A importância de Carlos Lyra para a MPB

Se não tivesse nos deixado em dezembro de 2023, o cantor, compositor e violonista carioca Carlos Lyra completaria 93 anos neste 11 de maio de 2026. 

Um dos mais importantes nomes da Bossa Nova, movimento que transformou para sempre a história da música popular brasileira, hoje vamos relembrar sua trajetória e os diversos sucessos da MPB compostos pelo artista. 

Um dos pilares da Bossa Nova

A história de Carlos Lyra e da Bossa Nova praticamente se confundem, mesmo o artista sempre tendo preservado a sua identidade musical e ido muito além do movimento que marcou a música brasileira nos anos 60. E o legado de Lyra deixado para a nossa cultura é imensurável.  

Nascido no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Lyra Barbosa começou a fazer música com um piano de brinquedo aos sete anos de idade, passando, em seguida, a tocar gaita de boca.

Na adolescência, quebrou a perna em um campeonato de salto em distância e o acidente o obrigou a ficar de repouso na cama por seis meses. Foi ali, para passar o tempo, que ele começou a aprender violão. Praticou tanto, que – ao receber alta do médico – já dominava o instrumento.

No colégio, Carlos Lyra conheceu o compositor e instrumentista Roberto Menescal, com quem montou – tempos depois – a primeira Academia de Violão. A escola foi uma forma que encontraram de viver profissionalmente da atividade musical, fazendo com que Lyra deixasse de vez a Faculdade de Arquitetura para dedicar-se exclusivamente à música.

Carlos Lyra, Nara Leão e Vinicius de Moraes, em 1963 | Imagem: Reprodução

Pela Academia de Violão de Lyra e Menescal, passaram nomes como Marcos Valle, Edu Lobo, Nara Leão eWanda Sá, artistas que também participaram dos primórdios da Bossa Nova.

Carlos Lyra fez parte do movimento desde os primórdios, integrando ativamente os encontros musicais que aconteciam a partir da segunda metade dos anos 50, em apartamentos da Zona Sul do Rio de Janeiro, junto com nomes como Nara Leão, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Sérgio Ricardo.

A primeira canção de Carlos Lyra a ser gravada em um LP – “Criticando”, registrada em 1957, pelo conjunto Os Cariocas – é uma espécie de precursora da clássica sua canção “Influência do Jazz” (de 1962), que já mostrava que Lyra manteria sua autonomia e inovação musical, indo muito além da Bossa Nova, embora a história o coloque como um dos líderes naturais do movimento.

Pouco depois, rompendo barreiras, o artista se uniu também a poetas e sambistas do morro como Cartola, Zé Keti e João do Vale.

Em 1959, Carlos Lyra teve três canções suas gravadas no antológico disco que foi o marco inicial da bossa nova, Chega de Saudade”, de João Gilberto: “Maria Ninguém”, “Lobo Bobo” e “Saudade Fez um Samba”, as duas últimas em parceria com Ronaldo Bôscoli. No ano seguinte, Lyra gravou o seu primeiro disco, “Carlos Lyra: Bossa Nova”

Depois disso, o artista escreveu diversas trilhas para teatro e compôs alguns dos maiores clássicos da nossa MPB, em parceria com o poeta Vinicius de Moraes, como:

Carlos Lyra também esteve presente no histórico Festival de Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962, ao lado de nomes como Tom Jobim e João Gilberto

Nos EUA, onde se auto-exilou em 1964, por conta do Golpe Militar, Lyra gravou com o artista norte-americano Tony Bennett e fez turnê com o saxofonista estadunidense Stan Getz. Morou também no México, antes de retornar ao Brasil de vez em 1976.

Com quase 70 anos de carreira e mais de 20 discos lançados, Carlos Lyra foi um dos mais experientes nomes da MPB. Seu último álbum de inéditas foi lançado em 2019, chamado “Além da Bossa”.

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