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15 canetadas de Bezerra da Silva que todo brasileiro precisa ouvir

Hoje, o sambista que cantava de forma magistral e sem medo contra as injustiças sociais, sobre o abismo social das favelas, dos morros e da população marginalizada, sempre com uma pitada de humor ácido e crítico, completaria 99 anos. Sabem de quem estamos falando? Sim, ele: o eterno Bezerra da Silva.

O cantor, compositor e instrumentista pernambucano foi um dos principais expoentes do samba e no dia do seu aniversário, vamos relembrar 15 trechos de músicas suas que são verdadeiras aulas para todo o brasileiro que deveria ter o mínimo de consciência da história do seu povo e de como as desigualdade sociais nos separam.

Sua música contribuiu com a transformação da imagem das favelas: ali não tinha só bandido, em sua maioria era gente trabalhadora que merece respeito. Bezerra da Silva fazia questão de colocar nos seus discos, canções de compositores completamente desconhecidos para a época. Citava todos como grandes parceiros e grandes talentos, como forma de dar o seu recado: o morro também é lugar de gente talentosa.

Ele dizia: “Essas músicas que eu canto são de compositores que são serventes de pedreiro, camelôs, outro tá desempregado, outro limpa o carro da madame e a mulher é a cozinheira”.

Muito antes do surgimento do rap e do funk no Brasil, os principais temas das canções que Bezerra da Silva interpretava – como verdadeiras crônicas – eram a vida do povo e os problemas da sociedade e das favelas, como a exploração e a opressão sofridas pelos trabalhadores, a malandragem e os ladrões à margem da lei, a questão do uso de drogas como a maconha e a condenação à caguetagem ou delação de companheiros.

Tratando da criminalidade, da violência e da vida precária de seus moradores, com linguagem irreverente e coloquial, as letras das canções interpretadas por Bezerra da Silva evidenciam estratégias de sobrevivência dos excluídos em uma sociedade injusta e racista.

Em seus quase 50 anos de carreira, passeou por gêneros musicais como o coco e o samba – em especial de partido-alto – e vendeu mais de três milhões de discos.

Mas, mesmo ganhando 11 discos de ouro, três de platina e um de platina duplo – dentro dos seus 28 álbuns lançados – Bezerra da Silva nunca foi reconhecido o bastante pelo mainstream. Um artista consagrado pelo povo, mas não pela mídia.

Apesar da sociedade tentar excluí-lo, sua ousadia rendeu frutos e influenciou o surgimento de uma nova geração de compositores, do samba ao  hip-hop, que não se limitaram a fazer canções com letras falando das aventuras boêmias ou das desventuras do amor: as composições transformaram a visão das favelas, mostrando que o morro é lugar de  gente bonita, honesta, feliz e de talento. E isso veio de Bezerra da Silva!

10 canetadas essenciais de Bezerra da Silva

1 – E se vocês estão a fim de prender o ladrão

Podem voltar pelo mesmo caminho

O ladrão está escondido lá embaixo

Atrás da gravata e do colarinho”

“Vítimas da Sociedade” (de Bezerra da Silva e Criolo Doido, álbum “Malandro Rife”, 1985)

2 – “Dizem que eu sou malandro
Cantor de bandido e até revoltado
Somente porque canto a realidade
De um povo falido e marginalizado

Na verdade, eu sou um cronista

Que transmite o dia a dia do meu povo sofredor

Dizem que gravo música de baixo nível

Porque falo a verdade que ninguém falou

“Partideiro sem nó na Garganta” (de Franco Teixeira, Adelzonilton e Nilo Dias, álbum “Presidente Caô Caô”, 1992)

3 – “Eu assino embaixo, doutor, por minha rapaziada
Somos crioulos do morro, mas ninguém roubou nada
Isso é preconceito de cor, vou provar ao senhor

Porque é que o doutor não prende aquele careta
Que só faz mutreta e só anda de terno
Porém o seu nome não vai pro caderno
Ele anda na rua de pomba rolo

A lei só é implacável para nós, favelados
E protege o golpista
Ele tinha de ser o primeiro da lista
Se liga nessa, doutor”

“Preconceito de Cor” (de G. Martins e Naval, álbum “Justiça Social”, 1987) 

4 – “Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha bebeu cachaça
Até bagulho fumou

Jantou no meu barracão e lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi é mais um candidato
Para a próxima eleição

E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi é mais um candidato
Para a próxima eleição

É, e ele fez questão
De beber água da chuva
Foi lá no terreiro pedir ajuda
Bateu cabeça no gongá

Mas ele não se deu bem porque
O guia que estava incorporado
Disse: Esse político é safado
Cuidado na hora de votar

Também disse: Meu irmão
Se liga no que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater, podes crer”

“Candidato Caô Caô” (de Walter Meninão e Pedro Butina, álbum “Violência gera Violência”, 1988)

5 – Só porque moro no morro

A minha miséria a vocês despertou

A verdade é que vivo com fome

Nunca roubei ninguém, sou um trabalhador

Se há um assalto a banco

Como não podem prender o poderoso chefão

Aí os jornais vêm logo dizendo

Que aqui no morro só mora ladrão”

“Vítimas da Sociedade” (de Bezerra da Silva e Criolo Doido – álbum “Malandro Rife”, 1985)

6 – “E lá na central

O suburbano vem

Chacoalhando a tristeza

No balanço do trem”

“Zona Leste Somos Nós (O Poeta Falou)” (de Marco Antônio, álbum “Malandro é Malandro e Mané é Mané”, 2000)

