O cantor João Lima teve prisão preventiva decretada pelo Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça da Paraíba no domingo (25), após denúncias de violência doméstica contra a médica e influenciadora Raphaella Brilhante. O juiz Bruno César Azevedo Isidro assinou a decisão, que aponta risco à ordem pública e descreve episódios de agressões físicas e ameaças. A Justiça também concedeu medida protetiva em favor da vítima, com restrições severas de contato e aproximação.
O processo registra que João Lima teria agredido Raphaella Brilhante no dia 18 de janeiro, com socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para silenciar gritos. A decisão relata que o cantor teria entregue uma faca à vítima e ordenado que ela se matasse. O texto judicial descreve ainda que, três dias depois, ele teria ido à casa da mãe da vítima e feito novas ameaças.
A decisão informa que o cantor teria ameaçado “acabar com a vida dela, caso não reatasse o relacionamento”. O documento acrescenta que ele teria afirmado que mataria a vítima e um eventual novo companheiro. Diante desse contexto, o magistrado entendeu necessária a prisão preventiva para resguardar a ordem pública.
A Justiça expediu medida protetiva que proíbe João Lima de se aproximar da esposa e de manter contato com ela ou com familiares. A determinação estabelece distância mínima de 300 metros e impede a frequência a locais específicos, como shoppings e academias. O objetivo declarado é preservar a integridade da vítima e evitar encontros.
Defesa afirma cumprimento de medidas e apresentação voluntária
A defesa de João Lima divulgou nota na qual afirma surpresa com a decretação da prisão preventiva. Os advogados sustentam que o cantor cumpriu integralmente as medidas protetivas anteriormente fixadas. A nota informa que João Lima se colocará à disposição da Justiça e se apresentará voluntariamente nas próximas horas.
Segundo o comunicado, “João Lima jamais desrespeitou as determinações judiciais e sempre se colocou à disposição para colaborar com a Justiça”. A defesa afirma confiança no esclarecimento dos fatos e reforça o compromisso com o direito de defesa.
Tio do cantor condena violência e faz apelo público
O tio de João Lima, conhecido como Mo Lima, publicou um pronunciamento nas redes sociais condenando a violência doméstica. Ele classificou a prática como crime grave e afirmou que não existe justificativa para agressões. No texto, ele escreveu que “a violência doméstica é um crime hediondo que arranca a alma das vítimas”.
Mo Lima também fez um apelo para que vítimas busquem ajuda e apoio institucional. Ele incentivou o contato com a Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, e a procura por centros de apoio, profissionais de saúde e advogados. O pronunciamento ressaltou acolhimento e reconstrução das vítimas.
Relato da vítima expõe sequência de agressões
Após divulgação do caso, veio a público um relato atribuído a Raphaella Brilhante, no qual ela descreve agressões recorrentes. No depoimento, a médica afirma que sofreu violência física, ameaças e sufocamento, além de estímulos para que atentasse contra a própria vida. O relato menciona episódios ocorridos poucos dias após o casamento.
A vítima descreveu que tentou ocultar marcas das agressões da família. O depoimento também aponta episódios de ciúmes, controle e violência sem motivo aparente, com agressões súbitas dentro de casa.
Prefeitura de Mulungu cancela show do cantor
A Prefeitura de Mulungu cancelou a apresentação de João Lima que ocorreria no sábado, durante a festa de São Sebastião, no distrito de Gravatá. A prefeita Daniela Ribeiro do Rêgo Canos emitiu nota informando o cancelamento do contrato. O setor jurídico do município respaldou a decisão diante da gravidade das acusações.
A gestão municipal decidiu pela desmarcação após a repercussão do caso e a divulgação das denúncias. Informações apontam que outros contratos do cantor também sofreram cancelamentos, embora o município tenha confirmado oficialmente apenas o evento local.



