Hoje é aniversário de São Paulo! Neste 25 de janeiro, a capital paulistana completa 472 anos de existência e – para celebrar a data – selecionamos 10 gravações diferentes da música “Sampa“, homenagem antológica que Caetano Veloso fez para a Terra da Garoa, em 1978.
São Paulo: 472 anos
A história de São Paulo começa em 25 de janeiro de 1554, data considerada oficialmente o dia da sua fundação. Foi quando os padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta celebraram a primeira missa no planalto de Piratininga e fundaram o Colégio de São Paulo, com o objetivo de catequizar os povos indígenas da região.
Esse colégio se transformou, com o tempo, no núcleo de uma pequena povoação que cresceria e se tornaria a metrópole que conhecemos hoje. A vila só foi elevada à categoria de cidade em 11 de julho de 1711, quase dois séculos após sua fundação.
A escolha da data não foi aleatória: 25 de janeiro coincide com a celebração da conversão do apóstolo Paulo ao cristianismo, o que inspira o nome da cidade.
Nos primeiros séculos, São Paulo cresceu lentamente, mas teve papel central na interiorização da colonização portuguesa e nas chamadas expedições conhecidas como “bandeiras”, que exploravam o interior do país à procura de ouro e de mão de obra escravizada.
No século XIX, a cafeicultura transformou a economia paulista e impulsionou a expansão urbana da cidade, atraindo migrantes e imigrantes, especialmente europeus, que vieram trabalhar nas plantações e depois na indústria.
No século XX, São Paulo consolidou-se como o principal centro industrial, financeiro e cultural do Brasil. A chegada de migrantes de várias partes do país e do exterior moldou sua identidade multicultural e cosmopolita.
Atualmente, São Paulo é a cidade mais populosa do Brasil e uma das maiores do mundo. Segundo dados mais recentes, o município conta com cerca de 12,3 milhões de habitantes, e a região metropolitana chega a abrigar mais de 22 milhões de pessoas.
Além disso, a capital paulista é um dos principais motores econômicos da América Latina, responsável por cerca de 9,2% do PIB nacional, e um centro de negócios global que atrai eventos, convenções e investimentos internacionais.
Mesmo com sua diversidade cultural riquíssima, São Paulo enfrenta desafios típicos de grandes metrópoles: mobilidade, desigualdade social, políticas públicas urbanas e debates sobre qualidade de vida, como os relacionados à transformação de estruturas urbanas em espaço público aberto à população.

A “Sampa” de Caetano Veloso
“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas”
Quando o cantor e compositor do Recôncavo Baiano Caetano Veloso chegou em São Paulo, a cidade já tinha todas as suas belezas e um cenário cultural efervescente, mas também suas imensas desigualdades e contradições.
E foram as suas primeiras impressões sobre a cidade, que fizeram Caetano compôr uma das suas músicas mais famosas – e mais bonitas! – “Sampa”, um hino de amor à cidade e que acabou tornando-se realmente um hino paulistano.
Na canção, Caetano fala sobre quando chegou em São Paulo pela primeira vez, nos anos 60 – aos 22 anos – acompanhando a irmã Maria Bethânia, que ia estrear (e estourar!) sua carreira musical ao substituir Nara Leãono emblemático espetáculo de protesto ”Opinião”, deAugusto Boal, dividindo o palco comZé Keti e João do Vale.
A primeira impressão de Caetano Veloso sobre a cidade não foi das melhores:
“Quando eu te encarei frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto (…)
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso”.
O baiano logo se deparou com a dura realidade política e a imensa desigualdade social da cidade de São Paulo:
“Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas.”.
Mas… não demorou muito para Caetano também se apaixonar pela deselegância discreta paulistana: seu coração bateu mais forte quando cruzou o principal encontro entre avenidas da cidade (a famosa esquina das Avenidas Ipiranga e São João), mas também quando mergulhou de cabeça na cultura paulistana, conhecendo grandes artistas e movimentos da capital.
Entre eles, a cantora e compositora paulistanaRita Lee (a quem atribui justamente o título de “a mais perfeita tradução” da cidade); a poesia concretista deJorge Mautner(“Deus da Chuva e da Morte” é o primeiro romance do poeta); o escritor José Agrippino de Paula (autor do livro “Panamérica”); os movimentos de vanguarda e os modernistas Oswald de Andrade e Mário de Andrade; e o diretor Zé Celso Martinez Corrêa (do famoso Teatro Oficina, que fica no centro da cidade).
A canção foi composta para um programa de TV no aniversário de São Paulo, em 1978, quando Caetano já morava no Rio, e entrou para o seu o LP “Muito – Dentro da Estrela Azulada” do mesmo ano.
Em entrevistas, Caetano Veloso conta que o samba-canção “Ronda”, música de Paulo Vanzolini, foi inspiração para criar a composição. A canção de Paulo termina com o verso “Cena de sangue num bar da Avenida São João”, que deu origem também ao primeiro verso da música de Caetano.
É com a versão original – do autor da canção, Caetano Veloso – que começamos esta lista com diferentes gravações e interpretações da música “Sampa”, claro! E, depois dele, artistas das mais variadas épocas, origens e estilos, porque “Sampa” – como São Paulo – é universal!


