Casas Bahia fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários

Reestruturação reduz a presença física da varejista no país e concentra os cortes em uma única etapa.

Saulo Astini
Saulo Astini
Radialista, cinegrafista, editor audiovisual, YouTube manager e estrategista digital, com experiência em distribuição digital, streaming, produção de conteúdo e jornalista. Participação em produções e transmissões ao vivo broadcast. Atuei na direção de imagem e fotografia de produções musicais. Formação técnica em Cinema, Fotografia, Administração e Gestão de Pessoas, além de certificações em Marketing Digital, Jornalismo Digital pela Reuters Digital Journalism, Literacia em Inteligência Artificial e gestão Google Business.
Empresa também adiou a divulgação do balanço do segundo trimestre.

A Casas Bahia fechou 298 lojas e desligou cerca de 1,9 mil funcionários em uma nova etapa de seu processo de reestruturação. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (14) por um portal de notícias do segmento de economia, a ação representa uma das maiores reduções realizadas de uma só vez pela varejista.

A medida ocorre em um momento de pressão financeira para a companhia. Além disso, a empresa adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre, que estava prevista para quarta-feira (12). O balanço foi remarcado para esta sexta-feira (14), enquanto a teleconferência com analistas deve ocorrer na segunda-feira (17).

Com isso, o fechamento de lojas e os cortes de funcionários passam a fazer parte de uma estratégia mais ampla para reduzir despesas, reorganizar a operação e melhorar a situação financeira do grupo.

Casas Bahia fecha quase 300 lojas

A nova rodada de cortes chama atenção pelo tamanho. Ao todo, 298 unidades foram fechadas, número bastante superior às reduções realizadas pela companhia nos últimos períodos.

Até então, a rede vinha diminuindo sua estrutura de maneira mais gradual. Nos 12 meses encerrados em março, por exemplo, foram fechadas 26 lojas, considerando as operações das marcas Casas Bahia e Ponto.

Ao final de 2025, o grupo tinha 1.042 lojas, contra 1.064 no ano anterior e 1.078 unidades ao término de 2023.

Agora, portanto, a companhia acelera a redução da rede física em uma única operação.

Demissões atingem 1,9 mil trabalhadores

Além do fechamento das unidades, a reestruturação também provocou o desligamento de aproximadamente 1,9 mil funcionários.

A redução do quadro ocorre justamente durante uma tentativa da empresa de adequar sua estrutura ao atual cenário do varejo. Dessa forma, a companhia busca diminuir custos operacionais e concentrar recursos nas áreas consideradas mais estratégicas.

Os impactos, entretanto, não ficam restritos aos funcionários. O fechamento de centenas de lojas também altera a presença da marca em diferentes cidades brasileiras e reduz a oferta de atendimento presencial aos consumidores.

Prejuízo da Casas Bahia supera R$ 1 bilhão

O novo movimento acontece após um resultado financeiro negativo expressivo.

No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo próximo de R$ 1,1 bilhão. O resultado foi mais que o dobro da perda registrada no mesmo período do ano anterior. Em 2025, o prejuízo líquido consolidado chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões.

Apesar disso, a companhia apresentou alguns sinais positivos na operação. A receita bruta consolidada cresceu 6,4% no primeiro trimestre, alcançando R$ 8,8 bilhões.

O desempenho, contudo, foi diferente entre os canais de venda. Enquanto as vendas digitais de produtos próprios avançaram 26%, as vendas realizadas nas lojas físicas recuaram 1,8%.

Esse contraste ajuda a explicar a mudança de estratégia da varejista, que busca fortalecer os canais digitais enquanto reduz parte da estrutura presencial.

Casas Bahia: Reestruturação financeira das vem desde 2023

A Casas Bahia enfrenta um processo de reorganização operacional e financeira desde 2023.

No ano seguinte, a empresa utilizou uma recuperação extrajudicial para renegociar dívidas e ampliar os prazos de pagamento. A operação envolveu aproximadamente R$ 4 bilhões em obrigações.

Posteriormente, a companhia também avançou em negociações para converter parte das obrigações em capital e reorganizar seu endividamento.

Embora essas medidas tenham contribuído para a redução da dívida líquida, as despesas financeiras continuam pressionando o resultado da empresa.

Por que a Casas Bahia está fechando lojas?

A redução da rede física está relacionada principalmente à tentativa de diminuir custos e tornar a operação mais eficiente.

Ao mesmo tempo, os resultados mostram uma mudança no comportamento das vendas. O comércio digital ganhou espaço no primeiro trimestre, enquanto o desempenho das lojas físicas apresentou queda.

Por isso, a companhia vem ajustando sua estrutura para priorizar operações com maior potencial de retorno.

Além disso, a varejista trabalha para melhorar seu ciclo financeiro. Entre as medidas estão negociações de prazos com fornecedores e ajustes nos pagamentos relacionados ao marketplace.

O que acontece agora?

A nova rodada de fechamento representa uma mudança significativa na estratégia da Casas Bahia. Em vez de realizar pequenos ajustes ao longo do tempo, a companhia concentrou uma parcela importante da redução de sua estrutura em uma única etapa.

Ao mesmo tempo, o adiamento da divulgação do balanço do segundo trimestre mostra que a empresa ainda está organizando os detalhes do processo de reestruturação.

Assim, os próximos resultados financeiros devem ajudar a mostrar os efeitos dos cortes sobre as despesas, a operação e o desempenho da varejista.

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