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Aniversariantes musicais do dia: Gloria Groove e Don L

Mais um dia importante para a música brasileira: dois jovens e promissores talentos da música brasileira contemporânea, Gloria Groove e Don L fazem aniversário em 18 de janeiro e nós trouxemos uma matéria especial para homenageá-los.

A seguir, contamos um pouco da trajetória de cada um desses artistas, que – apesar da pouca idade – já são nomes consagrados da nossa cultura. E que – se você ainda não conhece sua obra a fundo – precisa conhecer!

Tudo sobre Gloria Groove

A super performer Gloria Groove | Imagem: Reprodução

Gloria Groove é um dos maiores sucessos da música pop brasileira da atualidade e completa 31 anos hoje.

Drag queen e performer Gloria é criação do cantor, compositor, ator e dublador paulistano Daniel Garcia Felicione Napoleão, que em entrevista ao programa “Provoca”, da TV Cultura, explicou: “Drag queen não é uma identidade de gênero, é uma expressão artística, dentre tantas expressões artísticas que existem: mágico, palhaço, cantor, bailarina… Drag queen é uma dessas coisas, é uma expressão artística muito plural, que conversa diretamente com a cultura pop. E Gloria Groove é uma instalação pra mim.”.

Nascido na Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, Daniel já nasceu em um ambiente musical: é filho da cantora Gina Garcia, vinda de uma família de muitos artistas. Aos seis anos, ele começou a fazer comerciais e, aos sete, iniciou sua carreira oficialmente, quando fez parte do grupo Galera do Balão, nova formação do Turma do Balão Mágico, com o qual gravou dois álbuns. 

Em 2006 – já um exímio cantor, de voz estonteante – foi um dos finalistas do quadro de calouros “Jovens Talentos”, no “Programa Raul Gil”, na Band. No mesmo ano, foi indicado pelo próprio Raul Gil para um teste na telenovela “Bicho do Mato”, na Record, onde passou para interpretar o Ruizinho, irmão da protagonista Cecília, interpretada pela atriz Renata Dominguez.

Desde 2005, também iniciou uma vasta carreira na dublagem, onde se tornou um dos principais nomes do mercado brasileiro, emprestando sua voz a seriados como “Hannah Montana”, “Digimon Xros Wars”, “Power Rangers: Megaforce”, além da franquia de filmes “Descendentes”.

O nascimento de uma diva

Em 2014, Daniel passou a se identificar com a cultura drag queen ao assistir o talent show “RuPaul’s Drag Race”, no qual artistas performáticos competiam para permanecer no programa com números interpretativos de música e dança. Foi então que criou a Gloria Groove.

Em entrevista ao portal UOL, Daniel falou sobre a descoberta: “Nunca me encaixei e me enxerguei dentro do que as pessoas esperavam para mim. Quando se olha, não se sabe se é homem, mulher, meio do caminho, se chama de ele ou de ela. Ser drag me permitiu me ver pela primeira vez como artista. Ali dentro, posso explorar o que quiser”.

Em 2016, decidiu iniciar a carreira na música e chamou atenção com o lançamento da música “Dona”. Com a grande repercussão, Gloria Groove embarcou na turnê “Dona Tour”, que passou por vários estados do Brasil. Nesta época, chegou a abrir os shows de drag queens de renome internacional, tais como Sharon Needles e Adore Delano.

Em fevereiro de 2017, Gloria Groove lançou seu álbum de estreia, intitulado “O Proceder”. As letras são, em sua maioria, retratos de sua vida como pessoa LGBT e drag queen de periferia, trazendo um ponto de vista mais pessoal e contundente, como temas sobre seus relacionamentos, em composições como “Problema” e “Proceder”, parcerias com Evandro Cezar.

Imediatamente após sucesso do lançamento do álbum, a cantora embarcou na turnê “O Proceder Tour”. Em junho do mesmo ano, a cantora lançou o clipe de “Gloriosa” (parceria com Nelson D.), com uma letra sobre empoderamento e autoestima, utilizada pela própria cantora para superar momentos difíceis. 

O clipe da canção já acumulou mais de 9,5 milhões de visualizações no Youtube e a música se tornou sua segunda a ultrapassar 1 milhão de reproduções no Spotify.

Ainda no fim de 2017, a cantora lançou o single “Bumbum de Ouro”, cujo clipe, lançado em 2018 eum dos assuntos mais comentados no Twitter brasileiro na época, já ultrapassou a marca de 150 milhões de visualizações no YouTube. 

Em maio de 2018, com participação do baiano Léo Santana, foi lançado o hit “Arrasta”, que chegou ao topo da lista Viral Brasil do Spotify. O videoclipe, com direção e roteiro de Felipe Sassi, alcançou mais de 5 milhões de visualizações em menos de um mês e hoje bateu a marca de 64 milhões de visualizações.

