RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Vice de Cláudio Castro comunica mudança para o MDB e gera crise no Governo do RJ

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O vice-governador do Rio de Janeiro, Thiago Pampolha (União Brasil) instaurou uma crise na gestão Cláudio Castro (PL) ao comunicar sua decisão de se filiar ao MDB.

A mudança tem sido lida por aliados do governador como uma traição pela escolha de um partido mais próximo do governo Lula (PT) semanas depois de o STJ (Superior Tribunal de Justiça) avançar nas investigações contra Castro, filiado à sigla de Jair Bolsonaro.

Pampolha nega traição e diz ter recebido apoio na escolha do partido, embora reconheça divergência sobre o momento da definição. Ele disse que aguardará o retorno do governador de uma viagem ao exterior este mês para sacramentar a mudança e quer sua presença no ato de filiação.

A intenção de Pampolha de trocar de partido não era segredo no governo. Ele já vinha mantendo conversas com outras siglas, como o PP. O diálogo com o MDB se intensificou no início de dezembro, quando ele e o governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB), conversaram sobre o tema durante a COP-28, em Dubai.

A movimentação tem como pano de fundo a disputa ao governo. Pampolha tem a expectativa de estar no comando do Palácio Guanabara durante as eleições de 2026, tendo em vista que Castro almeja se candidatar ao Senado, o que o obrigaria a renunciar em março daquele ano.

O vice-governador, porém, teme não ter espaço no partido, que ficará nas mãos do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar —de mudança do PL para a União Brasil e visto como um potencial candidato.

Em reunião com Castro e secretários na manhã desta quarta-feira (4), Bacellar apresentou ao governador a opção de não deixar o cargo em 2026, tendo como garantia uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.

“Os deputados com quem conversei todos apoiaram a sugestão”, disse Bacellar à Folha.

A mudança também poderá ter reflexo no espaço dado ao MDB no governo. A sigla atualmente tem duas secretarias. Como Pampolha também é secretário de Ambiente e Sustentabilidade, o número subiria para três. No encontro desta manhã, Castro também foi estimulado a retirar uma pasta do MDB.

Pampolha afirmou à Folha que Castro não se opôs à escolha do partido, que também faz parte da base do governo estadual. Segundo ele, o governador questionou na conversa apenas o momento da escolha, em razão da possibilidade de criação da federação da União Brasil com o PP e o Republicanos.

O vice diz que precisava decidir no início deste ano seu destino político para que pudesse contribuir nas eleições municipais, decidindo também a vida de aliados.

“Muitos vereadores queriam saber para onde eu ia, para decidir a vida este ano. Escolhi um partido da base do Cláudio também para afinar a orientação do partido com os objetivos do nosso líder político, que é o governador”, disse.

O vice-governador afirma não existir crise no governo, mas apenas a intenção de “pessoas que querem criar atrito onde não existe”.

Pampolha se tornou vice durante as eleições, após o ex-deputado Washington Reis, do MDB, ser vetado pela Justiça Eleitoral em razão da Lei da Ficha Limpa.

Com atuação discreta, ele vinha sendo apontado por Castro como sucessor natural. Contudo, a possível pretensão de Bacellar, aliado do governador, em disputar o cargo sempre gerou dúvidas no vice sobre o real apoio para a empreitada.

O governador, por sua vez, enfrenta delicado momento político após o STJ autorizar a quebra de seus sigilos bancários, fiscais e telemáticos e buscas contra três nomes de sua confiança, entre eles o irmão de criação Vinicius Sarciá.

O caso ligou um sinal de alerta ao governador, que cancelou uma viagem marcada que faria à China, agendada para o dia 3 de janeiro. Após a visita de caráter oficial ao país asiático, Castro iria passar férias com a família nos Estados Unidos e voltaria só no fim do mês. O passeio de descanso ainda pode acontecer.

O motivo é justamente as investigações. Aliados do governador ouvidos pela Folha afirmam que a operação contra Sarciá Rocha (que é filho da madrasta de Castro) foi sentida como um golpe duro pelo governador, devido à proximidade entre os dois.

A investigação da PF apura um esquema de desvio de dinheiro de programas da assistência social do estado, entre os anos 2017 e 2020 —época em que Castro era vereador e, depois, vice-governador.

O chefe do Palácio Guanabara é investigado sob suspeita de ter recebido propina de empresários ligados aos projetos sociais, conforme apontam as delações do empresário Marcus Vinícius Azevedo da Silva, ex-assessor de Castro, e de Bruno Selem, funcionário da Servlog, empresa envolvida no esquema.

De acordo com as investigações, Sarciá é um dos operadores do desvio de verba pública. Ele e Castro negam as acusações.

No dia da operação, o governador soltou uma nota dizendo que o desdobramento do caso por meio de medidas cautelares, quatro anos depois das acusações virem à tona, mostra que “não há nada contra ele”.

ITALO NOGUEIRA / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS