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A grandeza de Djamila Ribeiro em 5 livros que marcaram a literatura nacional

Djamila Ribeiro, filósofa, escritora e ativista, emergiu como uma das vozes mais proeminentes no cenário literário contemporâneo do Brasil. Por meio de suas obras, que rapidamente se tornaram best-sellers, ela traz à tona reflexões sobre racismo e feminismo e impulsiona diálogos essenciais na sociedade.

Em 2020, conquistou o Prêmio Jabuti, principal premiação literária do país, na categoria Ciências Humanas por seu livro Pequeno Manual Antirracista. No ano seguinte, Djamila entrou para a história ao se tornar a primeira brasileira laureada no BET Awards com o troféu “Global Good” por seu impacto social. Mais recentemente, em 2023, foi condecorada com o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos, o que reforçou seu prestígio internacional como uma voz de destaque na defesa da igualdade

Cada obra, a seu modo, abriu caminhos para novas perspectivas, influenciou leitores de diversas gerações e reforçou a importância da representatividade e do diálogo sobre questões raciais e de gênero no Brasil.

Veja também:

Obras marcantes de Djamila Ribeiro

1. O que é lugar de fala? (2017)

Divulgação

Primeiro livro de Djamila Ribeiro, O que é lugar de fala? introduz de forma didática o conceito de “lugar de fala”, discutindo quem tem voz na sociedade e quais narrativas são historicamente silenciadas. Publicado pela Pólen Livros na coleção Feminismos Plurais (coordenada pela própria Djamila), essa obra tornou seu nome conhecido pelo grande público brasileiro.

Ao explorar a invisibilidade da mulher negra nos espaços de poder, Djamila escancara a necessidade de múltiplas vozes na construção do conhecimento e rompe com a visão única e eurocêntrica predominante. O livro teve grande repercussão acadêmica e cultural e se tornou referência básica sobre representatividade.

Seu impacto foi tamanho que elevou Djamila à condição de best-seller nacional, algo raro para um ensaio teórico, e pavimentou o caminho para as obras seguintes abordando feminismo negro.

2. Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (2018)

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Lançado no ano seguinte, Quem Tem Medo do Feminismo Negro? mescla um ensaio autobiográfico com crônicas publicadas por Djamila em veículos de mídia. Nesse livro, a autora compartilha experiências pessoais enquanto analisa temas como machismo, racismo e a importância da interseccionalidade, conceito criado por Kimberlé Crenshaw, que permeia toda a obra.

A coletânea obteve enorme sucesso e ampliou o alcance do trabalho de Djamila dentro e fora do Brasil. Por meio de reflexões acessíveis e contundentes, a autora popularizou debates sobre o feminismo negro e apresentou ao grande público ideias fundamentais, de Sojourner Truth a bell hooks.

Em suas páginas, desconstrói estereótipos, questiona o feminismo hegemônico (majoritariamente branco) e convida o leitor a enxergar a pluralidade das vivências femininas.

Quem Tem Medo do Feminismo Negro? firmou-se como leitura indispensável para se entender os desafios das mulheres negras na sociedade.

3. Pequeno Manual Antirracista (2019)

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Com linguagem direta e capítulos breves, Pequeno Manual Antirracista rapidamente se tornou um dos livros mais influentes da última década no Brasil. Nele, Djamila apresenta 11 lições práticas para reconhecer e combater o racismo estrutural enraizado em nossa sociedade.

A obra foi um fenômeno de vendas – best-seller absoluto em 2020. Além da aclamação popular, rendeu à autora o Prêmio Jabuti, principal prêmio literário do país, na categoria Ciências Humanas. Nas páginas do Manual, Ribeiro aborda temas como branquitude, violência racial e privilégios e oferece caminhos de reflexão e ação cotidiana contra a discriminação.

A própria Angela Davis inspirou o tom do livro, ao afirmar que “numa sociedade racista não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. O sucesso da obra fez com que conceitos antes restritos à academia entrassem de vez no vocabulário do público geral. Hoje, Pequeno Manual Antirracista é referência educativa e tem sido adotado em escolas e empresas, o que comprova seu impacto social além das páginas impressas.

4. Cartas para Minha Avó (2021)

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Nessa obra, Djamila Ribeiro presta homenagem à sua ancestralidade. Cartas para Minha Avó é um relato em forma de cartas direcionadas à avó Antônia, figura central na vida da autora. Fugindo do formato ensaístico de seus trabalhos anteriores, Djamila adota aqui um tom memorialístico para conectar histórias familiares às discussões de gênero e raça.

O livro rememora episódios marcantes, da perda precoce dos pais às violências sofridas como mulher negra, entrelaçando a trajetória individual da autora com a história coletiva do povo negro. Ao celebrar a sabedoria de sua avó e reviver memórias dolorosas e afetivas, a autora destaca a importância da ancestralidade na formação da identidade e na resistência ao racismo.

A obra também toca em temas como educação dos filhos, relações amorosas e conquistas profissionais, sempre sob a perspectiva intimista de uma mulher negra em busca de suas raízes.

Cartas para Minha Avó mostrou a versatilidade de Djamila como escritora e teve excelente recepção do público. A iniciativa gerou até a campanha #CartasParaMinhaAvó nas redes sociais, incentivando leitores a compartilhar histórias de seus antepassados.

5. Uma Nova História, Feita de Histórias (2021)

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Além de suas obras autorais, Djamila Ribeiro também tem contribuições importantes como organizadora. No final de 2021, coordenou o livro Uma Nova História, Feita de Histórias: Personalidades Negras Invisibilizadas da História do Brasil. Essa coletânea reúne 16 textos de pesquisadores(as) negros(as) de várias regiões do país, resgata figuras históricas negras que foram apagadas dos relatos oficiais.

Políticos, educadores, artistas, líderes espirituais, ex-escravizados, o livro lança luz sobre homens e mulheres negros que tiveram papel fundamental na construção do Brasil, mas cujas histórias permanecem pouco conhecidas.

A obra, publicada pelo selo Sueli Carneiro (Editora Jandaíra), tem o objetivo explícito de reconhecer as contribuições dessas personalidades e construir uma nova identidade nacional, mais inclusiva e fiel à diversidade do povo brasileiro.

Uma Nova História, Feita de Histórias reflete a importância que Djamila dá à democratização do conhecimento: ao levantar essas vozes esquecidas, o livro contribuiu para enriquecer a literatura nacional com narrativas antes marginalizadas.

Seja desvendando conceitos como lugar de fala, denunciando opressões em crônicas afiadas ou partilhando memórias pessoais, Djamila provoca reflexões necessárias e inspira mudanças de atitude.

O reconhecimento de sua grandeza vai desde prêmios literários até honrarias internacionais de direitos humanos, mas, sobretudo, está no efeito transformador que seus textos exercem sobre leitores de todo o Brasil.

Ao destacar vozes negras, Djamila Ribeiro abre caminho para uma sociedade mais consciente, diversa e justa. Seus livros já se tornaram leitura obrigatória para quem busca entender o Brasil atual e construir um futuro melhor, o que comprova que a literatura pode, sim, catalisar revoluções silenciosas nas mentalidades e na cultura.

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