Em 2019, Daniel dublou o protagonista “Aladdin” na refilmagem live-action feita pela Disney, e também cantou as músicas da trilha.

Em 2022, veio o segundo álbum da artista, “Lady Leste”, que faz referência a região em que nasceu em São Paulo.

O álbum contém colaborações com Sorriso Maroto,Marina Sena, Tasha & Tracie, MC Hariel, MC Tchelinho e Priscilla Alcântara, e traz sucessos como “Bonekinha”, “A Queda”, “Leilão” e “Vermelho”.

Em 2023, o álbum ganhou uma versão ao vivo, mesmo ano em que Gloria lançou seu terceiro disco: “Futuro Fluxo”, que apresentou sucessos como “Proibidona”, “Bruxaria 3000” e “Modo Xuxa”.

No dia 31 de dezembro de 2023, Gloria Groove encerrou o ano se apresentando na festa de réveillon pública na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, a maior do mundo. A cantora também já se apresentou em grandes festivais como o Rock in Rio.

Em 2024, lançou seu segundo e terceiro álbuns ao vivo: “Serenata GG”, Volume 1 e 2, com participações especiais de peso, como: Alcione,Ferrugem, Belo,Thiaguinho,Ana Carolinae Gina Garcia, sua mãe.

Daniel define a “Gloria Groove” como “meio arrasto, meio rapper”, e as composições variam de soul, trap, R&B e funk brasileiro. Groove foi influenciada pelo hip hop desde a infância: o cantor apreciava rappers do sexo masculino, tais como Usher, mas a principal inspiração a cantar vem de rappers femininas, incluindo Lil’ Kim, Missy Elliott, Nicki Minaj,Karol Conká, e Flora Matos.

Tudo sobre Don L

Don L | Foto: Larissa Zaidan/divulgação

Rapper e compositor nascido em Brasília e criado em Fortaleza, Don L é considerado um dos nomes mais influentes do rap nacional na atualidade e um dos precursores do movimento que começou a trazer mais visibilidade para o hip-hop do Norte e Nordeste.

Completando 45 anos hoje, em 2021, Don L foi escolhido como Artista do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte – a APCA – com seu disco “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”

Vivendo em Fortaleza desde os dois anos de idade, foi observando o estilo dos rappers internacionais, com swingue, novos flows, que o artista percebeu que poderia experimentar mais no estilo.

Em entrevista para Lívia Nolla, apresentadora do Vitrine Novabrasil, em abril de 2023, o artista relembrou detalhes do seu primeiro contato com o hip-hop, com 16 para 17 anos, e o cenário do gênero no Norte e Nordeste:

“Sempre teve um preconceito muito grande com o rap do que vinha do Nordeste porque a galera sempre caricaturou muito o Nordeste. (…) Tanto em termos individuais como coletivos, para você pensar no futuro você tem que saber de onde você vem.”.

Antes de iniciar uma carreira solo e lançar três álbuns de sucesso, Don L foi – juntamente com Nego Gallo, um dos criadores do grupo de rap e hip hop, Costa a Costa, que despontou no cenário do rap nacional, em 2006.

Em 2007, lançou a mixtape “Dinheiro, Sexo, Drogas e Violência de Costa a Costa”, pelo selo independente DuNego, criado pelos integrantes. O primeiro e único trabalho do grupo vendeu milhares de cópias caseiras, recebeu reconhecimento da mídia e da crítica e influenciou uma nova geração de rappers no país. 

Suas produções tratavam de problemas e soluções para a vida no gueto e, além do rap e do R&B, traziam sonoridades como funk, samba, carimbó e outros gêneros musicais afro-latinos, como mambo e reggaeton. 

Com 23 faixas, ela teve oito mil cópias distribuídas em todo o Brasil e cerca de 25 mil downloads. Por este feito, a banda venceu a principal premiação do hip hop brasileiro, o Prêmio Hutúz daquele ano, na categoria Norte-Nordeste e, depois – em 2009 – como Melhor Grupo Norte/Nordeste da década. 

A mixtape foi imediatamente comentada por Hermano Vianna. Para o antropólogo e intelectual do mundo da música popular brasileira, trata-se de “uma das mais criativas da atual safra musical brasileira, em qualquer estilo. E é também uma injeção de energia/ousadia na sonoridade do hip hop nacional. A mixtape não segue nenhuma regra, não copia ninguém. Fazia falta ouvir algo assim – tão surpreendente – por aqui. Não somente aqui: lá também”. 

