A despedida de Laura Cardoso, morta na noite desta segunda-feira (17) aos 98 anos, começou cedo nesta terça (18). O corpo da atriz foi velado na Casa Daphnis de Freitas Valle, casarão histórico onde hoje funciona uma funerária, nos arredores da avenida Paulista, com início às 8h.
Apesar de a cerimônia interna ser restrita a familiares e amigos próximos, alguns fãs prestigiaram a atriz do lado de fora da Funeral Home.
Um dos fãs que esteve presente, Jackson Valente, 49, contou que veio do Pará para visitar São Paulo e recebeu a notícia quando estava em seu hotel. “A morte de Laura nos deixa um silêncio muito grande. Ela era uma atriz completa e a sua partida é muito triste”, disse ele à reportagem.
Outro fã, Jorge Tcharketian, 74, disse que pôde acompanhar desde a carreira de Cardoso na TV Tupi, quando jovem, até seus últimos trabalhos na Globo. “Lamentavelmente, estamos perdendo nossos veteranos, mas eles servem de exemplo para as novas gerações, que também têm muito talento”, afirma.
Por volta das 11h20, Adriana Balleroni, uma das netas de Cardoso, falou à imprensa em frente ao casarão. “A Laura deixa um vazio gigante na família e na cultura, que é difícil de preencher. Mas ela tinha tanto amor pela vida, que é isso que vai nos confortar daqui para frente.”
Ela reafirmou que a avó não enfrentava nenhum problema de saúde antes de morrer. “Acho que o corpo dela cedeu ao tempo, mas a Laura, não. Ela manteve a sua essência até o fim, fazendo o que queria e não aceitando ordens da gente.”
Segundo Balleroni, a avó se manteve aberta ao trabalho até os últimos dias de sua vida, aceitando as propostas que lhe eram feitas. “Ela foi totalmente realizada. Essa é a lição que devemos tirar da vida dela. Ela sabia lidar com absolutamente tudo, as perdas, os ganhos, e sabia viver perfeitamente.”
Ela ainda diz que a atriz estava lúcida em seus últimos momentos e cercada de familiares.
Por volta de 12h40, a atriz Miriam Mehler, 90, que contracenou com Cardoso e foi amiga de longa data da artista, falou à imprensa. Mehler afirmou que, mais do que o seu talento, Cardoso era uma excelente pessoa, que só proporcionava encontros alegres.
“Ela deixa um sentimento de muita saudade, mas também de alegria, porque ela não sofreu. Ela é uma das maiores atrizes de nossos tempos. Isso ninguém pode tirar dela. Estar com ela era sempre uma felicidade. Daí vem também o seu grande reconhecimento”, disse.
Entre 2014 e 2015, as duas contracenaram na peça “A Última Sessão”. Mais recentemente, elas também participaram do filme “As Aparecidas”, de 2023.
Ao longo de suas oito décadas de carreira, Cardoso estrelou novelas como “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Explode Coração”, “Chocolate com Pimenta” e “Caminho das Índias”. No cinema, ela participou de filmes como “Terra Estrangeira”, “Através da Janela” e “O Outro Lado da Rua”, em que contracenou com Fernanda Montenegro.
Já nos palcos, a atriz colaborou com diretores como Antunes Filho, Flávio Rangel e Carlos Alberto Soffredini.
DAVI GALANTIER KRASILCHIK / Folhapress

