Jornalista Carlos Monforte morre aos 77 anos

Carlos Monteforte foi um dos primeiros âncoras do telejornalismo brasileiro, ele teve carreira de quase 40 anos na Globo e marcou a história da televisão.

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Reprodução/Feevale

Morreu, nesta segunda-feira (31), o jornalista Carlos Monforte, aos 77 anos, em Brasília. A informação foi divulgada pela GloboNews e confirmada pela família à TV Globo. O jornalista lutava contra um câncer.

Monteforte foi um dos nomes históricos do telejornalismo brasileiro, construiu uma carreira de quase quatro décadas na TV Globo. Ele foi um dos primeiros âncoras da televisão brasileira e ficou marcado pela atuação na cobertura política e pelo trabalho em Brasília.

Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, em 3 de julho de 1949, Carlos Américo Aguiar Monforte começou a carreira jornalística no jornal A Tribuna, ainda durante a faculdade de Jornalismo.

Carreira na televisão

Monforte entrou na TV Globo em 1978, como repórter em São Paulo. Ao longo dos anos, passou a produzir reportagens para programas como o Jornal Nacional e o Fantástico.

Em 1982, assumiu a editoria de política do Jornal da Globo e passou a ser editor e apresentador do Bom Dia São Paulo. No ano seguinte, esteve à frente da estreia do Bom Dia Brasil, como editor-chefe e apresentador.

O jornalista permaneceu no comando do telejornal durante a década de 1980 e também participou de importantes coberturas políticas. Em 1989, apresentou entrevistas com candidatos à Presidência da República no programa Palanque Eletrônico.

Em 1992, Monforte deixou temporariamente a emissora para atuar na área de comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Dois anos depois, retornou como repórter especial em Brasília.

Em 1998, Monforte passou a integrar a equipe da GloboNews, onde apresentou o programa Espaço Aberto. Em 2000, assumiu a coordenação da emissora em Brasília e também esteve à frente de programas como Jornal das Dez, GloboNews Política e Fatos e Versões.

Ele deixou a Globo definitivamente em 2016, após quase 40 anos de trajetória na emissora.

Depois da televisão, Monforte passou a se dedicar a palestras e à produção de conteúdo sobre jornalismo. Em 2022, publicou o livro “O Papel do Jornalismo Sem Papel”, sobre as transformações provocadas pela tecnologia e pela digitalização das redações.

O site “Memória Globo“, um banco de memórias da emissora, também registra Monforte como um dos primeiros âncoras do telejornalismo brasileiro e destaca sua passagem pelo Bom Dia Brasil e pelo Jornal da Globo.

Escândalo da parabólica

A carreira de Carlos Monforte também ficou marcada pelo episódio que ficou conhecido como “escândalo da parabólica”, em 1994.

Na época, o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, aguardava uma entrevista com Monforte quando uma conversa informal entre os dois foi captada por antenas parabólicas e transmitida para telespectadores.

As declarações do ministro tiveram grande repercussão e contribuíram para sua saída do governo. Monforte, que era cunhado de Ricupero, estava no local para realizar a entrevista.

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