Seleção enxerga Neymar em bom nível, mas uma questão ainda gera preocupação

O desafio agora é saber não apenas se ele está pronto para jogar, mas como seu corpo responderá quando o primeiro choque acontecer

Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A expectativa pela volta de Neymar à seleção brasileira está cada vez mais próxima de se concretizar. Depois de mais de um mês sem atuar, o camisa 10 pode aparecer pela primeira vez na Copa do Mundo na partida contra a Escócia, na próxima quarta-feira, em Miami. Internamente, a avaliação é positiva sobre sua evolução física e técnica, mas ainda existe uma preocupação relevante: como o atacante reagirá ao contato de jogo.

Neymar não entra em campo desde 17 de maio e vem sendo reintegrado de forma gradual aos treinamentos. Nos últimos dias, participou de duas atividades em tempo integral com o grupo, um sinal considerado importante pela comissão técnica. Ainda assim, a possibilidade de utilização é cercada de cuidados.

A tendência é que, se for relacionado, ele comece no banco de reservas. O planejamento atual prevê uma participação limitada a cerca de 20 minutos, sempre condicionada ao andamento da partida e à resposta física apresentada nos dias anteriores ao confronto.

O cenário exige cautela porque a seleção considera que Neymar ainda está em uma fase delicada de retorno. O jogador acumulou problemas físicos ao longo do ciclo da Copa e, aos 34 anos, demanda um controle maior de carga do que em fases anteriores da carreira.

Dentro da comissão técnica, a percepção é que o atacante já demonstra um nível competitivo satisfatório nos treinamentos. O que ainda gera dúvidas não é a qualidade técnica ou a capacidade de decidir partidas, mas a reação do corpo em uma situação real de jogo.

O receio passa especialmente pelo estilo de Neymar. Historicamente, ele é um atleta que recebe muitas faltas e sofre constantes pancadas por atuar em zonas congestionadas do campo e por ter grande capacidade de drible. Uma entrada mais dura da Escócia, por exemplo, pode representar um teste importante para medir como seu organismo responde depois de um período afastado.

A cautela se justifica também pelo contexto da competição. O Brasil precisa vencer para encaminhar a classificação em primeiro lugar do grupo. Dependendo dos resultados, a equipe pode até precisar construir saldo de gols para evitar depender do resultado entre Marrocos e Haiti.

Terminar na liderança não significa apenas um cruzamento teoricamente mais favorável nas oitavas de final. A posição também garante uma logística muito mais confortável para a sequência do Mundial. Nesse cenário, a seleção permaneceria baseada em Nova Jersey. Caso avance em segundo lugar, passaria a viajar constantemente entre diferentes cidades dos Estados Unidos, transformando-se em uma seleção itinerante justamente na fase decisiva da Copa.

Por isso, a comissão técnica tenta equilibrar a necessidade de vitória com a preservação de um de seus principais jogadores. A presença de Neymar contra a Escócia é vista como uma possibilidade real. O desafio agora é saber não apenas se ele está pronto para jogar, mas como seu corpo responderá quando o primeiro choque acontecer.

DANILO LAVIERI, PEDRO LOPES E THIAGO RABELO / Folhapress

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