7 – “Porque que é que ninguém mete o grampo
Num pulso daquele de colarinho branco
Roubou joia e o ouro de Serra Pelada
Somente o doutor que não sabe de nada”

“Preconceito de Cor” (de G. Martins e Naval – álbum “Justiça Social”, 1987) 

8 –Ele vai subir novamente lá no morro
Apertando mão em mão, pedindo voto de novo
A rapaziada já sabe que é o ladrão do dinheiro do povo
Toda a favela já sabe que é o ladrão do dinheiro do povo

Quando ele está em campanha
Diz que vai resolver toda situação
Depois que tá eleito adianta o seu lado
E dá aquela banana para o meu povão
Perde a credibilidade, a moral e o pudor
Tira o pão da boca das crianças
Do aposentado e do trabalhador”

“Vírus da Corrupção” (de Nilo Bahia e Zaba – álbum “Meu Samba é Duro na Queda”, 1996)

9 – “Falar a verdade é crime

Porém eu assumo o que vou dizer

Como posso ser ladrão

Se eu não tenho nem o que comer

Não tenho curso superior

Nem o meu nome eu sei assinar

Onde foi se viu um pobre favelado

Com passaporte pra poder roubar”

“Vítimas da Sociedade” (de Bezerra da Silva e Criolo Doido – álbum “Malandro Rife”, 1985)

10 – “Na eleição passada
Através do morro ele se elegeu
Nada fez pelo pobre favelado
E num boeing de luxo desapareceu
Foi comemorar a vitória em sua mansão
No Distrito Federal
Eu só fui saber que ele estava vivo
Porque saiu como corrupto no jornal

De norte a sul
De leste a oeste, meu irmão
Como tem político contaminado
Com o vírus da corrupção”

“Vírus da Corrupção” (de Nilo Bahia e Zaba – álbum “Meu Samba é Duro na Queda”, 1996)

11 – “No morro ninguém tem mansão

Nem casa de campo pra veranear

Nem iate pra passeios marítimos

E nem avião particular

Somos vítimas de uma sociedade

Famigerada e cheia de malícias

No morro ninguém tem milhões de dólares

Depositados nos bancos da suíça”

“Vítimas da Sociedade” (de Bezerra da Silva e Criolo Doido – álbum “Malandro Rife”, 1985)

12 – “Se elegeu com votos da favela
Depois mandou nela
Metê bala
Isso é que é ser canalha

Canalha, tu é um verdadeiro canalha
Canalha, tu é um verdadeiro canalha”

“O Verdadeiro Canalha” (de Jorge Mirim, Rodrigo e Sérgio Fernandes – álbum “Contra o Verdadeiro Canalha!”, 1995)

13 – “Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente
É o diabo vivo em figura de gente
É o pastor trambiqueiro enganando inocentes

Prestem bem atenção, o enredo macabro que ele arruma
Seu critério maior é falar mal da macumba
Dizendo que a ela também pertenceu
Sim, mas só não foi em frente porque o guia chefe do terreiro é à vera
Não aceitou o jogo sujo da fera que vive afim só de arrumação
Ele também não explica o porquê da mudança da água pro vinho
Só porque na umbanda não vale dinheiro
Resolveu ser crente pra roubar os irmãozinhos
Não é fé que ele tem, é simplesmente a febre do ouro
Custa caro a palavra de Deus, o pastor chega pobre e arruma tesouro”

“Pastor Trambiqueiro” (de Zaba – álbum “Partideiro da Pesada”, 1991)

14 – “Quando cabral aqui chegou
E semeou sua semente
Naturalmente começou
A lapidação do ambiente

Roubaram o ouro
Roubaram o pau, pra ficar legal
Ainda tiraram o couro
Do povo desta terra original

E só deixaram
A má semente, presente de grego
Que logo se proliferou
E originou a nossa gente

É ladrão que não acaba mais
Tem ladrão que não acaba mais
Você vê ladrão quando olha pra frente
Você vê ladrão quando olha pra trás

A terra é boa
Mas o povo continua escravizado
Os direitos são os mesmos
Desde os séculos passados

O marajá
Ele só anda engravatado
Não trabalha, não faz nada
Mas tá sempre endinheirado

E se entrar no supermercado
Você é roubado
E se andar despreocupado
Você é roubado

E se pegar o bonde errado
Você é roubado
E também se votar pra deputado
Você é roubado (certo!)

Tem sempre 171 armando fria
Tem ladrão lá no congresso
Na quitanda e padaria
Ladrão que rouba de noite
Ladrão que rouba de dia

Dentro da delegacia
Ninguém entendia a maior confusão
O doutor delegado grampeou todo mundo
Porque o ladrão roubou outro ladrão”

“É Ladrão Que Não Acaba Mais” (Otacílio da Mangueira e Ari do Cavaco – álbum “Eu Tô de Pé”, 1998)

15 – “Rapinou o dinheiro do povo
Saiu esbanjando
E fazendo bandalha
Veja bem, seu canalha

Canalha, tu é um verdadeiro canalha
Canalha, tu é um tremendo canalha

Comprou carrão
Fazenda e mansão
E o povo na miséria comendo migalha
Veja bem, seu canalha”

“O Verdadeiro Canalha” (de Jorge Mirim, Rodrigo e Sérgio Fernandes – álbum “Contra o Verdadeiro Canalha!”, 1995)

E se você quiser saber tudo sobre a história de Bezerra da Silva, sua vida, carreira e obra, assista ao Arquivo Novabrasil especial Bezerra da Silva, um programa original Novabrasil, que é uma verdadeira enciclopédia da nossa música popular brasileira:

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