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Vereadores de oposição discutem plebiscito para decidir futuro do Minhocão

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Vereadores de oposição à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) querem consultar a população paulistana sobre o que fazer com o elevado presidente João Goulart, o Minhocão, no centro da cidade de São Paulo.

Um projeto de lei orgânica solicitando a realização de um plebiscito sobre o tema poderá ser apresentado à Câmara, disse o vereador Toninho Vespoli (PSOL), em audiência pública realizada nesta segunda-feira (5) na Casa. Uma reunião com o prefeito e um abaixo-assinado também foram propostas encaminhadas na audiência.

O debate sobre a via elevada que corta o eixo leste-oeste da região central de São Paulo voltou à Câmara Municipal após a prefeitura ter surpreendido a cidade ao anunciar e rapidamente instalar vagas de estacionamento sob um trecho do viaduto.

A criação do bolsão de vagas foi anunciada pelo vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL), que conduziu a obra enquanto Nunes viajava pela Ásia na semana passada.

Mello justificou a medida como forma de combater o acúmulo de lixo no canteiro da avenida, que é ocupado por moradores em situação de rua com suas barracas, colchões e animais de estimação.

A rapidez entre o anúncio e a execução, em poucos dias, sem debate popular, foi um dos pontos mais criticados durante a audiência.

Vespoli diz ter dez assinaturas de vereadores para seu projeto para o plebiscito. São necessárias dezenove para que o tema seja debatido.

“Temos que discutir um projeto inteiro para o Minhocão, em vez de medidas fatiadas. Vai ser um parque em cima? Vai haver desmonte?”, disse o vereador.

“E quanto à população em situação de rua? Claro que embaixo do viaduto não é um lugar adequado para viver, mas então qual é a proposta para atender essas pessoas?”, prosseguiu Vespoli.

Antes de tomar uma medida legislativa, haverá uma tentativa de diálogo com Nunes, segundo a vereadora Marina Bragante (Rede).

“A cidade foi surpreendida por esse projeto, chamamos essas audiência porque a população do município, nem a do entorno, foi consultada”, disse ela, responsável por convocar a audiência. A prefeitura não mandou representantes para a sessão desta segunda.

Bragante disse que espera conseguir levar os pontos discutidos na audiência para uma reunião com o prefeito.

Morador há dois anos no entorno do Minhocão, o cientista político Guilherme Abraão, 35, lembrou que uma lei aprovada no município prevê a criação de um parque no Minhocão. “Vamos alargar o debate, o que queremos ali? Tem uma lei municipal para criar um parque”, disse.

Apesar de aprovada na gestão do ex-prefeito João Doria (sem partido), a lei do parque do Minhocão foi suspensa após ter sido considerada inconstitucional pela Justiça paulista.

Vereadores do PT, Nabil Bonduki e Luna Zarattini manifestaram preocupação em relação ao resultado de uma consulta popular sobre o estacionamento sob o Minhocão.

Eles comentaram que a medida adotada pelo vice-prefeito mira justamente o apoio de uma parcela da população a favor do estacionamento sob o elevado.

Luna propôs, como alternativa, um abaixo-assinado contra a instalação do estacionamento.

Durante a audiência, representantes de movimentos relacionados à assistência à população de rua e de mobilidade também criticaram a restrição de espaço para circulação de pedestres e ciclistas como forma de expulsar pessoas que vivem nas calçadas da região central.

CLAYTON CASTELANI / Folhapress

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