A incontinência urinária atinge principalmente pessoas acima dos 40 anos, sendo 45% das mulheres e 15% dos homens, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Urologia.
O problema se caracteriza pela perda involuntária da urina pela uretra e associada ou envelhecimento. De acordo com o médico Egídio Dorea, coordenador do Programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, a incontinência não deve ser tratada como consequência comum ao envelheciemento, mas sim como alga a ser investigado.
Para o médico, existem quatro tipos principais de incontinência urinária:
- Incontinência de esforço (perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou ao praticar alguma atividade física);
- Incontinência de urgência, também conhecida como bexiga hiperativa (vontade súbita e intensa de urinar, mal dando tempo de se chegar ao banheiro);
- Incontinência mista (une os sintomas de esforço e urgência);
- Incontinência por transbordamento ou funcional (associada ao esvaziamento incompleto da bexiga ou a dificuldades gerais de mobilidade do idoso).
Independentemente da classificação, a disfunção, além do impacto físico, dá origem a consequências emocionais e sociais. Ela pode gerar vergonha, baixa autoestima, ansiedade e depressão.
O convívio social é severamente afetado, e o idoso passa a evitar reuniões familiares e atividades fora de casa por medo de sofrer constrangimentos.
Dorea afirma ainda que podem ocorrer prejuízos na qualidade do sono por conta da noctúria, despertar constante à noite para urinar, e um aumento real no risco de quedas, infecções urinárias e lesões na pele. No final da história, o que era uma questão biológica acaba se transformando num isolamento social preocupante.
Tratamento
O surgimento desse quadro deve-se as mudanças anatômicas geradas pelo avançar da idade. Com o envelhecimento, surgem o enfraquecimento natural dos músculos do assoalho pélvico e a redução da capacidade de armazenamento da bexiga.
No caso das mulheres, a queda hormonal pós-menopausa pode agravar a situação. Outras questões prejudiciais envolvem a redução da mobilidade física, o uso de determinados medicamentos e a presença de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, problemas neurológicos e problemas de próstata nos homens.
A boa notícia é que a incontinência urinária pode ser controlada. Basta seguir as orientações médicas que incluiem o diagnóstico precoce realizado pelo geriatra, urologista ou pelo ginecologista, melhorando as changes de tratamentos eficazes.
“Geralmente começamos pelas abordagens conservadoras e não medicamentosas, que trazem ótimos resultados: os famosos exercícios de Kegel para fortalecer o assoalho pélvico, fisioterapia, treinamento da bexiga, controle na ingestão de líquidos e a redução de substâncias irritantes, como a cafeína e o álcool. Para casos específicos, existem medicamentos direcionados, técnicas cirúrgicas modernas e menos invasivas, além de suportes práticos, como absorventes para proteger a pele. Tratar a incontinência urinária é um ato de respeito com a autonomia, a dignidade e o bem-estar”, diz Dorea.


