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10 momentos em que Carmen Miranda deixou sua marca na história do Brasil

Carmen Miranda é muito mais do que um símbolo de sucesso. Cantora, atriz e dançarina, ela se tornou um dos maiores ícones da cultura brasileira de todos os tempos e uma das artistas nacionais mais conhecidas no mundo. 

Com uma carreira que atravessou o rádio, o teatro de revista, o cinema e a televisão, a Pequena Notável – como era conhecida – alcançou uma projeção internacional inédita e, até hoje, insuperada.

Entre aplausos, polêmicas, conquistas e desafios, sua história é feita de momentos decisivos que ajudaram a moldar não apenas sua trajetória, mas também a forma como o Brasil passou a ser visto no exterior. 

Hoje, no dia do aniversário da artista, reunimos 10 desses momentos fundamentais na carreira de Carmen Miranda e na nossa história como país.

1 – O nascimento de uma estrela: de Portugal ao Rio de Janeiro

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em 1909, na cidade Marcos de Canaveses, em Portugal, e chegou ao Brasil ainda bebê, com menos de um ano. Cresceu no Rio de Janeiro, entre a Lapa e o centro da cidade, em meio à rotina da pensão administrada por sua mãe. Estudou em colégio de freiras, trabalhou em lojas e, desde cedo, sonhava em ser artista. Cantava enquanto trabalhava e alimentava o imenso desejo de subir aos palcos.

Ela ganhou o apelido de Carmen, em homenagem a uma famosa ópera francesa, e nunca mais voltou à cidade onde nasceu, que nomeou um museu municipal com seu nome. Cresceu e formou sua personalidade e caráter aqui: no Brasil.

2 – O primeiro contrato e o sucesso no rádio

Em 1928, Carmen Miranda foi apresentada a Josué de Barros, que a levou para a Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto. No ano seguinte, já gravava a sua primeira música: “Não Vá Simbora”, do próprio Josué, e – em seguida – o seu primeiro disco.

Pouco depois, iniciou sua carreira fonográfica e, em 1932, assinou um contrato de quatro anos com a rádio Mayrink Veiga, tornando-se a primeira cantora a ter vínculo fixo com uma emissora. Em um tempo em que os artistas recebiam por apresentação, esse gesto marcou uma virada histórica no rádio brasileiro.

3 – “Taí”: a canção que a transformou em fenômeno

Em 1930, Carmen Miranda gravou “Taí (Pra Você Gostar de Mim)”, de Joubert de Carvalho. A música vendeu mais de 35 mil cópias em um único ano: um recorde absoluto para a época. A partir dali, foi aclamada como a maior cantora do Brasil e consolidou-se como a principal intérprete de samba dos anos 30.

Carmen Miranda contribuiu para o enaltecimento da música e da cultura brasileira no mundo. Ela foi a primeira intérprete do samba a divulgar o gênero em âmbito internacional. Em 20 anos de carreira, deixou sua bela voz registrada em mais de 300 canções. 

4 – A consolidação no cinema brasileiro

Já consagrada no rádio, Carmen migrou naturalmente para o cinema. Participou de produções como “O Carnaval Cantado”, “A Voz do Carnaval”, “Alô, Alô, Brasil” e “Alô, Alô, Carnaval”. Sua presença magnética e sua voz fizeram dela a figura mais popular do cinema nacional. Em pouco tempo, tornou-se sinônimo de sucesso também nas telas.

5 – “O Que É Que a Baiana Tem” e o nascimento do mito

Em 1939, no filme “Banana da Terra”, Carmen Miranda apareceu pela primeira vez caracterizada como baiana, ao interpretar “O Que É Que a Baiana Tem”, de Dorival Caymmi, seu último filme no Brasil.

A imagem, que se tornaria sua marca registrada, projetou-a ainda mais internacionalmente. Ao mesmo tempo, passou a acompanhá-la pelo resto da carreira, como símbolo e, também, como estigma.

6 – A estreia na Broadway e a conquista dos Estados Unidos

Ainda em 1939, Carmen estreou na Broadway com a revista The Streets of Paris, acompanhada do Bando da Lua. A temporada foi um sucesso, com quase 300 apresentações. Sua energia, seu figurino e sua musicalidade encantaram o público americano. A Pequena Notável tornava-se, definitivamente, uma estrela internacional, levando o nome – e a cultura – do Brasil ao mundo todo.

