Caso Bernardo: relatório conclui negligência e omissão no atendimento de criança que morreu após picada de escorpião

A Polícia Civil concluiu que houve negligência e omissão no dever de cuidado. O relatório foi encaminhado para o Ministério Público, que vai avaliar a denúncia feita contra o médico

Samuel Silva
Samuel Silva
Jornalista em formação, apaixonado por esportes e audiovisual. Redator no Portal TH, Tudo Sobre Paulista e Coordenador de Mídias na Taça das Favelas Campinas!@silvasamuuel nas redes sociais!

O pequeno Bernardo, uma criança de 3 anos, foi levado ao Hospital Madre Vannini, em Conchal, após ser picado por um escorpião enquanto brincava no quintal de casa. O laudo do IML comprovou que a demora de duas horas e a falta de aplicação das regras de emergência causaram a morte da criança.

Segundo a Polícia, o médico que atendeu Bernardo usou trâmites burocráticos desnecessários em caso de urgência, o que atrasou o atendimento da criança. Após quatro meses do caso, a investigação analisou os laudos periciais e enviou o relatório final ao Ministério Público, que vai avaliar a denúncia contra o médico, indiciado por homicídio culposo.

Relembre o caso

Bernardo de Lima Mendes, de três anos, morreu após ser picado por um escorpião enquanto brincava no quintal de casa, em Conchal-SP. Prontamente, Bernardo foi levado ao Hospital pelos pais.

Os primeiros atendimentos ao menino foram feitos no Hospital e Maternidade Madre Vannini, em Conchal. Diante da gravidade do quadro, Bernardo foi encaminhado para a Santa Casa de Araras. Ele deu entrada no hospital já em parada cardiorrespiratória. Apesar da mobilização da equipe médica, o menino não resistiu e morreu.

Segundo o pai, o menino sofreu mais de 30 paradas cardiorrespiratórias.

Investigações

Um inquérito para investigar a demora do atendimento e a falta de um soro específico para casos contra a picada de escorpiões foi aberto pelos agentes. Quase quatro meses depois, após laudos do IML e os depoimentos prestados da família e do médico que atendeu Bernardo, a Polícia enviou o relatório ao Ministério Público.

Segundo as informações dos agentes, o médico manteve Bernardo em observação apenas com analgésicos ao invés de receber o soro antiescorpiônico. O menino também deveria ter sido transferido imediatamente para um hospital referência no tratamento de casos como este, transferência que só foi concluída horas depois da picada.

Em depoimento, o médico responsável informou que desconhecia do protocolo definido para tratar de casos como este, e frisou que manteria Bernardo em observação se ele não apresentasse sintomas graves. Essa conduta foi vista pela Polícia como um risco à saúde pública.

“É revoltante ler que o cara friamente fala que não sabia de um protocolo, sabe?”, disse o pai de Bernardo.

Conclusões do relatório

A Polícia Civil concluiu que houve negligência e omissão no dever de cuidado. O relatório foi encaminhado para o Ministério Público, que vai avaliar a denúncia feita contra o médico, que foi indiciado por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).

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