Aniversariantes da MPB da Semana – PARTE 3

por Lívia Nolla

Esta foi uma semana especial para a MPB. São vários os nomes da nossa música que nasceram entre 05 e 11 de fevereiro e nós preparamos uma série de três matérias para homenagear esses aniversariantes musicais!

Esta é a última parte da série. A primeira e a segunda estão aqui, disponíveis para vocês.

Vamos lá?

09 de fevereiro

Edson Cordeiro | Foto: Divulgação (Site Oficial)
Edson Cordeiro | Foto: Divulgação (Site Oficial)

Edson Cordeiro

Edson Cordeiro nasceu em Santo André (SP), em 09 de fevereiro de 1967, e completa  57 anos hoje.

Começou a cantar aos seis anos, quando passou a fazer parte do coro de uma igreja evangélica chamado Cordeirinhos do Senhor, onde permaneceu até os 16 anos.

Filho de um mecânico e de uma bordadeira, fez teatro infantil e, em 1983, participou da ópera-rock Amapola, de Miguel Briamonte, que mais tarde seria diretor musical de seus discos.

Em 1988 foi ator e cantor na terceira montagem brasileira da ópera-rock Hair!, dirigida por Antônio Abujamra. No ano seguinte, atuou na montagem de O Doente Imaginário, de Molière, dirigida por Cacá Rosset. Com essa peça, viajou pela Europa, Estados Unidos, México e América Central.

Seu primeiro show solo aconteceu em agosto de 1990, na Mistura Up do Rio de Janeiro. O sucesso foi imediato, e ele passou a ser disputado por várias gravadoras. Suas distinções são o timbre vocal de contratenor (voz masculina aguda, com o mesmo alcance do soprano feminino – no caso dele, sopranista) e o repertório eclético, que inclui ópera, bossa nova, pop e jazz.

A carreira solo como cantor tomou força a partir de 1990, quando se apresentou no Rio de Janeiro com grande sucesso, e assinou contrato com a Sony, onde gravou oito álbuns.

Artista premiadíssimo, o último trabalho de Edson Cordeiro lançado no Brasil, que inclusive foi indicado ao Grammy Latino de 2006, na categoria de Melhor Música Clássica, foi o álbum Contratenor, em 2005.

Desde a década de 90 Edson conquistou seu espaço no mercado europeu. Desde abril de 2007 o cantor, radicado na Alemanha, excursiona pela Europa intercalando dois formatos de shows: um com o premiado trio alemão Klazz Brothers, com quem faz um mix de jazz, música erudita e popular; e outro ao lado do pianista alemão Broder Kuhener, em faz uma junção de sucessos de sua carreira e passeia pela ópera de Mozart, pela bossa nova de Tom Jobim, pelo pop de Madonna e Michael Jackson.

Em 2009, Edson Cordeiro gravou o álbum The Woman’s Voice – A Voz da Mulher, pela gravadora alemã Prime Records. Neste show, o cantor homenageia grandes divas da música em todo o mundo, dedicando o seu talento para a sua grande inspiração: a voz feminina.

Em 2015, foi a vez de Paradiesvogel, seu décimo primeiro álbum, gravado na Alemanha. Com um repertório poliglota e sua ampla gama de músicas, Edson Cordeiro é considerado como um dos cantores mais versáteis da atualidade. Com a sua impressionante amplitude vocal e a sua enorme variedade tímbrica, ele sente-se à vontade tanto na ópera e música clássica como nas formas mais modernas da música latina, jazz, rock, pop e dance music.

Consegue interpretar cada canção como se fosse sua, de uma maneira pessoal e inimitável. Seu álbum mais recente é o álbum Bem na Foto, de 2018.

Mariana Nolasco | Foto: Divulgação (Site Oficial)
Mariana Nolasco | Foto: Divulgação (Site Oficial)

Mariana Nolasco

Nascida em Campinas, em 09 de fevereiro de 1998, Mariana Nolasco é cantora, compositora e musicista, e completa 26 anos neste 2024.

Começou sua carreira aos 13 anos de idade, cantando músicas em versões acústicas (voz e violão) em seu quarto e postando-as no Youtube. Anos depois foi nomeada pela própria plataforma umas das Top 70 da América Latina, sendo precursora nos canais musicais brasileiros no Youtube, assumindo então o pódio do maior canal musical no nicho Versões da América Latina.

