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Rostos da rua: Jesus trabalha, luta contra o crack e sonha com uma casa

Gean Carlo Campos da Silva, conhecido como Jesus, é um dos rostos da rua de Campinas. Aos 56 anos, ele trabalha fazendo serviços gerais para moradores e comerciantes, não se envolve com crime e sonha em reconstruir a vida. A reportagem conta a história dele e de outros moradores em situação de rua

Rostos da rua: Jesus trabalha, luta contra o crack e sonha com uma casa
Foto: Reprodução TH+Record

Ele é conhecido no bairro como “Jesus”. Gean Carlo Campos da Silva tem 56 anos e vive nas ruas de Campinas desde 2018. Antes, tinha emprego fixo, contas pagas em dia e a segurança de um teto. Depois de crises familiares, a rua veio primeiro. Depois, o crack.

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Diferente do que muitos imaginam, a rotina de Jesus é de muito suor. Ele faz serviços gerais para moradores e comerciantes: limpa calhas, apara grama, cuida de jardins. Por cada tarefa, ganha entre R$ 100 e R$ 150. É um dinheiro suado, usado para sobreviver e, tragicamente, para sustentar o vício. Boa parte do que ele ganha vai para a droga. Muitas vezes, sobra pouco para comida.

Jesus não se envolve com crime, não tem antecedentes criminais e prefere a solidão do trabalho informal ao convívio com quem vende drogas. Na rua, ele diz que não tem amigos. “Tem pessoas que têm famílias, mas eu sou um cara perdido. Saí de casa pra ver se eles iam dar valor. Não deu certo”, conta.

A rede de apoio de Jesus é feita de pequenos gestos de confiança. Quando chove, ele encontra abrigo em uma igreja ou em um cantinho cedido por uma clínica de pilates. Em troca, ele cuida do local. É nesse intercâmbio de favores e respeito que ele vai tocando a vida.

A família, especialmente uma irmã que mora na Cidade Judiciária, nunca o abandonou. Ela oferece apoio constante para que ele saia das ruas, mas Jesus confessa que o peso psicológico da caminhada ainda é um fardo difícil de carregar sozinho. “Minha irmã mora lá, ela me ama, mas eu não quero ir para lá do jeito que eu estou. É um laço, mas eu me envolvo com coisa que não devia”, diz.

Com saudade dos pais falecidos, Jesus segue uma peregrinação diária. Ele chega a andar 30 quilômetros por dia. Tem fé e uma esperança inabalável de que sua história ainda terá um novo capítulo.

“Meu sonho é ter uma casa. Um lugar onde eu possa ficar em paz. Se eu sair daqui, eu não volto mais. Vou ter uma vida que vou poder ajudar muitos”, afirma, com o olhar no horizonte.

Para os moradores de Campinas que o ajudam, ele não é apenas um usuário de drogas. É o Jesus, o homem das ferramentas, que entre uma calha limpa e um jardim cuidado, sonha em ter, finalmente, a vida de volta.

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