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Vereadora do PSOL faz representação contra Cris Monteiro por fala sobre ‘mulher branca e rica’

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A vereadora Luana Alves (PSOL) fez uma representação nesta quarta-feira (30) ao Corregedor Geral da Câmara de São Paulo contra a colega Cristina Monteiro (Novo) após fala considerada racista pela psolista durante a sessão de terça-feira (29).

Após ser interrompida por vaias de funcionários públicos que acompanhavam a sessão na galeria, a vereadora afirmou que incomodava o grupo por ser “uma mulher branca, bonita e rica”. Alguns dos manifestantes eram pardos e pretos.

“Quando vocês [vereadores de oposição] falaram, ninguém [nas galerias] se manifestou. Agora, quando vem uma mulher branca aqui falar a verdade para vocês, vocês ficam todos nervosos. Por quê? Por que uma mulher branca, bonita e rica incomoda muito vocês, mas eu estou aqui representando uma parte importante da população que me elegeu”, disse Cris Monteiro, que faz parte da base de apoio de Nunes.

A assessoria de Cris Monteiro afirmou à Folha de S.Paulo que a parlamentar lamenta a repercussão de sua fala e que em nenhum momento teve a intenção de ofender qualquer pessoa.

A declaração foi considerada racista por servidores municipais que protestavam contra a proposta do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que dividiu em duas parcelas anuais o índice de reajuste salarial dos trabalhadores, e parlamentares.

A frase provocou intensa discussão entre os vereadores, protestos do público, e a sessão foi interrompida por alguns minutos.

No retorno, a vereadora pediu desculpas e afirmou que não pretendia ofender.

O presidente da Câmara, vereador Ricardo Teixeira (União Brasil), afirmou que a fala foi analisada e que ele considerou que não houve racismo.

De acordo com a representação de Luana Alves, ao destacar sua branquitude, beleza e riqueza como elementos de superioridade e motivo de incômodo diante da fala de uma vereadora negra, a parlamentar expressa uma estrutura de poder racializada, que reforça estereótipos discriminatórios e hierarquias raciais, incitando a desvalorização do lugar de fala da mulher negra no espaço público.

“Ao se referir à vereadora negra com um comando agressivo —’cala a boca’— e em seguida destacar sua própria condição de mulher ‘branca, bonita e rica’, a parlamentar reforça os marcadores sociais de exclusão, em oposição à parlamentar negra, objetivando desqualificá-la”, afirma trecho a representação.

“Com essa afirmação a vereadora demonstra que seu ato consiste na vontade de mostrar-se que há seres humanos superiores a outros seres humanos, pois a ofensa diz respeito a um grupo de pessoas negras na sociedade, Portanto, ato racista!”, destaca.

À Folha de S.Paulo Luana afirmou que todas as vereadoras negras sentiram-se ofendidas.

“Foi muito visível ali na hora o quanto as vereadoras negras de diferentes espectros políticos se movimentaram para reagir. Inclusive, para mim, o teor racista da fala dela se comprova por aí, o quanto vereadoras negras de diferentes campos e partidos se sentiram absolutamente ofendidas”, afirma.

A representação ainda destaca que a fala de Cris Monteiro revela conteúdo discriminatório com base na cor da pele, classe e gênero, sendo “inaceitável em qualquer espaço” e Luana pede que a conduta da vereadora seja investigada e a Corregedoria da Câmara a puna.

“Fiquei muito incrédula e chateada. Agora, depois da incredulidade e chateação, o que me move é uma busca por Justiça. Ela tem que sofrer uma punição e eu vou batalhar até o fim por isso”, afirma.

FRANCISCO LIMA NETO E BRUNO LUCCA / Folhapress

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