Quando Luísa Sonza anunciou um álbum inteiramente dedicado à Bossa Nova, muita gente se surpreendeu. Conhecida por transitar entre o pop, o funk e a música eletrônica, a cantora parecia mostrar uma nova faceta ao lado de dois nomes fundamentais da história do gênero: Roberto Menescal e Toquinho.
Mas, na verdade, desde criança Luísa – que cantou por muito anos em banda de baile e depois passou a fazer covers na internet – já defendia canções do gênero e tinha um profundo interesse pelo movimento que transformou a história da música popular brasileira para sempre.
A cantora começou a dar indícios mais fortes dessa aproximação com a Bossa Nova em seu repertório atual no disco “Escândalo Íntimo”, de 2023, com a canção “Chico“.
Em 2024, Sonza lançou uma versão em inglês da canção e – agora, em 2026 – Sonza regravou a faixa para o álbum “Bossa Sempre Nova”, produzido pelos próprios Menescal e Toquinho.
Hoje, no aniversário de 28 anos da artista, vale lembrar esse encontro entre gerações, que reúne releituras de clássicos da Bossa Nova, “Chico” em inglês, além de uma faixa inédita escrita por Luísa em parceria com Roberto Menescal.
Bossa Sempre Nova
Gravado de forma bastante orgânica, com voz e instrumentos registrados praticamente ao vivo, o álbum – lançado em janeiro deste ano – buscou preservar a leveza e a intimidade que marcaram o nascimento da Bossa Nova.
O repertório também evidencia o diálogo entre diferentes gerações da música brasileira, colocando Luísa ao lado de artistas que ajudaram a construir a identidade do gênero.
Entre as canções escolhidas estão alguns dos maiores clássicos da música brasileira:
- Consolação – de Baden Powell e Vinicius de Moraes, gravada com participação de Toquinho.
- Só Tinha de Ser Com Você – clássico de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira.
- Você – composição de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, interpretada ao lado do próprio Menescal.
- Carta ao Tom 74 – parceria de Toquinho e Vinicius de Moraes.
- Samba de Verão – um dos maiores sucessos internacionais de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.
- Triste – clássico de Tom Jobim.
- Águas de Março – uma das obras-primas de Tom Jobim.
- Onde Anda Você – de Vinicius de Moraes e Hermano Silva.
- Nós e o Mar – outro clássico de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli.
- O Barquinho – um dos hinos da bossa nova, também assinado por Menescal e Ronaldo Bôscoli.
- Ah! Se Eu Pudesse – composição de Roberto Menescal.
- Tarde em Itapoã – parceria de Toquinho com Vinicius de Moraes.
- Diz Que Fui Por Aí – clássico de Zé Keti e Hortênsio Rocha.
O álbum ainda apresenta “Um Pouco de Mim”, faixa inédita composta por Luísa Sonza e Roberto Menescal, reforçando que a parceria foi além das releituras e resultou também em uma criação original.
Mais do que uma homenagem à Bossa Nova, “Bossa Sempre Nova” mostrou uma intérprete interessada em explorar outras possibilidades vocais e musicais. Ao dividir o estúdio com dois ícones do gênero, Luísa Sonza aproximou seu trabalho de um repertório que atravessa gerações e ajudou a apresentar esses clássicos a um novo público, reafirmando que a Bossa Nova continua encontrando novos caminhos para permanecer atual.

