A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na noite de quarta-feira (13), a madrasta e a avó paterna de Douglas Kratos, 11 anos, após o menino ser encontrado morto com sinais de tortura dentro da casa onde morava com a família, no bairro Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo.
O caso foi registrado como tortura qualificada pela morte. O exame necroscópico no Instituto Médico Legal (IML) deve apontar a causa oficial do óbito.
O que a polícia apurou
O pai da criança, Chris Douglas, 52 anos, confessou em depoimento que mantinha o filho acorrentado ao pé da cama com o objetivo de impedir fugas. Ele negou ter agredido ou torturado a criança. A Polícia Militar informou que o homem admitiu a prática ainda no local, no momento do atendimento.
As duas mulheres presas — a madrasta e a avó paterna — foram levadas ao 50º Distrito Policial, responsável pela investigação. Ambas admitiram em depoimento que sabiam que o menino era mantido acorrentado.
A madrasta afirmou que convivia com Chris há cinco anos no imóvel e que, nesse período, viu o menino ser submetido ao uso de correntes “ora pelo pai, ora pela avó”. A avó, por sua vez, declarou que era o filho quem colocava a corrente na criança e negou considerar a prática uma agressão.
Os três confirmaram à polícia que as marcas nas pernas de Kratos, o menino eram provocadas pelas correntes.
Estado da vítima
O Boletim de Ocorrência descreve que o menino foi encontrado morto ao lado da cama, com hematomas pelo corpo, roxidão nas extremidades e espuma na boca. Os socorristas relataram à polícia que a criança apresentava hematomas nos braços, mãos e pernas, além de marcas provocadas por correntes.
A investigação aponta que Douglas Kratos era submetido a sofrimento físico e psicológico de forma contínua.
Provas e perícias
Peritos apreenderam correntes, celulares, computadores, tablet e cartões de memória na residência. A casa contava com câmeras de monitoramento interno, cujas imagens ainda serão analisadas.
A polícia investiga também a possibilidade de abusos sexuais contra o garoto e a condição de autismo da criança, após perícia no IML.
Entenda sobre o caso
Douglas Kratos foi encontrado morto na noite de segunda-feira (11) dentro da casa onde morava com a família. Os próprios familiares acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros, informando que o menino estava “molinho” e sem reação. Quando as equipes chegaram ao imóvel, a criança já estava morta.

