A bordo do avião que o leva à Argélia, primeira parada de sua viagem à África, o papa Leão XIV comentou sobre as recentes críticas de Donald Trump, e afirmou que não tem medo do presidente dos Estados Unidos. Segundo o pontífice, seu foco permanece na mensagem do Evangelho e na promoção da paz, e não na política internacional.
“Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, pela qual a Igreja trabalha. Não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”, declarou o papa. ![]()
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Trump havia publicado na rede social Truth Social que Leão XIV seria “fraco” em política externa e deve deixar de agradar a esquerda radical. O ex-presidente também sugeriu que a eleição do pontífice teria ocorrido por ele ser estadunidense, alegando que isso facilitaria as relações com Washington, e pediu que ele seja grato.
“Não quero um papa que ache que está bem o Irã ter arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos quando estou fazendo exatamente aquilo para que fui eleito”, comentou o presidente dos EUA.
Em resposta, Leão XIV destacou que sua função não é política. “A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”, pontuou.
Na oportunidade, o pontífice também enfatizou que a mensagem de paz da Igreja não deve ser distorcida. “Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”, disse Leão XIV, acrescentando que a declaração é para todos os líderes do mundo, não apenas para Trump: “Tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”.
Durante o voo, o papa cumprimentou os cerca de 70 jornalistas que o acompanham e descreveu a viagem como uma oportunidade de “promover reconciliação e respeito pelos povos”. Até quinta-feira (23), ele visitará Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.



