Sabe aquela sensação de que a felicidade só vai chegar quando tudo estiver perfeito? Quando o nosso corpo estiver em forma, a conta bancária recheada, o tempo sobrando e tudo organizado? Então, a vida não funciona assim. Ela acontece agora, com seus tropeços, obstáculos, imperfeições e suas generosidades. Sim, pessoas, lugares e coisas boas que existem, que já fazem parte de nossa vida e estão bem debaixo do nosso nariz, e nós, como bons seres humanos, continuamos a acreditar que a felicidade está nos esperando lá na frente, com nossos desejos.
O que fazemos do que já temos hoje? Tudo o que conquistamos? Tudo bem, pode ainda não ser o ideal, mas avançamos, temos momentos muito felizes, e não nos damos conta disso, aguardando ainda o futuro.
É fácil nos fixarmos no que falta, né? A ausência do que não temos faz barulho, chama atenção, nos faz comparar com o que os outros têm. Mas quando a gente valoriza o que já está em nossas mãos, tudo muda. Um corpo que talvez não seja o sonho de consumo, mas é saudável, nos leva para onde precisamos ir todos os dias. Uma rotina que, muitas vezes, pode ser cansativa, mas que dá estrutura para nossa vida: ambientes organizados, tarefas feitas. Relações que não são perfeitas, mas que são reais e nos fazem sentir vivos.

Felicidade não é acumular coisas, é viver o momento. É fazer da nossa vida o que ela é, com tudo o que ela tem e com tudo o que ela não tem. É aprender a usar o tempo com presença, o corpo com respeito, as emoções com honestidade. É transformar os limites em cuidado, as pausas em sabedoria, e o simples em suficiente. Não significa negar os sonhos ou desistir deles, mas sim não adiar a vida até que tudo esteja resolvido.
Quando a gente usa bem o que tem, a vida ganha significado. O pouco se torna o bastante. O comum se transforma em algo especial. Um café quentinho, um passo dado apesar do medo, um dia vivido com gentileza consigo mesmo.

O uso consciente do que temos nos ensina que a felicidade não é um estado permanente, mas uma prática diária, feita de escolhas pequenas, mas constantes.
Talvez a felicidade não esteja em mudar tudo, mas em mudar o jeito que olhamos e entendemos. Em trocar a pergunta “o que me falta?” por “como posso cuidar melhor do que já tenho?”. Porque, no fim das contas, a vida não nos pede perfeição, apenas nos pede que vivamos. E quando vivemos o aqui, o agora, quando honramos e somos gratos ao que temos hoje, descobrimos que segundos, minutos podem nos trazer felicidade.
Ela, a felicidade, não está distante como imaginamos, ela só espera reconhecimento da nossa parte. Podemos encontrá-la logo ali, dobrando a esquina.



