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40 anos de Rincon Sapiência: tudo sobre o artista

Você conhece Rincon Sapiência? Nascido Danilo Albert Ambrosio, na cidade de São Paulo – em 09 de setembro de 1985 – o rapper, compositor e produtor paulistano é um dos nomes de maior destaque do rap brasileiro contemporâneo.

Na semana em que o artista completa 40 anos, preparamos uma matéria especial sobre sua vida e obra, para celebrar a existência desse verdadeiro poeta brasileiro.

Tudo sobre Rincon Sapiência

Desde criança, Rincon Sapiência já despertou o interesse por música. Uma das suas primeiras referências foi o cantor e compositor norte-americano Michael Jackson e grupos de rap brasileiro, como Racionais MCs e Câmbio Negro

Em 1999, quando ainda estava na escola, Rincon se tornou cantor do grupo MD38 (Munições da 38), se apresentando com os nomes artísticos Rincon X e MC Shato. Também ficou conhecido como Manicongo.

No ano 2000, compôs sua primeira música, “Só Sangue Bom”, influenciado pela música recém lançada “Us Mano, As Mina”, grande sucesso do também rapper paulistano Xis.

Nesta época, Sapiência trabalhou como operador de telemarketing e, com os salários que recebia, conseguiu investir em equipamentos como microfone, mesa de som e softwares de computador, para produzir as suas primeiras músicas.

Além de cantar rap, Rincon Sapiência desenvolvia oficinas de poesia, eventos de hip hop e outras atividades sociais. 

No ano de 2005, lançou sua primeira faixa solo, “Aventureiro”, gravada no disco “Escuta aí”, da banda Simples. Nesse mesmo ano, participou do “Fórum Social Mundial”, em Porto Alegre (RS), onde venceu o campeonato de improviso realizado no local.

Foi com o single“Elegância”, de 2009, que o rapper se tornou conhecido. Rincon Sapiência inovou ao trazer uma batida com efeitos eletrônicos de teclados e o andamento mais lento, pouco comuns no rap de São Paulo daquele momento.

A letra da música – que está no seu primeiro álbum promocional, “Promotrampo Vol 1” – fala sobre o hábito de comprar roupas por preços baratos em brechós para criar um figurino elegante: 

Preto e formado é sempre perigoso

Preto bem trajado, elegante e charmoso

Pago pouco pelos panos, mas sou vaidoso

Pago muito se eu deixar de ser malicioso”.

Rincon sempre esteve à frente de seu tempo, ao denunciar o racismo discutindo sutilezas de sua estrutura, ampliando a consciência sobre o tema. Sua poesia aborda questões raciais e sociais no contexto da metrópole, reveladas pelo seu rap com clima de positividade, sem prejuízo à postura crítica do discurso.

Além disso, ele traz uma relação bastante forte com a moda associada à cultura hip-hop, não escondendo sua vaidade – tanto no jeito de se vestir quanto nos versos de seus maiores sucessos.

Suas composições originais – que traduzem em versos inteligentes e sagazes as experiências vividas nas ruas da periferia paulistana – são marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock.

Em 2010, o artista foi indicado para o “Video Music Brasil” na categoria “Rap” e participou do álbum “Projeto Paralelo”, da banda NX Zero, na faixa “Tarde Pra Desistir”, composição sua em parceria com Di Ferrero, Gee e Rick Bonadio.

Uma carreira consolidada

Em 2012, Rincon Sapiência fez uma turnê pela África, visitando países como Senegal e Mauritânia. O contato direto com as manifestações culturais desses países e a imersão em suas raízes ancestrais africanas, foram determinantes para o resultado estético dos discos que viria a lançar em breve.

A riqueza da cultura afro-brasileira é tema frequente em suas músicas, que foram bem recebidas durante os festivais “Festival 2H” (2012) em Dakar, Senegal; e “Festival Asalam Maleikum Hip Hop” (2012), na Mauritânia, onde realizou uma 

Em 2014, Rincon lançou o EP “SP Gueto Br.”, com 10 faixas gravadas antes da sua viagem à África, entre elas “Festa no Gueto” (com influência explícita ao gênero jamaicano ska e alusões a ritmos brasileiros) e “Transporte Público” (uma crônica sobre as dificuldades da população periférica em se locomover pela cidade de São Paulo para ir ao trabalho e voltar para casa).

Destaque do rap nacional daquele ano, o EP foi em grande parte produzido pelo próprio artista e traz uma forte identidade musical, com influências das músicas eletrônica, rock, ska, reggae, samba, timbres 808 e até o clássico estilo boombap.

Também em 2014, ele lançou o single de imenso sucesso “Linhas de Soco”. Em dezembro de 2016, o rapper surpreendeu a cena com o hit “Ponta de Lança (Verso Livre)”, que se tornaria a sua música mais conhecida.

