família yanomani no pátio da aldeia e uma única fala sobra a exploração em território demarcado. Honesto ao que se propõe, alguns minutos a mais e talvez perdesse a beleza de ser um poema.

As falas iniciais antes da exibição do curta “Vão das Almas” de Edileuza Penha de Souza e Santiago Dellape, contam que a intenção é transformá-lo em longa e o filme deixa o espectador com gostinho de quero mais.

O filme foi todo gravado no território quilombola kalunga, e conta a história de uma família local viajante que retorna para casa e se depara com o quilombo tomado por um coronel. Apesar das ameaças, decidem ficar e se deparam com o místico e com figuras lendárias como o Saci. O futuro longa beira o terror e chega a dar alguns sustos. Bem construído e redondo na sua narrativa, traz uma história interessante recheada de cultura brasileira.

“A Transformação de Canuto” de Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho é um meta filme meio documentário meio ficção que mostra como os diretores gravaram a história de Canudo, indígena da comunidade mbyá-guarani entre o Brasil e a Argentina, que se transformou em onça e morreu tragicamente.

Ficção e realidade se misturam enquanto vamos descobrindo com os diretores detalhes da vida dessa figura lendária e curiosa. O filme é uma imersão cultural e em grande parte falado em língua nativa. A opção de deixar na legenda algumas palavras originais e revelar o significado ao longo do filme, como se brincasse com o desconhecimento de parte do público, dão uma camada a mais nos mistérios do filme.

Apesar de arrancar algumas risadas, a reação mais marcante da plateia foi a aversão a algumas cenas fortes. De fechar os olhos e de se contorcer na cadeira, mostram um pássaro muito machucado, mas que se recusa a morrer em uma armadilha no mato e posteriormente tem a carne ainda crua consumida por outra ave. Essa segunda tendo um fator cômico e, ao se revelar no filme a expressão de outros indígenas, ao ver a cena, igual o da plateia, mostra não ser algo cultural.

A transformação de Canuto acontece, mas o que fica na memória é a transformação das gerações, da cultura e da aldeia, que só o tempo poderia fazer.

GABRIELA BILÓ0 / Folhapress

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