Hoje, com mais de uma década de carreira, a artista já coleciona números e feitos impressionantes, com mais de 11 milhões de seguidores nas redes sociais, mais de 450 milhões de visualizações em seu canal do YouTube, 1,7 milhões de ouvintes mensais no Spotify, além de apresentações em festivais como o Rock in Rio e João Rock. ​

Mariana já colaborou com grandes nomes da música brasileira, como Rael, Roberta Campos, Dani Black e Vitor Kley, além da banda americana Boyce Avenue. ​

Além disso, foi a única brasileira a participar da regravação do clássico We Are The World, no histórico Capitol Studios, em Los Angeles (Estados Unidos), ocasião que reuniu trinta cantores de diversas partes do mundo, todos conhecidos por postar sua arte no YouTube.

Em 2016, Mariana Nolasco lançou seu primeiro EP e, em 2018, seu primeiro álbum, homônimo, proporcionado 100% por financiamento coletivo de seus milhares de fãs.

Em 2021, foi a vez do EP Um Só, e agora em 2023, a artista lançou seu mais recente trabalho: Quem É Ela, álbum que reapresenta Mariana Nolasco ao público. Trata-se de um retrato de sua vida até o presente momento.

Mariana contou mais sobre o lançamento em entrevista recente que deu à Roberta Tiepo e Lorena Calábria no programa Radar Novabrasil.

10 de fevereiro

Cauby Peixoto — Foto Marco Máximo Divulgação

Cauby Peixoto

Considerado um dos melhores cantores e mais versáteis intérpretes da música popular brasileira de todos os tempos, o grande Cauby Peixoto estaria completando 93 anos agora em 2024.

Nascido no dia 10 de fevereiro de 1931, em Santa Rosa, bairro de Niterói, no Rio de Janeiro, Cauby era o caçula de seis irmãos, em uma família muito musical. Seus pais e irmãos todos tinham relação com a música: tocavam algum instrumento, compunham ou cantavam.

Cauby trabalhou no comércio – em lojas de sapatos e perfumes – até resolver participar de programas de calouros no rádio, no final da década de 40. Antes de pedir as contas no comércio em que trabalhava, foi fazer um teste e acabou sendo contratado para o programa Hora do Comerciário, da Rádio Tupi. Era perfeito para ele, porque ia ao ar aos sábados, das 18h às 19h, horário de sua folga.

Foi com a ajuda dos irmãos mais velhos, que já estavam no ramo musical, que Cauby Peixoto teve a oportunidade de realizar a sua primeira gravação, aos 20 anos: um 78 rotações por minuto que continha as canções Saia Branca (composição de Geraldo Medeiros) e Ai, que Carestia (de Victor Simon e Liz Monteiro), em 1951.

Com seu timbre grave e aveludado e jeito singular de cantar e interpretar, em 1955, Cauby lançou o seu primeiro sucesso no Brasil, a canção Blue Gardênia, uma versão em português (feita por Antonio Carlos) de uma canção norte-americana (composta por Lester Lee e Bob Russel). Na época, a música era um sucesso na voz do cantor norte-americano Nat King Cole, ídolo de Cauby Peixoto desde a infância.

Em 1958, Cauby chegou a cantar junto com Nat King Cole em uma boate em Nova York. Depois, em 2015, o cantor brasileiro fez um álbum em homenagem ao ídolo, Cauby Sings Nat King Cole, com o qual ganhou o prêmio póstumo de Melhor Álbum em Língua Estrangeira, no Prêmio da Música Popular Brasileira de 2016.

Em 1956, Cauby apareceu no filme Com Água na Boca, cantando o maior sucesso de sua carreira: a canção Conceição, de Dunga e Jair Amorim. Depois, Cauby participou de dezenas de filmes ao longo de sua vida, sempre cantando.

Foi nessa época que o assédio das fãs se intensificou e que as tradicionais tentativas de arrancar-lhe pedaços de suas roupas começaram a fazer parte da cultura de suas admiradoras. Cauby Peixoto chegou a ser considerado o homem mais bonito do Brasil, eleito pela revista americana Time, que também o chamava de “Elvis Presley brasileiro”.