Em 2017, Rincon Sapiência lançou o álbum de estreia, “Galanga Livre” – pelo selo “Boia Fria Produções” – com 13 faixas e um discurso forte e importante em torno da autoestima do povo preto. 

Com ritmos que vão desde a capoeira até o blues, passando pelo coco e pela Tropicália, até o afrobeat, permeadas pela sua veia rock and roll característica, Sapiência atestando o seu talento como produtor musical também. As músicas foram todas produzidas pelo próprio rapper, com exceção de “Amores às Escuras” (Gambia Beats). 

Na canção “Crime Bárbaro” (parceria com Tom Zée Valdez), o rapper fala sobre o escravo Galanga, que dá nome ao disco e que mata o senhor de engenho e foge da senzala. Durante a fuga, o personagem relembra os detalhes do episódio e, ao mesmo tempo, demonstra orgulho pelo ato de coragem, questionando quem é a vítima e quem é o criminoso: 

Meu crime a ele eu culpo

Bateu em criança, cometeu estupro

Proibiu a dança e a religião

Gerou confusão interna no grupo”

Na faixa-título, ele volta ao tema da escravidão e reflete sobre as ambições do negro que ascendeu ou ambiciona ascender socialmente: 

Era escravidão, muros do casarão era nosso limite

Eu não quero colher algodão

Mas eu quero vestir coleção Herchcovitch”

Já em “A Coisa Tá Preta” (parceria com Paulinho da Costa, Octávio Bailly Jr. e Claudio Slom), o artista ressignifica uma expressão que tem origem racista e associa a cor preta a algo negativo: 

Se eu te falar que a coisa tá preta

A coisa tá boa, pode acreditar

Seu preconceito vai arrumar treta

Sai dessa garoa que é pra não molhar”

O disco entrou para a lista dos 25 melhores álbuns da música brasileira no primeiro semestre de 2017, da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) e ganhou dois troféus do Super Júri no Prêmio Multishow: nas categorias Melhor Produção Musical e Melhor Capa. 

Além disso, a premiação também rendeu a Rincon Sapiência o título de Revelação do Ano. No mesmo ano, o rapper foi eleito Artista do Ano pela APCA e levou o prêmio Bravo! de Cultura com o disco.

O belo encarte que acompanha a versão física do álbum – além da elegância de um Rincon de saias na capa – traz elogios de três grandes referências do rapper: Xis, Mano Browne Black Alien. 

Também em 2017, Sapiência lançou outro hit de muito sucesso: “Afro Rap”:

Entre agosto e setembro de 2017, o artista fez sua primeira turnê europeia, passando por Inglaterra, Espanha, Irlanda, Suécia, França e Portugal. Em 2018, lançou o seu próprio selo musical independente, ”MGoma”, sendo reconhecido como um dos produtores musicais mais respeitados da cena.

Feitos mais recentes

Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps”, o segundo álbum de Rincon Sapiência,  inteiramente produzido e dirigido por ele, foi lançado em 2019. 

O trabalho potencializa a influência africana com elementos percussivos em evidência na maioria das músicas. As letras também evocam a ancestralidade do continente africano, e o discurso enfatiza a força da dança como elemento de resistência dos povos negros em diferentes civilizações.

Em “Meu Ritmo”, ele canta: 

A dança é como ginástica

Ela tem a cintura elástica

Ancestralidade em prática

Eu confesso que é nossa tática

Afinal de contas, multiplica essa multidão matemática

Sente o batidão, tenho gratidão

Bença nossa mãe, Dona África”.

No mesmo dia do lançamento do álbum, o artista também lançou o videoclipe da faixa “Me Nota (part. Rael)”. Em seguida, lançou mais um videoclipe da música “Primeiro Volante (Verso Livre)”.

Em 2020, Rincon também foi responsável pela trilha sonora, com auxílio do músico Kiko de Souza, do filme “Medida Provisória”, dirigido por Lázaro Ramos. 

Em 2021, foi a vez do lançamento de um mini EP chamado “O Peso das Barra”, incluindo dois singles: “De Onde Cê Vem” e “Serenata”.

Entre as colaborações com outros artistas destacam-se “Ginga”, com Iza, “Inimigos”, com Alice Caymmi, “Um Brinde à Vida”, com Sidney Magal,Chiste”, com Rubel, e “Melanina”, com a rapper paulistana Drik Barbosa. 

Como ator, Rincon Sapiência contracenou com o ator Wagner Moura no filme “A Busca” (2013), dirigido por Luciano Moura; participou do filme “Jonas” (2015), dirigido por Lô Polliti; eintegrou o elenco de “Selvagem” (2019), filme de Diego da Costa, no papel de um professor secundarista.

Rincon também participou da série “Casa da Vó”, onde interpreta o personagem Janderson Fábio (JF), que é cabeleireiro e barbeiro e afilhado da Dona Tereza (interpretado por Margareth Menezes).

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