O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marcou, para este sábado (18), um ato de solidariedade às vítimas do ataque ao assentamento Olga Benário, em Tremembé. Duas pessoas morreram e seis ficaram feridas na ação – relembre o caso abaixo.
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O ato acontece das 9h às 12h, na Praça Geraldo Costa, localizada no Centro de Eventos da cidade do Vale do Paraíba. Segundo um porta-voz do MST, espera-se a participação de militantes de toda a região.
Intitulada de “Por Reforma Agrária, Vida e Justiça”, a mobilização, além de lembrar das vítimas do ataque, também tem o objetivo de “defender a Reforma Agrária Popular, a proteção da vida nas áreas rurais e a justiça para as famílias afetadas”.

Sobre o crime
Dois homens, um de 52 anos e outro de 28, foram mortos e outras seis pessoas ficaram feridas em um ataque ao assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), na noite de sexta-feira (10). Segundo o boletim de ocorrência, o crime aconteceu por volta das 23h.
As vítimas e testemunhas informaram a polícia que o local foi invadido por carros e motos durante a noite e as pessoas que estavam dentro dos veículos atiraram contra os moradores do assentamento.
Ainda de acordo com o boletim, as vítimas fatais são: Valdir do Nascimento de Jesus e Gleison Barbosa de Carvalho. O óbito foi constatado no Pronto Socorro de Tremembé.

Outras seis vítimas que também ficaram feridas pelos disparos, foram socorridas e levadas ao Hospital Regional de Taubaté. Até quinta-feira (16), quatro pessoas já haviam recebido alta do centro médico. Duas permaneciam internadas, sendo que, uma delas, um homem de 29 anos, se encontrava em estado grave por ter sido atingido por um disparo na cabeça.
Até a manhã de quarta-feira (15), apenas um homem havia sido detido. Ele foi identificado como Antônio Martins dos Santos Filho, conhecido na região pelo apelido “Nero do Piseiro”. À polícia, o suspeito confessou ter ido ao assentamento, mas negou ter atirado contra os moradores.
Antônio teve prisão temporária decretada e permanecerá detido por, pelo menos, 30 dias. Ele é apontado pela Polícia Civil como mentor intelectual do crime e já tinha antecedente criminal por porte ilegal de arma de fogo.

Um segundo suspeito de ter participação no crime teve a prisão decretada e está foragido da Justiça, sendo procurado pela polícia.
Um terceiro homem ainda foi preso logo após o crime por equipes da Polícia Militar por porte ilegal de arma de fogo. Contudo, até o momento, a ligação direta dele com o crime foi descartada, pois há indícios de que ele teria ido ao local para prestar socorro às vítimas.
Perícia com uso de scanner 3D e drone
A Polícia Civil realizou, na tarde de terça-feira (14), uma nova perícia no assentamento Olga Benário, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a nova perícia, realizada pela Polícia Técnico Científica, contou com um equipamento scanner que faz análise 3D da área onde ocorreu o ataque, além do uso de drones.
Apesar da ação, ainda não há uma previsão de quando o inquérito do caso deve ser concluído. A investigação é realizada pela Polícia Civil, em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo.

Carro apreendido
A Polícia Civil apreendeu, na noite de segunda-feira (13) um carro suspeito de ter sido usado no ataque a um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
De acordo com o boletim de ocorrência, o veículo apreendido foi encontrado por volta das 20h50, em um terreno baldio na rua Comandante José Renato Cursino de Moura, no bairro Parque Aeroporto, em Taubaté, cidade vizinha ao ataque.
No local, os policiais fizeram campana e chegaram a ver uma pessoa passando pelo terreno baldio. Ao perceber a presença dos agentes, o suspeito pulou o muro e fugiu. Por causa da falta de iluminação na rua, ele não foi encontrado.
A polícia científica foi acionada e recolheu digitais no veículo.