Rapidamente, Cauby se consolidou como um dos grandes nomes da música brasileira. Premiado no Brasil e no exterior, em seis décadas mostrou versatilidade na voz interpretando diversos estilos. Foi um ícone da Era do Rádio, mas sempre se renovou e manteve seu repertório atualizado com as novas gerações, com músicas de Chico Buarque, Gonzaguinha, Tom Jobim, Carlos Colla, Roberto e Erasmo, entre outros. Foram quase 50 discos e cinco DVDs ao longo da carreira.

Em 1957, Cauby Peixoto foi o primeiro cantor brasileiro a gravar uma canção de rock em português, a chamada Rock and Roll em Copacabana, composta por Miguel Gustavo.

Em 1980, em comemoração aos seus 25 anos de carreira, o artista lançou o álbum Cauby, Cauby, que conta com composições escritas especialmente para ele por Caetano Veloso (Cauby, Cauby), Chico Buarque (Bastidores), Tom Jobim (Oficina), Roberto Carlos e Erasmo Carlos (Brigas de Amor).

Em 2011, em ocasião dos seus 80 anos, a organização do Grammy Latino decidiu que Cauby Peixoto seria homenageado com o prêmio Latin Recording Academy ‘s President Merit Award. O artista foi o primeiro a receber essa homenagem do Grammy Latino. Quando foi até o microfone para agradecer, cantou um trecho da canção Bastidores e justificou: “não sou de falar, por isso cantei”.

A cantora Ângela Maria foi a melhor amiga de Cauby Peixoto. Os dois começaram as carreiras juntos e o primeiro encontro deles em disco aconteceu em 1972, no LP Ângela e Cauby. A última apresentação da vida de Cauby foi ao lado da amiga, com quem estava em turnê de comemoração dos 60 anos de carreira dos dois, chamada 120 Anos de Música, em 3 de maio de 2016.

Uma semana depois, Cauby Peixoto foi internado para tratar de uma pneumonia e acabou não resistindo, aos 85 anos de idade. Angela Maria morreu dois anos e meio depois, em 2018, aos 89 anos, também em decorrência de uma pneumonia. Os dois estão sepultados lado a lado, no jazigo da família dela.

Conheça mais sobre a vida e carreira de Vanessa da Mata
Vanessa da Mata. | Foto: Marcos Hermes/Divulgação.

Vanessa da Mata

Uma das principais cantoras e compositoras da música popular brasileira da atualidade, Vanessa da Mata completa 48 anos neste 10 de fevereiro.  

Nascida em 1976, na cidade de Alto das Graças, no interior do Mato Grosso, Vanessa é uma apaixonada por música desde a infância e ouvia de Luiz Gonzaga a Tom Jobim, de Milton Nascimento a Orlando Silva, passando por ritmos regionais como o carimbó e a música caipira, apreciando o samba e até música italiana.

Em 1990, mudou-se para Uberlândia, em Minas Gerais, com o intuito de estudar para o vestibular de Medicina, mas também para dedicar-se à carreira musical. No ano seguinte, com 15 anos, passou a se apresentar em bares da cidade, com um repertório que mesclava MPB e reggae.

Aos 16 anos, em 1992, Vanessa da Mata desistiu do vestibular para Medicina e mudou-se para São Paulo, passando a integrar a banda de reggae feminina Shalla-Ball.  Em 1995, entrou para a banda jamaicana Black Uhuru e, com ela, viajou se apresentando em diversos países do mundo. Passou a integrar também o grupo de ritmos regionais Mafuá.

1997 foi um ano divisor de águas na carreira de Vanessa da Mata: ela, então com 21 anos, conheceu o cantor e compositor Chico César e passou a compor em parceria com ele. Em 1999, a já consagradíssima cantora Maria Bethânia gravou a composição de Vanessa da Mata e Chico César: A Força Que Nunca Seca.

A canção deu nome ao disco de Bethânia, que foi indicado ao Grammy Latino do ano seguinte, como Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Chico César também incluiu a composição em seu disco Mama Mundi, do mesmo ano.

