Operação desarticula quadrilha que roubava medicamentos contra câncer e movimentou mais de R$ 33 milhões

De acordo com a polícia, o organização criminosa revendia os medicamentos para hospitais particulares e públicos de quatro estados.

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Divulgação/Polícia Civil do Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Metástase para acabar com uma organização criminosa especializada no roubo e na revenda de medicamentos oncológicos e imunossupressores.

Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026 e utilizava empresas de fachada para colocar os produtos roubados novamente no mercado.

Os policiais cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense e em endereços nos estados de São Paulo, em Santo André e São Caetamo do Sul, Goiás, em Goiânia, e Pará, em Belém. Até o momento, quatro pessoas foram presas.

A Justiça também autorizou o bloqueio de cerca de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do confisco de imóveis, veículos de luxo e outros bens que teriam sido adquiridos com dinheiro obtido através do esquema.

De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-CAP), a quadrilha participou de pelo menos 20 roubos de cargas de medicamentos nos últimos seis meses. Os remédios, de alto valor comercial, eram destinados tanto à rede pública quanto à rede privada de saúde.

As investigações apontam que, após os roubos, os medicamentos eram levados para áreas controladas pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré. No local, as cargas eram separadas, armazenadas e redistribuídas para outros estados.

Ainda segundo a Polícia Civil, o grupo contava com uma estrutura organizada, dividida em diferentes núcleos responsáveis pelos roubos, transporte, armazenamento, lavagem de dinheiro e revenda dos medicamentos. A quadrilha também utilizava cerca de 25 empresas de fachada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará para ocultar a origem dos produtos.

Os investigadores descobriram ainda que integrantes da organização aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações sobre rotas e cargas de medicamentos, facilitando a ação dos criminosos.

Segundo a polícia, parte dos remédios roubados era revendida para hospitais privados e, em alguns casos, chegava a instituições públicas de saúde por meio de licitações. Como os produtos eram oferecidos por preços abaixo do mercado, conseguiam entrar na cadeia regular de fornecimento sem levantar suspeitas.

Risco à saúde

Além do prejuízo financeiro, a Polícia Civil alerta para os riscos à saúde pública. Medicamentos oncológicos e imunossupressores precisam ser transportados e armazenados em temperaturas controladas. Quando esse processo é interrompido, os remédios podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até representar riscos aos pacientes.

O desvio dessas cargas também pode comprometer o abastecimento de hospitais e afetar diretamente o tratamento de pessoas com câncer, pacientes transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

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