Em sua resenha, Vianna também refere-se à mixtape como um contundente documento sobre a realidade brasileira contemporânea: “Um Sobrevivendo no Inferno (dos Racionais MC’s) traduzido para o Século XXI”. 

A música do Costa a Costa também foi uma resposta a uma espécie injeção de ânimo contra o derrotismo que os rappers do grupo sentiam que tomava o rap nacional naquele momento. Por meio da mixtape, eles propuseram uma reação que incluía desde mixar ritmos dançantes até quebrar um certo tabu na cena sobre artistas poderem ser financeiramente bem sucedidos, como pode ser observado nas rimas da faixa “Intro – No Melhor Lugar”

Carreira solo e mais sucessos

Após o Costa a Costa encerrar atividades, Don L seguiu em carreira solo e radicou-se em São Paulo em 2013, onde lançou a sua primeira mixtape solo, “Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L”, de forma independente. A mixtape conta com 17 faixas, e participações de rappers como Flora Matos e Nego Gallo, além da produção de Papatinho.

Em 2017, Don L lançou “Roteiro pra Aïnouz – Volume 3”, a primeira parte de uma trilogia autobiográfica reversa – feita de trás para frente – cravando de vez seu nome como um dos principais do rap no país.

Ele afirma que a trilogia é reversa porque: “Pra pensar no nosso futuro a gente tem que ressignificar o passado todo tempo. O passado nunca está definido, a gente ressignifica e entende para onde quer caminhar.”.

O álbum que conta com nove faixas, participações de rappers como Diomédes Chinaski e Nego Gallo, e seu nome álbum faz referência ao diretor de cinema, roteirista, e artista visual  cearense,  Karim Aïnouz, conhecido pelos filmes “Madame Satã”, “O Céu de Suely”, “Praia do Futuro” e “A Vida Invisível”

Aïnouz fala – entre suas principais temáticas – sobre estrada, sobre um êxodo não só físico, mas um êxodo de nós mesmos no mundo, sobre buscarmos nosso lugar, não nos encontrarmos.

O segundo álbum da trilogia reversa – “Roteiro pra Aïnouz – Volume 2” – que levou Don L a ser premiado pela APCA, veio em 2021. 

É um disco político, que dança sob inúmeros gêneros e referências – rap, trap, drill, funk, soul e MPB. É um manifesto por um projeto de sociedade pautada pelo coletivo, e não pelo indivíduo. “Pensando no atual momento, queria que fosse um disco bastante político. Tinham muitas coisas que precisavam ser ditas”, conta Don L.

O resgate e a valorização da memória aparecem como fio condutor do disco. O legado de luta deixado por líderes revolucionários aparece em cada linha: Marielle Franco e Marighella são homenageados no disco, assim como Mano Browne Sabotage

“Como já estava fazendo um disco cheio de referências a lideranças e lutadores pela liberdade, guerrilheiros e revolucionários, queria colocar referências musicais e fazer reverência a alguns artistas também.”, declara.

O Vol 2. da trilogia traz participações de Djonga, Tasha & Tracie, Rael, Daniel Ganjaman, Mahmundi, entre outros, que somam forças com Don L na construção de uma utopia. Entre rimas e melodias, ele mostra a urgência de pensar um novo mundo, a partir da coletividade.

Umautopia de guerrilha, de levante revolucionário que viesse de um passado. “O drama e todas as nossas questões coletivas brasileiras que vêm desse passado colonial não foram interrompidos em nenhum momento”, analisa o artista.

No álbum, Don L retrata umpassado praticamente colonial que precisa ser combatido e um futuro possível, que precisa ser conquistado de maneira coletiva e afirma que isso é uma luta revolucionária.

A temática do álbum versa sobre umahipotética revolução socialista brasileira, sendo isso, facilmente, perceptível pelas menções a movimentos revolucionários e de resistência ao redor do mundo e no Brasil, como Canudos, e, também, nas menções a históricos revolucionários comunistas, como Assata Shakur, Thomas Sankara, Vladimir Lenin, Carlos Marighella, Mao Tsé-Tung, entre outros, passando pelo vocabulário utilizado no álbum e pelas imagens nos visualizers das músicas no YouTube.

“Cultura e educação são nossas principais armas para combater desigualdades, preconceitos, abusos, lutar por mudanças sociais”, declara o rapper.

Mais de uma década após o lançamento de “Caro Vapor – Vida e Veneno de Don L”, o rapper cearense revelou ao público seu mais recente álbum “Caro Vapor II – Qual a Forma de Pagamento?”, em 2025. Trabalho mais ambicioso do artista, o disco naturalmente chama a atenção pela força das rimas, porém é na intensa relação com a música brasileira que o repertório cresce.

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