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Um terço dos lares já usa canetas emagrecedoras no Brasil, aponta especialista

Nutrólogo alerta para banalização, contrabando e necessidade de prescrição médica no uso dos medicamentos

Foto: Reprodução TH+ SBT

O uso das chamadas canetas emagrecedoras ganhou espaço no Brasil e passou a impactar o consumo, o comportamento alimentar e até o mercado, segundo entrevista exibida no programa Tambaú Debate deste sábado (18), apresentado pelo jornalista Josival Pereira. Durante a conversa, o nutrólogo Vitor Nuto explicou os efeitos, riscos e mudanças provocadas pelo avanço desses medicamentos.

O médico destacou que o alto custo inicial das medicações contribuiu para a entrada do crime organizado e para o aumento do contrabando. “Pelo fato de serem medicações caras, criou-se todos esses problemas que você acabou de citar, né? Contrabando, movimento de crime organizado”, afirmou. Ele explicou que, mesmo antes da chegada de versões mais acessíveis, consumidores já buscavam alternativas ilegais. “As pessoas dão um jeito de comprar mais barato. Então, do Paraguai principalmente”, disse. Segundo o nutrólogo, a fiscalização mais frágil em países vizinhos facilitou a entrada irregular dos produtos no Brasil.

O especialista também citou mudanças recentes nas regras sanitárias. “Uma notícia muito recente é que antes de ontem a Anvisa proibiu 100% a entrada de qualquer substância do Paraguai, porque não existe uma fiscalização lá”, afirmou. Sobre a redução de preços com a quebra de patentes, o médico apontou dois cenários. “Talvez diminua essa parte do contrabando e falsificação, que traz muito risco para a saúde dos brasileiros. Por outro ponto, vai facilitar o acesso ao uso indiscriminado da medicação”, explicou. Ele reforçou que a exigência de prescrição pode funcionar como controle. “O paciente só consegue comprar com a receita médica aqui. Então talvez isso controle”.

Durante a entrevista, o nutrólogo também destacou o impacto das canetas no comportamento alimentar da população. Ele citou pesquisas que mostram mudanças no consumo. “Um terço dos domicílios do Brasil hoje já tem alguém que está usando ou usou a caneta. E só 6% das pessoas não conhecem”, afirmou. Segundo ele, o uso dos medicamentos tem reduzido o consumo de alimentos ultraprocessados. “Mais de 50% desses domicílios relataram redução do consumo de fast food, diminuição do delivery e mudança na preferência de compra”, disse. O médico afirmou que há aumento na busca por alimentos mais saudáveis. “As pessoas começaram a comprar mais comida com proteína, comida integral e comida fitness”.

Ele também avaliou os efeitos dessa mudança no mercado. “Você vai no supermercado hoje, a sessão de produtos naturais, orgânicos, proteicos, está muito maior. Praticamente todas as marcas estão lançando versões com mais proteína”, destacou. Apesar dos possíveis benefícios, o nutrólogo alertou para o uso indiscriminado. “A gente tem que tomar cuidado com duas coisas: primeiro, com a banalização”, disse. Ele também criticou o alarmismo. “E também com o terrorismo. Tem pacientes que precisam utilizar e não querem por medo de notícias”.

Sobre a indicação médica, ele foi direto. “Existe uma indicação clara para pacientes com sobrepeso associado a doenças e para pacientes com obesidade”, explicou. Ainda segundo o especialista, o uso deve ser avaliado caso a caso. “A resposta é: depende. Depende do caso”. O nutrólogo reforçou a necessidade de acompanhamento profissional. “Tem que procurar um médico. Você só pode comprar nas farmácias com receita médica”, concluiu.

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