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Votação de ‘lei ônibus’ na Argentina começa com confronto entre polícia e manifestantes

BUENOS AIRES, ARGENTINA, E BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) – O clima esquentou do lado de fora do Congresso Nacional da Argentina na tarde desta quarta-feira (31), ao mesmo tempo em que, no interior do prédio, deputados discutiam o pacotão de leis liberais proposto pelo presidente Javier Milei. Houve confronto entre manifestantes e forças federais de segurança, gás de pimenta e empurrões. Ao menos uma pessoa foi detida.

Movimentos sociais e de esquerda ocupavam a praça em frente ao edifício desde a manhã para protestar contra o extenso projeto que deve ser votado pelos deputados nos próximos dias. Por volta das 17h, porém, um grupo começou a ameaçar ocupar a avenida, o que vai contra o novo “protocolo antipiquetes” (bloqueio de ruas) do governo.

A fileira de policiais que cercava o prédio então avançou para impedir o fechamento da via e empurrar os manifestantes para a calçada. A certa altura, a tensão aumentou e policiais passaram a usar gás de pimenta, cassetetes e escudos para conter os presentes.

A partir daquele momento, mais pessoas foram se somando ao protesto, e a polícia se espalhou em fileiras para retirar os ativistas da rua, gerando novos focos de confusão. O líder do grupo de protesto de esquerda Polo Obrero, Eduardo Belliboni, chegou a passar mal com o gás de pimenta, e estava no chão quando foi socorrido por colegas com água. “Bateram em mim”, disse ele.

Nos primeiros dias do mandato, em dezembro, o governo de Javier Milei instituiu novo protocolo com tolerância zero contra o fechamento de vias por manifestantes, os chamados piquetes, inclusive com emprego de forças federais. O protocolo inclui também o destacamento de forças de segurança em carros e motos para romper o método de protesto utilizado por diversas organizações sociais.

A Folha de S.Paulo presenciou a detenção de pelo menos um homem, que ficou imobilizado de costas no chão por agentes federais por alguns minutos. Também avistou um policial deixar a multidão mancando, apoiando-se em colegas.

Um apoiador de Milei e um jornalista do canal LN+, do mesmo grupo do jornal La Nacion, foram agredidos por dois manifestantes. O primeiro levou um soco, e o segundo, uma cuspida, registradas em vídeos.

Outras quatro mulheres foram detidas e liberadas na manhã desta quinta (1º). Em vídeos nas redes sociais, elas contaram que não se conheciam: “Passamos 12 horas presas por cantar o hino nacional pacificamente sentadas em frente ao Congresso”, disse a militante Ivanna Bunge.

Deputados da esquerda como Myriam Bregman, ex-candidata à Presidência, saíram da sessão no Congresso e foram à rua para apoiar o protesto. “Uma manifestação tranquila e vejam no que se converteu. Por quê? Porque tinham a confirmação de que ia vir muito mais gente”, afirmou ela em meio à confusão.

Depois de cerca de duas horas, por volta das 19h, a situação se estabilizou, com os manifestantes se dividindo entre as calçadas e a praça e as ruas ocupadas por policiais e bloqueadas para carros, como tem costumado acontecer desde a criação do protocolo antipiquetes. A avenida principal em frente ao Congresso, porém, ficou liberada.

Os ativistas aplaudiam cada vez que equipes policiais deixavam o local e cantavam “eu sabia, eu sabia, que quem cuida da casta cuida é a polícia”, e “Milei, basura [lixo], você é a ditadura”.

Enquanto isso, os deputados seguiam discutindo a “lei ônibus” de Milei dentro do plenário. Uma primeira votação geral sobre o pacote é esperada para esta quinta (1º), sendo que grande parte da oposição já sinalizou apoio ao governo depois que ele perdeu cerca de 280 dos seus 664 artigos originais.

A lei foi sendo depenada aos poucos ao longo das últimas três semanas, em meio a debates em comissões, uma greve geral e intensas negociações do governo para obter o quórum necessário para a aprovação do projeto, já que o presidente conta apenas com uma pequena minoria do Congresso.

Depois, os deputados passarão a debater pontualmente mais de uma centena de pontos que foram contestados em comissões nas últimas semanas, até definirem a redação final. A expectativa é de que nessa fase haja mais discordâncias entre os blocos.

JÚLIA BARBON / Folhapress

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