O pequeno Bernardo, uma criança de 3 anos, foi levado ao Hospital Madre Vannini, em Conchal, após ser picado por um escorpião enquanto brincava no quintal de casa. O laudo do IML comprovou que a demora de duas horas e a falta de aplicação das regras de emergência causaram a morte da criança.
Segundo a Polícia, o médico que atendeu Bernardo usou trâmites burocráticos desnecessários em caso de urgência, o que atrasou o atendimento da criança. Após quatro meses do caso, a investigação analisou os laudos periciais e enviou o relatório final ao Ministério Público, que vai avaliar a denúncia contra o médico, indiciado por homicídio culposo.



Relembre o caso
Bernardo de Lima Mendes, de três anos, morreu após ser picado por um escorpião enquanto brincava no quintal de casa, em Conchal-SP. Prontamente, Bernardo foi levado ao Hospital pelos pais.
Os primeiros atendimentos ao menino foram feitos no Hospital e Maternidade Madre Vannini, em Conchal. Diante da gravidade do quadro, Bernardo foi encaminhado para a Santa Casa de Araras. Ele deu entrada no hospital já em parada cardiorrespiratória. Apesar da mobilização da equipe médica, o menino não resistiu e morreu.
Segundo o pai, o menino sofreu mais de 30 paradas cardiorrespiratórias.
Investigações
Um inquérito para investigar a demora do atendimento e a falta de um soro específico para casos contra a picada de escorpiões foi aberto pelos agentes. Quase quatro meses depois, após laudos do IML e os depoimentos prestados da família e do médico que atendeu Bernardo, a Polícia enviou o relatório ao Ministério Público.
Segundo as informações dos agentes, o médico manteve Bernardo em observação apenas com analgésicos ao invés de receber o soro antiescorpiônico. O menino também deveria ter sido transferido imediatamente para um hospital referência no tratamento de casos como este, transferência que só foi concluída horas depois da picada.
Em depoimento, o médico responsável informou que desconhecia do protocolo definido para tratar de casos como este, e frisou que manteria Bernardo em observação se ele não apresentasse sintomas graves. Essa conduta foi vista pela Polícia como um risco à saúde pública.
“É revoltante ler que o cara friamente fala que não sabia de um protocolo, sabe?”, disse o pai de Bernardo.
Conclusões do relatório
A Polícia Civil concluiu que houve negligência e omissão no dever de cuidado. O relatório foi encaminhado para o Ministério Público, que vai avaliar a denúncia feita contra o médico, que foi indiciado por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).

