Ancelotti diz ter time da estreia, mas lesão e testes deixam Brasil incerto

A equipe brasileira venceu o Egito por 2x1 no sábado (6) em último amistoso antes da estreia da Copa. Jogo serviu como teste.

Rafael Ribeiro / CBF

O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, disse após a vitória deste sábado (6) contra o Egito por 2 a 1 que já tem uma base definida para a estreia contra Marrocos, no próximo dia 13 de junho. Mas a reta final de preparação para a Copa do Mundo tem mostrado um cenário muito mais incerto do que o italiano faz parecer.

A apenas seis dias do primeiro jogo, o treinador ainda promove mudanças importantes de função, testa alternativas inesperadas e convive com lesões que embaralham o desenho que parecia consolidado ao longo do último ano.

Depois de insistir bastante em um sistema com características bastante específicas, às vésperas da Copa algumas dessas premissas começaram a mudar. E a convocação não parece ter sido construída pensando nessas alterações.

O caso mais evidente está na lateral direita. Durante meses, a ideia era utilizar um defensor com características mais conservadoras. Primeiro, Militão foi testado na função. Depois, Ibañez e Danilo apareceram como alternativas. Durante a última semana e no último amistoso, porém, Ancelotti resolveu dar uma oportunidade para Wesley, o único lateral do grupo com perfil mais ofensivo e capacidade de dar profundidade ao setor.

A questão é que a lesão do jogador mudou novamente o cenário. Sem Wesley, a seleção fica sem um lateral de apoio entre os convocados, enquanto possui dois zagueiros capazes de atuar pelo lado direito. O que parecia uma definição virou novamente uma dúvida.

As incertezas também chegaram ao meio-campo. Durante praticamente toda a preparação, Ancelotti trabalhou com apenas dois homens do setor. Agora, passou a admitir a utilização de três meio-campistas. O problema é que a lista foi montada com apenas cinco jogadores para a posição.

Destes, Casemiro e Fabinho têm características mais defensivas, atuando como primeiros volantes. Os outros três são Bruno Guimarães, Paquetá e Danilo, com funções mais próximas a de um camisa 8. Caso o treinador opte por um trio no setor com dois desses jogadores juntos, sobra apenas uma opção de reposição no banco para a mesma função. A mudança tática, portanto, esbarra na própria composição do elenco.

A defesa também passou por ajustes inesperados. Inicialmente, Bremer havia sido definido como substituto imediato de Marquinhos, enquanto Léo Pereira aparecia como reserva natural de Gabriel Magalhães pelo lado esquerdo. No último amistoso, porém, Ancelotti utilizou Ibañez naquela faixa do campo.

A mudança não é exatamente uma improvisação. Na Arábia Saudita, Ibañez já atua pelo lado esquerdo da defesa. Ainda assim, essa não era uma alternativa que vinha sendo trabalhada na seleção, o que reforça a sensação de que algumas hierarquias seguem em aberto.

No ataque, Luiz Henrique parecia ser o sucessor natural de Estêvão, mas não aproveitou a oportunidade recebida contra o Panamá. Isso abriu espaço para novas observações. Rayan ganhou minutos contra o Panamá, Endrick também foi utilizado e deixou sua marca diante do Egito.

Eles podem ser opções por ali. Endrick também pode entrar na disputa pelo comando do ataque, onde Igor Thiago foi testado, mas não conseguiu se firmar.

As movimentações de Vinicius Júnior e Raphinha ajudam a ilustrar o tamanho da busca por soluções. Vinicius já apareceu centralizado, como segundo atacante e aberto pela esquerda. Raphinha atuou pela direita, jogou por dentro e, mais recentemente, exerceu uma função quase de quarto homem de meio-campo, partindo do lado esquerdo.

As múltiplas experiências mostram um treinador disposto a adaptar o time às circunstâncias. Mas também revelam que a equipe ainda procura respostas para perguntas que normalmente estariam resolvidas a uma semana da estreia de uma Copa do Mundo.

DANILO LAVIERI E PEDRO LOPES / Folhapress

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