O planeta Terra terá uma segunda lua? Veja o que dizem cientistas

A "segunda lua" da Terra é um astereoide nomeado de 2025 PN7, descoberto na primeira quinzena de agosto de 2025.

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Divulgação/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

O asteroide 2025 PN7 contorna o Sol em velocidade e trajetória quase idênticas às da Terra, criando a falsa impressão de orbitar o nosso planeta.

Descoberto na primeira quinzena de agosto de 2025 pelo observatório Pan-Starrs (sigla em inglês para Telescópio de Pesquisa Panorâmica e Sistema de Resposta Rápida, no Havaí), o objeto espacial tem diâmetro estimado de 18 a 36 metros. Essa característica inofensiva o manterá como um vizinho espacial próximo pelas próximas décadas

A nomenclatura do asteroide segue as diretrizes rigorosas do Minor Planet Center, órgão da União Astronômica Internacional que valida os registros de novos corpos celestes.

O código 2025 PN7 funciona como uma certidão de nascimento, traduzindo o exato momento de sua detecção: o ano de 2025, a primeira quinzena de agosto (representada pela letra P) e a ordem cronológica de descoberta (N7). Essa será a identidade oficial e universal da rocha até que sua órbita seja mapeada exaustivamente ao longo de anos e ela receba um nome definitivo. 

A medida de 36 metros refere-se ao diâmetro máximo do objeto. Na prática, essa é a distância de ponta a ponta na parte mais larga da rocha, um tamanho equiparável a um prédio de até doze andares. A massa do 2025 PN7 é minúscula em proporções astronômicas.

A pedra espacial é invisível a olho nu, não tem força gravitacional para alterar as marés oceânicas, e o risco de colisão com a superfície terrestre é inexistente. 

Especialistas classificam objetos com esse comportamento como quase-satélites, ou quase-luas.

A Lua verdadeira do planeta sofre a ação da gravidade da Terra e orbita o globo de forma direta.

O 2025 PN7, ao contrário, mantém o Sol como o centro real do seu trajeto. A confusão sobre o seu status resulta da perspectiva visual de quem observa o céu da superfície terrestre e da chamada ressonância 1:1 (uma relação matemática natural que mantém as duas órbitas sincronizadas). 

“No Sistema Solar, há diversos exemplos de corpos em ressonância 1:1, como os asteroides troianos de Júpiter, que permanecem cerca de 60° à frente ou atrás do planeta, e o anel de Pallene, cujas partículas realizam trajetórias em forma de ferradura em torno da órbita desse satélite de Saturno”, explica o pesquisador do Observatório Nacional, Gustavo Madeira.

Centros de pesquisa e observatórios utilizam redes de supercomputadores para processar o volume massivo de dados dessas trajetórias orbitais. Os cálculos revelam que o 2025 PN7 acompanha a Terra desde a década de 1960. 

A dinâmica orbital se assemelha a dois carros trafegando na mesma pista de uma rodovia, exatamente na mesma velocidade. Para quem olha pela janela do veículo, o carro vizinho parece orbitar ou estar estacionado ao lado, enquanto ambos apenas seguem a viagem juntos.

Os dados do documento original da descoberta apontam que essa viagem lado a lado é passageira. Após 2083, a rocha sofrerá um distanciamento natural, encerrando sua presença silenciosa.

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