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12 versos de Djavan para pendurar num quadro

Com quase seis décadas de carreira, Djavan celebra 77 anos hoje como um símbolo de excelência artística: um compositor que equilibra inteligência, delicadeza, intuição, sofisticação, profundidade e uma sonoridade única. Um artista que honra suas raízes e a história que o constituiu. Os seus versos falam de amor, tempo, ausência, desejo, memória, ancestralidade e esperança.

Para homenagear o grande mestre da canção no dia do seu aniversário, te convidamos a revisitar sua trajetória e obra e a mergulhar em 12 versos de Djavan que – de tanta profundidade e beleza – dariam para pendurar num quadro. 

Djavan: da beira do rio ao panteão da música brasileira

Nascido em 1949, em Maceió – Alagoas – Djavan Caetano Viana construiu uma das trajetórias mais singulares da música popular brasileira. Filho de dona Virgínia, lavadeira que costumava cantar enquanto trabalhava às margens do rio, Djavan cresceu cercado por sons, ritmos e vozes que moldaram, desde cedo, sua sensibilidade musical.

Na juventude, a música dividia espaço com outra paixão: o futebol. Chegou a sonhar com uma carreira nos gramados, mas o violão falou mais alto. Em Maceió, integrou o grupo vocal Luz, Som, Dimensão, onde começou a experimentar arranjos, repertórios e possibilidades estéticas. Ainda nos anos 1970, decidiu se mudar para o Rio de Janeiro, em busca de oportunidades e expansão artística, um passo decisivo para a consolidação de sua carreira.

Na capital fluminense, viveu anos de intensa formação: cantou em bares, participou de festivais, fez jingles, integrou bandas de baile e absorveu influências que iam do samba ao jazz, do soul à música nordestina. Em 1975, chamou a atenção ao vencer o Festival Abertura com a canção “Fato Consumado”, abrindo caminho para o lançamento, no ano seguinte, de seu primeiro álbum: “A Voz, o Violão, a Música de Djavan”. O disco revelou ao país um compositor maduro, com harmonias complexas, poesia delicada e uma assinatura musical própria.

Djavan | Imagem: Divulgação

A partir daí, Djavan iniciou uma sequência de álbuns fundamentais para a história da MPB. Discos como “Djavan” (1978); “Alumbramento” (1980); “Seduzir” (1981), “Luz” (1982), “Lilás” (1984); “Novena” (1994); “Djavan ao Vivo” (1999) e “Milagreiro” (2001) consolidaram sua posição como um dos grandes arquitetos da canção brasileira. 

Foi nesse período que surgiram clássicos como “Flor de Lis”, “Meu Bem Querer”, “Açaí”, “Azul, “Samurai”, “Pétala” “Se…”, “Lilás”, “Oceano” e “Sina”; músicas que atravessam décadas sem perder frescor.

Uma obra que atravessa o tempo

A obra de Djavan também se destacou pelo diálogo com outros grandes artistas. O alagoano compôs e gravou com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Milton Nascimento e muitos outros. No cenário internacional, estabeleceu pontes com músicos como Stevie Wonder, Al Jarreau e Paco de Lucía, levando sua música para além das fronteiras brasileiras. Stevie Wonder, inclusive, gravou “Samurai” ao lado de Djavan, selando uma das parcerias mais simbólicas de sua carreira.

Ao longo de sua trajetória, Djavan também construiu uma relação profunda com a sua ancestralidade e a musicalidade africana, tanto no campo simbólico quanto estético. Em diferentes momentos de sua obra, é possível perceber a presença de ritmos, harmonias e estruturas que dialogam com matrizes do continente africano, reafirmando a ancestralidade que atravessa tantos brasileiros e a nossa cultura.

Essa conexão se tornou ainda mais explícita em projetos e viagens que aproximaram o artista de músicos africanos, especialmente em países de língua portuguesa, como Angola e Cabo Verde. Nesses encontros, Djavan reconheceu afinidades culturais, rítmicas e emocionais, incorporando novas camadas sonoras à sua obra sem jamais perder sua identidade.

Sua música também se tornou presença constante em trilhas sonoras de novelas, filmes e séries, ampliando ainda mais seu alcance popular. Ao mesmo tempo, recebeu importantes prêmios nacionais e internacionais, incluindo Grammys Latinos, homenagens e reconhecimentos por sua contribuição à cultura brasileira. 

As canções de Djavan se entrelaçam com a história dos brasileiros e estão para sempre em nossa memória afetiva como país. Hoje, selecionamos 12 versos do artista que – de tão belos e fortes – poderiam ser pendurados em um quadro!

1 – Oceano

“Enfim, de tudo o que há na terra

Não há nada em lugar nenhum

Que vá crescer sem você chegar

Longe de ti, tudo parou”

2 – Sina

“Tocarei seu nome pra poder falar de amor”

3 – Um Amor Puro

“​​O que há dentro do meu coração

Eu tenho guardado pra te dar

E todas as horas que o tempo tem pra me conceder

São tuas, até morrer”

4 – Pétala

“Por ser exato

O amor não cabe em si

Por ser encantado

O amor revela-se

Por ser amor, invade e fim”

5 – Linha do Equador

“Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria

Isso pra mim é viver”

6 – Faltando um Pedaço

“O amor é um grande laço
Um passo pr’uma armadilha
Um lobo correndo em círculo
Pra alimentar a matilha

Comparo sua chegada
Com a fuga de uma ilha
Tanto engorda, quanto mata
Feito desgosto de filha
De filha”

7 – Seduzir

“Amar é perder o tom

Nas comas da ilusão

Revelar todo sentido”

8 – Solitude

“Guerra vende armas, mantém cargos

Destrói sonhos, tudo de uma vez

Sensatez

Não tem vez”

9 – Um Amor Puro

“Aqui ou noutro lugar

Que pode ser feio ou bonito

Se nós estivermos juntos

Haverá um céu azul” 

10 – Oceano

“Vem me fazer feliz, porque eu te amo

Você deságua em mim, e eu, oceano

E esqueço que amar é quase uma dor”

11 – Faltando um Pedaço

“O amor é como um raio
Galopando em desafios
Abre fendas, cobre vales
Revolta as águas dos rios

Quem tentar seguir seu rastro
Se perderá no caminho
Na pureza de um limão
Ou na solidão do espinho”

12 – Seduzir

“Vou andar, vou voar pra ver o mundo

Nem que eu bebesse o mar

Encheria o que eu tenho de fundo”

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