7 – Hollywood, os musicais e a política da boa vizinhança

A partir de 1940, Carmen Miranda passou a atuar em grandes produções de Hollywood, como “Down Argentine Way” (em que interpreta a marchinha brasileira “Mamãe Eu Quero”), “Uma Noite no Rio” (em que interpreta a canção clássica “Chica Chica Boom”), “Aconteceu em Havana” e “Entre a Loura e a Morena” (em que apresentou ao mundo a canção “Aquarela do Brasil”, clássico de Ary Barroso). 

Embora os estúdios a chamassem de “Brazilian Bombshell”, seus papéis no cinema tinham uma identidade latino-americana indefinida, parte da política de boa vizinhança do presidente dos EUA com os países da América Latina. Exatamente por conta disso, os filmes eram muito populares nos Estados Unidos, mas não tão bem sucedidos como propaganda destinada à América Latina, porque faltava autenticidade regional. 

Ainda assim, o talento de Carmen Miranda se destacava: em 1941, tornou-se a primeira latino-americana a ser convidada a colocar suas mãos e pegadas no cimento do pátio do Grauman’s Chinese Theatre, em Hollywood. 

8 – As críticas, a polêmica e a afirmação da brasilidade

Acontece que a “exótica baiana” que tanto agradou aos norte-americanos, despertou polêmica e um certo desprezo entre os brasileiros, pois – com suas vestes estilizadas e o arranjo de frutas tropicais que carregava sobre a cabeça – a cantora acabou por expor ao mundo uma visão caricata e estereotipada do Brasil. 

No seu retorno ao Brasil, no ano seguinte, muitos críticos brasileiros – principalmente  de correntes avessas aos Estados Unidos – passaram a considerar Carmen Miranda americanizada demais”, alguém que negava as suas raízes. Em resposta a esses críticos, a artista apresentou um samba, composto especialmente para ela por Vicente Paiva e Luiz Peixoto: “Disseram Que Voltei Americanizada”.

Carmen se irritava quando a imprensa americana a chamava de “latino-americana” — ou até de “sul-americana”, queria ser chamada de brasileira e fazia questão de afirmar suas raízes, embora muitos acusem-na do contrário.

9 – O declínio em Hollywood e a busca por novos caminhos

A partir de 1945, com o fim da guerra, seus filmes perderam força. Carmen Miranda decidiu se libertar das limitações dos estúdios e buscar papéis diferentes, como no filme “Copacabana”, em que executava muito bem duas personagens ao mesmo tempo, mas ainda continuava com leves traços estereotipados

Nesse filme, Carmen Miranda apresenta ao mundo a icônica canção “Tico Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu e Aloysio de Miranda. Já no filme “O Príncipe Encantado” – ela aparece no cinema pela primeira vez sem os seus trajes caricatos de baiana.

Embora sua carreira cinematográfica estivesse em declínio, ela manteve-se ativa na música, na televisão e em turnês internacionais.

Certa vez, em uma entrevista, Carmen declarou: “Quando você (…) me vir com um exótico turbante comicamente enfeitado, dançando e cantando um samba no filme ‘Minha Secretária Brasileira’, isso não significa que esteja diante de uma verdadeira imagem da vida e dos costumes brasileiros. Sob esse aspecto, represento a verdade tanto quanto Gypsy Rose Lee representa o real espírito americano, ou Greta Garbo, o real espírito sueco. Sou apenas uma mulher brasileira que canta alguma coisa a respeito das cores e da beleza de sua terra. O que há de teatral nessa apresentação exprime muito pouco de meu país.”.

10 – A despedida precoce e o legado eterno

Exausta (desde o início de sua carreira americana, a artista fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda exaustiva), dependente de medicamentos e enfrentando problemas pessoais no casamento e pela impossibilidade de ter filhos, Carmen Miranda voltou ao Brasil em 1954 para cuidar da depressão e da dependência. 

Retornou aos Estados Unidos no ano seguinte mas, em agosto de 1955, morreu aos 46 anos, vítima de um ataque cardíaco. Seu velório reuniu multidões e revelou a dimensão de sua importância.

Nos anos seguintes, Carmen foi celebrada por movimentos culturais, homenageada por artistas como Caetano Veloso, ganhou museu, documentários, biografias e reconhecimento oficial como Patrimônio da Cultura Brasileira. Sua imagem atravessou décadas e continua viva na memória afetiva do país.

Entre aplausos e controvérsias, ela abriu caminhos, enfrentou estereótipos e transformou sua própria história em patrimônio cultural.

Pensar em Carmen Miranda é pensar na complexidade da nossa identidade, na força da nossa música e na capacidade que o Brasil tem de se reinventar. É impossível falar de cultura brasileira sem lembrar da Pequena Notável: a mulher que conquistou o mundo sem jamais deixar de ser, acima de tudo, brasileira.

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