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10 músicas de Lia de Itamaracá para você conhecer

Hoje é um dia muito importante para a música brasileira: a cantora, compositora, dançarina e mais importante cirandeira do nosso país, Lia de Itamaracá, completa 82 anos.

Fazemos nossa homenagem à esta gigante da nossa cultura trazendo uma lista com 10 canções para você conhecer mais sobre a obra de Lia de Itamaracá.

Lia de Itamaracá: a nossa rainha cirandeira

Nascida Maria Madalena Correia do Nascimento, na Ilha de Itamaracá – município do estado de Pernambuco, na Região Metropolitana do Recife – a dançarina, compositora e cantora de ciranda ficou conhecida como Lia de Itamaracá.

Ela recebeu o nome nos anos 1960, depois que a compositora capixaba Teca Calazans, incorporando nos versos cantados pela cirandeira: “Oh cirandeiro, cirandeiro oh, a pedra do teu anel brilha mais do que o sol”, acrescentou: “Esta ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”. 

Este é um trecho da canção “Minha Ciranda”, do compositor pernambucano Capiba, uma das mais famosas cirandas na voz de Lia de Itamaracá, gravada pela cantora em 1977.

1 – Minha Ciranda (de Capiba)

Teca Calazans foi uma das primeiras pessoas interessadas na cultura popular nordestina a descobrir o talento de Lia de Itamaracá. As duas acabaram fazendo alguns trabalhos em parceria, como o resgate de músicas em domínio público e composições.

Lia sempre morou na Ilha de Itamaracá e foi a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá

Hoje com 1,80 m de altura, Lia de Itamaracá começou ainda criança a participar de rodas de ciranda. Trabalhou por muito tempo como merendeira em uma escola da região, enquanto dedicava-se à ciranda nas horas vagas, além de cantar e compor cocos de roda e maracatus desde a infância.

Em 1977, Lia gravou seu primeiro disco, intitulado “A Rainha da Ciranda”, pelo qual recebeu apenas 20 exemplares para distribuir e nenhum centavo. Este disco já conta com a canção “Minha Ciranda” e outras canções famosas na voz de Lia, como:

2 – Eu Sou Lia (de Paulinho da Viola)

3 – Quem Me Deu Foi Lia (de Baracho)

Mais de duas décadas depois, Lia de Itamaracá foi redescoberta, quando o produtor musical Beto Hees a levou para participar do festival “Abril Pro Rock”, realizado no Recife e em Olinda, em 1998, onde fez grande sucesso e tornou-se conhecida em todo o Brasil.

A partir daí, começou a seguir carreira artística paralela ao seu ofício de merendeira. Antes disso, Lia só era famosa em Pernambuco e entre compositores e estudiosos da cultura popular nordestina. Depois do “Abril Pro Rock”, a cirandeira passou a ser convidada para participar de apresentações pelo Brasil e no exterior. 

Em 2000 – mais de 20 anos depois daquele primeiro disco independente – Lia de Itamaracá lançou o seu primeiro álbum por uma gravadora, “Eu Sou Lia”, pela Ciranda Records, cujo repertório incluía coco de raiz e loas de maracatu, além de cirandas acompanhadas por percussões e saxofone. Por ocasião do lançamento, ela apresentou-se em outras capitais e ministrou workshops.

Entre os sucessos do álbum, se destacam:

4 – Preta Cirandeira (Neres e Saúde)

5 – Janaína (Domínio Público)

6 – Lia é Lia (José Gonçalves Ramos) / Loura Morena ou Mulata (José Custódio) / Roberto Carlos (José de Lima e Silva)

7 – Chamego De Lia (Fernando Borges / Ozires) / Ciranda Do Amor (João da Guabiraba / Édson Vieira)

 – https://www.youtube.com/watch?v=cbq2-rCTJLE&list=PLDa3NaSPD_lQ0-uE3LjJUkN0aHCoiARn2&index=6

8 – Meu Cachorro Peri / Fui Pra Escola / Olê, Olá / Ajoelha, Ajoelha (todas de Domínio Público)

O disco foi distribuído na França por um selo de world music e a voz rasgante de Lia de Itamaracá chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o “transe” que o som causava no público. A partir deste momento, Lia passou a fazer turnês internacionais, recebendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.

No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no disco “Rádio Samba”, do grupo Nação Zumbi, e teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto. Críticos de música a comparam a Clementina de Jesus.

Em 2005, ela fundou o Centro Cultural Estrela de Lia, para oferecer cursos gratuitos à população da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. E, em 2008, a cirandeira lançou seu terceiro álbum “Ciranda de Ritmos”.

Lia de Itamaracá também participou de diversos filmes: 

  • O curta-metragem “Recife Frio”, em 2009, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, em que aparece cantando sua famosa ciranda “Eu Sou Lia” (composta pra ela por Paulinho da Viola) acompanhada de “Minha Ciranda” (de Capiba) e “Preta Cirandeira” (de Neres e Saúde);
  • O curta-metragem documental “Formiga Come do Que Carrega”, de Tide Gugliano, em 2013;
  • E o famoso longa “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho, em 2019. 

Ainda em 2019, Lia de Itamaracá lançou o álbum “Ciranda sem Fim”, que traz o grande sucesso em sua voz, composto pela também pernambucana Alessandra Leão; além de “Meu São Jorge”, composição de Angelita Neyde De Freitas Henrique Barreto e Severina Baracho da Silva

9 – Falta de Silêncio (Alessandra Leão)

10 – Meu São Jorge (Angelita e Severina)

E agora – em 2025 – lançou seu mais recente trabalho, em parceria com a cantora baiana Daúde: o álbum “Pelos Olhos do Mar”.

Hoje, Lia de Itamaracá é considerada Patrimônio Vivo da Cultura de Pernambuco, por sua contribuição para o desenvolvimento sociocultural do Estado de Pernambuco. 

Foi agraciada também com a Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura, e recebeu uma das maiores honrarias de toda sua trajetória artística: o título de Doutora Honoris Causa, pela Universidade Federal de Pernambuco, pelos serviços prestados à cultura de Pernambuco e do Brasil.

Viva, Lia de Itamaracá, patrimônio vivo da nossa cultura!

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