Já em 2000, outra baiana consagrada – Daniela Mercury – incluiu a canção Viagem, composta por Vanessa, no seu disco Sol da Liberdade. Em 2001, Maria Bethânia gravou mais uma vez uma composição de Vanessa da Mata, no disco Maricotinha: a canção O Canto De Dona Sinhá (Toda Beleza Que Há).

Ainda em 2001, em parceria com a cantora Ana Carolina, Vanessa compôs a canção Me Sento na Rua, que entrou para o CD Ana Rita Joana Iracema e Carolina, da parceira.

Até este momento, o Brasil estava conhecendo uma grande e talentosa compositora. Mas foi em 2002, que Vanessa da Mata consagrou-se também como cantora e intérprete, quando – após destacadas participações em shows de Milton Nascimento, Maria Bethânia e de Baden Powell – lançou o seu álbum de estreia: Vanessa da Mata.

Não demorou para a cantora conquistar o Brasil inteiro com sua voz doce e ao mesmo tempo forte e inconfundível. Desde então, com mais de 20 anos de carreira, Vanessa lançou nove álbuns – entre ao vivo e de estúdio – e dois DVDs, além de ter diversas músicas em trilhas de novela e atuar também como escritora.

Vanessa lançou o seu primeiro livro em 2013: o romance A Filha das Flores, um mergulho no universo mágico de Giza, uma protagonista audaciosa que desvenda o amor, o sexo e suas raízes numa história cheia de poesia, afeto e desejo pela vida.

A artista conta que –  apesar de não tocar nenhum instrumento – chega ao estúdio com as canções e melodias prontas. Nos ensaios ela passa a cada músico o que está em sua cabeça.  Segundo a cantora, o processo de criação de seus álbuns são totalmente artesanais, pois ela mesma canta as melodias para os demais integrantes da banda.

Entre seus principais sucessos, gravados ao longo de seus oito álbuns de estúdio e três ao vivo, estão: 1 – Não Me Deixe Só; Onde Ir (2002); Viagem (2002); Case-se Comigo (parceria dela com Liminha, 2002); Ai, Ai Ai, Ainda Bem e Música (todas parcerias com Liminha, de 2004); Boa Sorte/Good Luck (parceria com o cantor americano Ben Harper, de 2007); Vermelho, Ilegais, Fugiu com a Novela e Quando Um Homem Tem Uma Mangueira no Quintal (todas de 2007); Amado (parceria com Marcelo Jeneci, de 2007); O Tal Casal e Te Amo (de 2010); e Segue o Som (2014).

Seu mais recente lançamento foi o álbum Vem Doce, de 2023, sobre o qual contou mais detalhes em entrevista ao programa Radar Novabrasil.

Quer saber mais sobre a vida e carreira de Vanessa da Mata? Acesso o episódio especial sobre a cantora na nossa série de áudio-biografias original Novabrasil: o podcast Acervo MPB

11 de fevereiro

Sérgio Mendes | Foto: Divulgação (Site Oficial)
Sérgio Mendes | Foto: Divulgação (Site Oficial)

Sérgio Mendes

E, para encerrar a nossa série de aniversariantes musicais da semana, temos um dos artistas brasileiros de maior sucesso internacional de todos os tempos, Sérgio Mendes, fazendo 83 anos neste 11 de fevereiro.

Sérgio Mendes já gravou mais de 35 álbuns, muitos dos quais foram ouro ou platina, conquistou um Grammy Award, dois Grammy Latinos, e foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original.

Mundialmente conhecido na difusão da bossa nova, do samba e da MPB, Sérgio Mendes nasceu em Niterói e estuda música clássica. Começou a carreira com o Sexteto Bossa Rio, gravando o disco Dance Moderno, em 1961.

Viajando pela Europa e pelos Estados Unidos, gravou vários álbuns com Cannonball Adderley e Herbie Mann, chegando a tocar no Carnegie Hall. Mudou-se para os EUA em 1964, onde começou o grupo Sérgio Mendes & Brasil 66, alcançando sucesso ao lançar a canção Mas que Nada, de Jorge Ben Jor, em versão Bossa Nova.

Nos anos 90, criou a banda Brasil 99, com a qual gravou o disco Brasileiro, que, além de levá-lo de volta às paradas de sucesso, rendeu-lhe o Grammy de 1993, na categoria World Music.

Parabéns a todos os aniversariantes musicais da semana!

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