Calor intenso pode afetar jogos da Copa do Mundo 2026, alerta ONU

Pesquisa aponta temperaturas acima do indicado para pratica de atividades físicas para 26 jogos, sendo nove deles em locais sem refrigeração

Divulgação/FIFA

Uma pesquisa realizada pelo centro de pesquisa World Weather Attribution (WWA), que investiga até que ponto as mudanças climáticas influenciam eventos climáticos extremos específicos, afirmou que a Copa do Mundo 2026, sediada por Canadá, México e Estados Unidos, podem sofrer com o calor extremo.

De acordo com o estudo, para o torneio deste ano, que começa na quinta-feira (11) e vai até o dia 19 de julho, período de verão no hemisfério norte, a expectativa é que 26 jogos acontecem em condições de pelo menos 26°C segundo a Temperatura de Bulbo Úmido e Globo (WBTG, em sigla em inglês), um indicador de estresse térmico amplamente utilizado que combina os efeitos da temperatura, umidade, radiação solar e vento para refletir as condições térmicas experimentadas pelo corpo humano durante atividades ao ar livre. 

Dos 26 jogos que podem enfrentar calor extremo, nove serão em estádios sem refrigeração.

As diretrizes da Federação Internacional de Profissionais de Futebol (FIFPRO) indicam que quando esse indicador, WBTG, atingir 26°C ou mais, o estresse térmico se torna um risco real e, portanto, as partidas devem incluir pausas para resfriamento.

A partir de 28°C WBGT, a FIFPRO afirma que é inseguro jogar e recomenda o adiamento da partida.

Já os regulamentos da FIFA para o Copa do Mundo considera que o jogo deva ser adiado apenas com níveis superiores a 32°C.

Segundo a WWA, as temperaturas em algumas áreas mais ao sul e no interior dos EUA e do México podem chegar aos 30 °C, com potencial para períodos de calor extremo durante o dia.

Além das temperaturas, os níveis de umidade podem ser altos em algumas regiões tornando o calor mais perigoso.

“Altas temperaturas combinadas com altos níveis de umidade são potencialmente muito perigosas para o corpo humano, especialmente durante a prática de atividades físicas extenuantes, como jogar futebol profissional, afetando não apenas o desempenho, mas também podendo levar a doenças graves e insolação”, diz trecho do estudo.

Não são só os jogadores que poder ser afetados pelo calor, mas os torcedores também, principalmente, aqueles que assistiram às partidas nos eventos públicos, em áreas abertas, planejados nas cidades-sede.

Entre as principais causas apontadas na pesquisa para as mudanças climáticas e o aumento do calor intenso que atinge a América do Norte é a atividade humana.

Simon Stiell, Secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), comentou publicamente sobre os resultados da pesquisa e o risco a Copa do Mundo de 2026.

“Desde a última vez que os Estados Unidos sediaram uma Copa do Mundo, em 1994, o risco de calor perigoso dobrou. Precisamos agir mais rapidamente para proteger o esporte que amamos e todos que o assistem”, afirmou o secretário em discurso.

Cuidados

Diante do aumento dos episódios de calor extremo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a FIFA criou a iniciativa “Beat the Heat”, que recomenda ações como a ampla oferta de água potável, criação de áreas de sombra e resfriamento, monitoramento constante das condições meteorológicas e divulgação de orientações ao público sobre os riscos associados às altas temperaturas, durante o torneio.

As recomendações também destacam a importância de adaptar a realização das atividades às condições climáticas, incluindo a possibilidade de ajustar horários para períodos mais amenos do dia e adotar protocolos específicos para prevenção e atendimento de casos de estresse térmico.

Entre as medidas discutidas para competições, como a Copa do Mundo, estão pausas regulares para hidratação, ampliação dos intervalos quando necessário e disponibilização de estruturas de apoio para atletas, trabalhadores e torcedores, com o objetivo de reduzir os impactos do calor extremo sobre a saúde e a segurança de quem torce ou defende a sua seleção.

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