O samba é um dos maiores patrimônios culturais do Brasil e carrega, em sua essência, a força e a expressão do povo negro. Entre tantas vozes que ajudaram a construir e difundir esse gênero, três mulheres se destacam não apenas pelo talento, mas também pela representatividade e pela forma como transformaram suas trajetórias em história: Alcione, Jovelina Pérola Negra e Leci Brandão.
Alcione – A Marrom que conquistou o Brasil
Alcione, conhecida carinhosamente como A Marrom, é uma das maiores intérpretes da música popular brasileira. Sua voz potente e inconfundível marcou gerações e a transformou em uma referência não apenas no samba, mas também na MPB. Vinda do Maranhão, Alcione levou sua musicalidade para o Rio de Janeiro, onde se consolidou como uma das principais figuras do samba-canção e do samba romântico. Com sucessos como Não Deixe o Samba Morrer e Você Me Vira a Cabeça, Alcione se tornou um verdadeiro ícone. Além disso, sua carreira sempre foi marcada pelo compromisso em valorizar a cultura negra e a força feminina no samba, inspirando novas gerações de artistas.

Jovelina Pérola Negra – A voz do pagode raiz
Jovelina Pérola Negra surgiu como uma força arrebatadora no cenário do samba nos anos 1980, trazendo consigo a autenticidade e o carisma de quem vivia intensamente a cultura do subúrbio carioca. Dona de uma voz grave e única, ela ajudou a popularizar o pagode de raiz, se tornando uma das intérpretes mais queridas do público.
Suas músicas, como Feirinha da Pavuna e Luz do Repente, são até hoje lembradas como hinos de alegria, resistência e celebração. Jovelina foi uma das primeiras mulheres negras a se destacar em um ambiente predominantemente masculino, abrindo portas para muitas que vieram depois. Sua trajetória curta, interrompida precocemente em 1998, deixou um legado imenso que continua ecoando nas rodas de samba.

Leci Brandão – A militância no samba e na vida
Leci Brandão é sinônimo de samba, resistência e representatividade. Primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira, ela sempre usou sua voz e suas canções para valorizar a cultura popular, denunciar desigualdades e exaltar a negritude. Com músicas como Zé do Caroço e Anjos da Guarda, Leci construiu uma obra que mistura lirismo e crítica social. Além da música, também se destacou como uma das primeiras mulheres negras a ocupar espaço na política, levando sua luta para além dos palcos. Sua trajetória mostra como o samba pode ser um espaço de militância, identidade e transformação.

Um legado que ultrapassa gerações
Alcione, Jovelina e Leci não são apenas cantoras; são símbolos de resistência, talento e afirmação da identidade negra no samba. Cada uma, à sua maneira, contribuiu para que o gênero continuasse vivo, pulsante e conectado às raízes de onde nasceu. Conhecer suas histórias e suas músicas é compreender um pouco mais da riqueza do samba e da força das vozes femininas que o sustentam.



