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Ambiente e hábitos explicam até 80% do envelhecimento da pele, diz dermatologista

A saúde da pele depende muito mais do que da herança genética. “A saúde da pele vai muito além da genética”, afirma a dermatologista Flávia Alvim Sant Anna Addor. Segundo a médica, um conjunto de influências do ambiente e do estilo de vida — chamado de expossoma — ajuda a explicar por que algumas pessoas envelhecem mais rápido e por que certas doenças de pele aparecem ou pioram.

“Estudos científicos estimam que até 80% dos sinais visíveis de envelhecimento da pele são consequência do expossoma, enquanto apenas 20% decorrem da herança genética.” Na prática, diz Addor, isso significa que grande parte das mudanças que vemos no espelho pode ser modulada com escolhas conscientes e cuidados diários.

O que pesa no dia a dia

O expossoma reúne fatores que atuam juntos e se somam ao longo da vida. Entre os principais, estão:

  • · Sol e luz visível: a exposição contínua aos raios UVA, UVB e à luz azul acelera a degradação do colágeno, favorece manchas e eleva o risco de câncer de pele.
  • · Poluição do ar: micropartículas ambientais inflamam e oxidam as células, enfraquecem a barreira natural da pele e podem agravar problemas como dermatites e alguns tipos de manchas.
  • · Alimentação: dietas ricas em açúcar e ultraprocessados aumentam o estresse oxidativo; frutas, vegetais e gorduras boas ajudam a proteger e regenerar a pele.
  • · Sono e estresse: dormir mal e viver sob tensão reduz a capacidade de reparo celular e acelera o envelhecimento precoce.
  • · Clima e estilo de vida: mudanças bruscas de temperatura, tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo desequilibram a função cutânea.

“Esses fatores não agem de forma isolada, mas se somam ao longo do tempo.” O impacto cumulativo interfere na textura, no brilho, na firmeza e na uniformidade da pele — órgão que está em contato direto e constante com o ambiente.

Foto: Divulgação.

Como reduzir os danos

Entender o expossoma ajuda a montar uma rotina de prevenção realista e eficaz. “O primeiro passo é a fotoproteção diária, com filtros de amplo espectro que protejam contra radiação UV, luz visível e efeitos da luz infravermelha.” A recomendação inclui reforçar a barreira cutânea com antioxidantes, hidratação adequada e limpeza suave, capaz de remover poluentes sem agredir.

Os hábitos fora do banheiro também contam. “Além dos cuidados tópicos, o estilo de vida tem peso decisivo.” Alimentação equilibrada, sono de qualidade e manejo do estresse são aliados. “Em muitas situações, o dermatologista pode orientar o uso de suplementos, nutracêuticos e protocolos personalizados, ajustados à rotina e ao perfil de exposição de cada pessoa”, diz Addor.

Para a especialista, a área já abraça uma abordagem mais ampla. “A dermatologia atual vem incorporando o conceito de expossoma para oferecer uma visão mais completa da saúde cutânea.” E conclui: “Quando compreendemos que a pele é reflexo do corpo e do ambiente, passamos a enxergar o autocuidado de forma mais ampla: como parte do equilíbrio entre organismo, mente e estilo de vida”.

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