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A importância de Geraldo Azevedo para a música popular brasileira

Nascido em 11 de janeiro de 1945, no sertão de Jatobá (PE), Geraldo Azevedo construiu uma trajetória artística que transcende fronteiras, para se firmar como um dos pilares da música popular brasileira, completando 81 anos no dia de hoje. 

Filho de uma família humilde – mas rica em afeto e cultura – ele ganhou seu primeiro violão, artesanalmente feito pelo pai, aos cinco anos de idade. Esse instrumento, presente e simbólico, seria o companheiro de uma vida inteira dedicada à poesia e à canção.

A obra de Geraldo Azevedo é marcada por uma profunda miscigenação entre ritmos nordestinos, harmonia sofisticada e narrativa poética. Com mais de cinco décadas de carreira, ele se tornou um dos mais influentes cantores e compositores da música brasileira, integrando importantes movimentos artísticos, colaborando com grandes nomes e construindo um repertório que atravessa gerações. 

Os primeiros passos e o início da discografia

A caminhada do pernambucano no cenário musical ganhou contornos públicos nos anos 1970, período em que ele começou a gravar e apresentar suas canções de forma mais ampla. 

Seu primeiro álbum surgiu em 1972 – já no Rio de Janeiro – em parceria com o também pernambucano Alceu Valença, resultado da apresentação dos dois no Festival Internacional da Canção daquele ano, com a canção “Papagaio do Futuro”, ao lado também de Jackson do Pandeiro.

Esse registro inicial já mostra a força criativa de um artista que surgiu para marcar época.

Com o lançamento do seu primeiro disco solo, “Geraldo Azevedo” em 1976, o artista consolidou sua identidade como compositor que dialoga tanto com as tradições do Nordeste quanto com a sensibilidade universal da canção popular. O álbum traz composições de sucesso como o pout-pourri “Caravana” / “Talismã”  (ambas parcerias com Alceu Valença) / “Barcarola do São Francisco” (parceria com Carlos Fernando).

Em 1978, seu parceiro Zé Ramalho, lançou uma das composições mais importantes da dupla, em parceria também com Renato Rocha: “Bicho de 7 Cabeças”, apenas em versão instrumental.

No ano seguinte, já com letra, Geraldo Azevedo lançou a canção em seu álbum que levou o nome da canção e que conta também com o sucesso “Táxi Lunar”, composição de Zé, Geraldo e Alceu Valença.

Anos 1980: consolidação e sucessos inesquecíveis

Os anos 1980 foram decisivos para tornar Geraldo Azevedo um nome ainda mais presente e importante no repertório da música nacional. Em 1981, ele lançou “Inclinações Musicais”, disco que impulsionou sua carreira, com clássicos que se tornaram verdadeiros hinos do cancioneiro brasileiro, como:

  • Dia Branco (parceria com Renato Rocha)
  • Moça Bonita (parceria com Capinan)
  • Canta Coração (parceria com Carlos Fernando)

A produção do álbum contou com arranjos de Dori Caymmi e participações de nomes lendários como Sivuca e Jackson do Pandeiro.

No ano seguinte veio “For All Para Todos”, trabalho que, além do título com referência à origem do forró, revelou canções como “Príncipe Brilhante” (parceria com Carlos Fernando) e a regravação de “Baião da Garoa”, que chamou a atenção de Luiz Gonzaga, grande mestre do gênero, conhecido como o Rei do Baião, compositor da canção ao lado de Hervé Cordovil.

Em 1984, o projeto “Cantoria”, com Elomar, Xangai e Vital Farias, consolidou Geraldo Azevedo como parte de um grupo de cantadores nordestinos que reuniu tradição e contemporaneidade em apresentações ao vivo aclamadas pela crítica.

O álbum “Tempo Tempero” (1984) trouxe “Sabor Colorido” e colaborações com Nana Caymmi, reforçando o sopro inovador do artista. Já o registro ao vivo “Geraldo Azevedo” (1985), parte do projeto “Luz do Solo”, quedocumentou sua música em cenário de prestígio – com participações de Elba e Zé Ramalho – e marcou a gravação, finalmente, de “Canção da Despedida”, música em parceria com Geraldo Vandré censurada por anos por conta da Ditadura Militar. 

Este disco cobre todo o aspecto das influências musicais assimiladas por Geraldo, indo desde o “ABC do Sertão”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, até “Tomorrow is a Long Time”, de Bob Dylan.

Independência criativa e repertório duradouro

Com seu próprio selo, Geraldo Azevedo lançou em 1986 “De Outra Maneira”, considerado um de seus trabalhos mais impactantes e agraciado com Disco de Ouro. Nele, músicas como “O Princípio do Prazer”, “Chorando e Cantando” e “Dona da Minha Cabeça” (as duas últimas parcerias com Fausto Nilo)demonstraram a habilidade do compositor em transitar entre a emoção profunda e a reflexão necessária.

Em 1988, “Eterno Presente” trouxe composições memoráveis, ampliando ainda mais a amplitude crítica e emocional de sua música:

  • Sétimo Céu (parceria com Fausto Nilo)
  • Tanto Querer (parceria com Nando Cordel e com participação de Dominguinhos)

Muitas dessas obras de Geraldo Azevedo se tornaram parte inseparável da memória afetiva do público brasileiro e são um verdadeiro patrimônio nacional.

Essa capacidade de compor canções que reverberam em diferentes espaços faz de Geraldo Azevedo um artista cuja música ultrapassa fronteiras geracionais.

Parcerias, encontros e performances históricas

Além de sua carreira solo, Geraldo Azevedo participou de projetos coletivos que fortaleceram a cena musical brasileira. A série “O Grande Encontro”, ao lado de Alceu Valença, Elba Ramalho e Zé Ramalho, celebrou o encontro desses grandes artistas nordestinos e de suas obras atemporais.

Os shows inesquecíveis tornaram-se álbuns antológicos em três edições de encontros: 

Nos anos 1990 e além, o repertório de Azevedo continuou sendo revisitado por coletâneas e shows, como “O Charme das Canções – O Melhor de Geraldo Azevedo” (1998), que reúne faixas marcantes que já se tornaram clássicos da música brasileira.

Legado e impacto cultural

A obra de Geraldo Azevedo é uma aula permanente de brasilidade. Sua música é, simultaneamente, profundamente enraizada no Nordeste e amplamente universal. Cada acorde, cada verso e cada melodia revelam um artista que conseguiu transformar vivências e tradições em canções que falam diretamente ao coração do público, atravessando décadas, modismos e gerações.

Ao integrar elementos variados – do forró ao rock’n roll, do romântico à canção político-social – o pernambucano não apenas enriqueceu a música popular brasileira, mas redefiniu a forma como o violão e a voz dialogam com as emoções e expectativas de quem o escuta. Sua importância não está apenas nos discos lançados, mas no modo como suas canções continuam a ser cantadas, reinterpretadas e celebradas em todo o país.

Viva, Geraldo Azevedo!

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